Assim como a maioria, você também deve conhecer uma pessoa, famosa ou anônima, de dentro ou de fora do seu círculo de convivência, com quem seu santo simplesmente não bate, como dizem por aí. Às vezes, é até pior que isso. As coisas ela fala e pensa, o jeito como se comporta, enfim… Quase tudo o que diz respeito a ela, causa, em você, repulsa, mágoa, tristeza, raiva, indignação, quando não uma vontade imensa de dar o troco na mesma moeda.

Será que isso já lhe aconteceu?

Aliás, por que será que isso acontece com você (e praticamente com todo mundo)?

No meu livro “Perdão, a Revolução que Falta”, eu falo bastante sobre os pré-conceitos que estabelecemos em relação às pessoas muitas vezes sem nem ao menos conhecê-las. Aliás, nós nos ‘enganchamos’ com os outros pelas mais diversas razões, mas, sejam quais forem, todos esses motivos dizem muito mais respeito a nós mesmos do que ao outro.

E, hoje, o que eu quero é lhe apontar uma saída para esses ganchos tão negativos, bem como para essas emoções tão doloridas que surgem quando nos vemos diante dos nossos desafetos (sejam eles pessoas, ideias, crenças ou comportamentos). Eu quero contar por que é que a empatia e a compaixão são escolhas necessárias para lidar com tudo isso, mesmo que você ache impossível praticá-las em relação a algo ou alguém.

Principalmente em tempos como esses, de tanta polarização, é muito importante que possamos nos rever, com abertura e honestidade, para interromper esse círculo vicioso tão prejudicial em que tantas vezes entramos sem nem perceber. Vamos falar sobre isso?


Você está julgando ou sendo julgado? Atacando ou sendo atacado?

Embora tenha ficado muito mais evidente nos últimos tempos, a maior parte das pessoas tem grande dificuldade em aceitar que o outro pensa, sente e se comporta de formas variadas. Ou seja, a diferença e o diferente quase sempre causam desconforto e, por isso, acabam malvistos e atacados pela imensa maioria.

Não à toa, quando alguém fala ou faz algo com o qual discordamos, muitos de nós tendemos a entrar numa espécie de tribunal mental – em que estamos sempre prontos para acusar e, caso preciso, nos defender.

Agimos assim porque, inconscientemente, queremos provar que sabemos mais; que nossa opinião tem valor; que merecemos atenção e respeito. Para além disso, também queremos que o outro reconheça e pague por seus erros. E, então, decidimos condená-lo e puni-lo por suas falhas sem nem perceber que a sentença é (quase sempre) compartilhada. Ou seja, no final deste julgamento, ambos os lados sofrem com o veredito.

Se, no meio desta tal polarização ou, mesmo, ao longo da vida, você perdeu ou se distanciou de alguém que pensava ou agia diferente de você, deve saber do que estou falando… Será que aquela pessoa era mesmo tão ruim assim? Será que não tinha mesmo nenhum valor? Será que as opiniões e valores divergentes entre vocês eram tão absolutos assim a ponto de encerrar essa relação? Aliás, será mesmo que você estava tão certo(a) e o outro tão errado(a)?

Não, eu não estou falando de pensamentos e comportamentos que violam os direitos humanos ou a lei. Se você rompeu relações com pessoas cujas crenças ou ações transgrediam o que está posto em alguma legislação, fez bem. Deixe que estes sejam julgados na esfera criminal.

Estou me referindo a pessoas queridas, amigos de longa data, irmãos, primos, tios, pessoas com quem você mantinha um vínculo de afeto e respeito até que a relação se desfez por divergências de pensamentos, ou seja, pela incapacidade de levar uma boa dose de compaixão e empatia a essa relação.

 

O caminho da compaixão e da empatia restabelece a igualdade nas nossas relações

A compaixão nos traz um sentimento profundo de igualdade e pertencimento. Nós, humanos, somos seres gregários e desejamos fazer parte do “bando”. Mas, para fazer parte, é preciso compreender que o outro tem direito de ser o outro. A compaixão nos permite legitimá-lo, isso é, dar, a ele, o direito de ser exatamente como e quem é.

Podemos não gostar do que faz, podemos não aprovar o que faz, mas, ainda assim, reconhecer que ele tem o direito de fazer (assim como nós temos o direito de fazer o que fazemos e como fazemos). Isso só se torna verdadeiro a partir do sentimento de compaixão.

Por sua vez, ao contrário do que muitos pensam, empatia não é ser condescendente ou conivente com os erros e comportamentos alheios, nem autorizar, aos outros, que ajam de maneira antiética. Empatia não é “se deixar enganar”, não é anular as próprias dores ou alegrias, nem adotar comportamentos que nos façam sentir mais/melhor ou menos/pior que o outro.

Quando praticamos empatia, o que estamos fazendo, essencialmente, é sair desse paradigma da comparação baseada em pré-julgamentos e em vitimizações. Na empatia, eu encontro, dentro de mim, emoções e pensamentos que refletem os do outro, que são como espelhos do outro. Eu sou capaz de compreender que, muito embora não tenha sido comigo, aquele episódio que aconteceu e doeu no outro também repercute em mim.

Na empatia, portanto, eu não me acho menos ou mais; eu apenas compreendo, de um ponto de vista muito profundo e pessoal, o que aquela pessoa está vivendo. E, porque consigo enxergar a situação a partir do ponto de vista alheio e porque penso que é “como se fosse comigo”, consigo reagir de maneira apropriada, cuidadosa, amorosa e respeitosa.

Por isso, empatia e compaixão andam de mãos dadas; uma tem absolutamente tudo a ver com a outra. E é a partir delas que você poderá compreender que as diferenças sempre oferecem uma oportunidade de aprendizado e crescimento.

Mas, lembre-se: só é possível desenvolver essas habilidades se você, em primeiro lugar, puder conhecer a si mesmo(a), puder rever sua própria trajetória, puder perdoar suas falhas, e reconhecer positivamente suas qualidades. Você só pode entregar, ao outro, aquilo que entregou para si em primeiro lugar.

Então, comece por você. Compaixão e empatia significam AUTOconhecimento, AUTOrespeito, AUTOcuidado, AUTOamor. Quando você está preenchido, sobra e transborda para o outro. O direito de existir é NOSSO; aproprie-se do seu para, em seguida, reconhecer o do outro.


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CEO do Centro Hoffman, é expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e de "Perdão, A Revolução que Falta", além de coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach.

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