Olá!

Celebrado anualmente em 30 de janeiro, o Dia da Saudade costuma incitar as pessoas a entrar ainda mais em contato com esse sentimento. Por isso, hoje, decidi falar sobre esse assunto – porque a verdade é que todos nós temos saudade de alguma coisa.

Nas minhas turmas do Processo Hoffman, recebo muitos alunos mais velhos que sentem saudade justamente da juventude. Eles se lembram com muito carinho das experiências que viveram quando mais novos e, por vezes, manifestam um grande desejo de voltar no tempo… “Eu gostaria de viver tudo outra vez”, dizem.

Mas saudade não é algo que pertence exclusivamente a esse grupo. Os jovens também tendem a olhar para trás com certa nostalgia da infância, da época em que tinham menos responsabilidades, dos momentos em que se sentiram incondicionalmente cuidados e amados pelos pais e familiares.

A verdade é que a saudade é sempre uma dor. Nós podemos transformá-la em poesia, em canção, podemos floreá-la, enaltecer sua beleza, reforçar seu vínculo com o amor, mas isso não muda o fato de que ela é sempre uma dor – não importa quão bela e quão intensa seja a nossa saudade.

Saudade é um desejo ardente de tangibilizar aquilo que acabou, que não está, que já foi… Um perfume, um sabor, um toque, um momento, uma pessoa. Dizem que a saudade é o amor que fica de alguém ou de algo que já se foi, o que certamente dói muito – afinal, você ficou com o amor, enquanto o outro se foi, o momento passou, o perfume desapareceu, a paisagem se desfez, o sol sumiu.

A saudade está fundamentalmente ligada ao luto, à perda de momentos e pessoas que foram bons e que, agora, não existem mais. Aliás, há quem tenha saudade até do que foi ruim (o que pode ser muito perigoso, já que revela uma tendência de supervalorizar o passado).

E, verdade seja dita, a saudade mais doída, certamente, é daqueles que partiram e, portanto, a quem nunca mais veremos. É a vontade de voltar no tempo para um último abraço, um último conforto, uma última palavra de carinho, um último “eu te amo” (ou, quem sabe, uma última bronca ou última gargalhada). Nós até tentamos, mas nunca estamos preparados para nos despedir daqueles a quem amamos (aliás, falei bastante sobre este assunto neste vídeo, que é até hoje um dos mais assistidos em nossos canais).

Como disse, saudade é uma dor e uma dor que não tem cura. Por isso, só há dois caminhos possíveis para esse sentimento: acostumar-se a ele e fazer com que ande de mãos dadas com a nossa gratidão.

 

Então, nesta ocasião tão especial, permita-se sentir a saudade que já é sua, mas vá além. Tire uns minutinhos do seu dia para agradecer e, se assim quiser, prepare um ritual próprio de gratidão. O que importa é que você conte, para si mesmo(a) e para o universo, tudo aquilo que lhe aconteceu e pelo qual você se sente realmente grato ou grata.

Saudade é intraduzível

Enquanto me preparava para produzir este artigo, descobri que a palavra “saudade” só existe com esse significado no nosso idioma. Aliás, segundo uma pesquisa britânica realizada com mais de mil tradutores, “saudade” é a 7ª palavra mais difícil de ser traduzida no mundo. E eu acredito que sim, porque, afinal, definir a saudade é difícil até mesmo para nós, que aprendemos esse conceito ainda pequenos e na nossa língua materna.

Eu aprendi a viver e a conviver com diversas saudades, mesmo sem nunca ter pensado a respeito do assunto. Digo, mesmo antes de saber quão complexo era seu significado, eu já tinha (e continuo a ter) saudades do meu pai, da minha sobrinha, de momentos da minha infância, do sorriso dos meus filhos pequenos, das viagens em família para a praia. Ah, eu tenho saudade de tanta coisa e de tanta gente!

E, sabe, às vezes, é tão difícil lidar com essa dor, mas aprendi algo que fez muita diferença em minha vida: a saudade se torna muito mais suportável (e, quem sabe, menos dolorida) quando lado a lado com a gratidão. Sim, porque a saudade que sinto é do que foi bom, do que foi inesquecível, do que me marcou profundamente – de tudo aquilo que tive a chance, o privilégio de viver.

Portanto, isso só pode alimentar a minha gratidão e eu sou muito grata!

Eu sou grata pela família em que nasci e pela família que construí; pelo trabalho que realizei e ainda realizo, e no qual acredito com toda a minha força; pelas vezes em que fui capaz de me reerguer dos tombos que a vida me deu e que me ensinaram muito a meu próprio respeito; pelos momentos que compartilhei com as pessoas que amo e vou amar para sempre.

Eu sou grata pelos sorrisos e lágrimas que pude compartilhar com tanta gente querida ao longo do meu caminho. E por todo o amor que fui capaz de receber e de sentir.

E, então, neste Dia da Saudade, o meu convite é para que você se conecte também à sua gratidão.

Sentir-se grato é algo que nos devolve o sentimento de pertencimento: a partir dessa emoção, tenho uma visão horizontal das demais pessoas. Deixo de vê-las de baixo para cima ou de cima para baixo. Não sou mais e nem menos; sou igual.

Traz ainda a compreensão significativa de que, na vida, nada dá errado. Tudo o que acontece, acontece para nosso bem. Se sou grata inclusive ao que me acontece de negativo, serei capaz de entender o que está por detrás daquele mal e qual lição mereço tirar daquele acontecimento.

Quando sou grata, entro em conexão com o universo e com a positividade.

Então, nesta ocasião tão especial, permita-se sentir a saudade que já é sua, mas vá além. Tire uns minutinhos do seu dia para agradecer e, se assim quiser, prepare um ritual próprio de gratidão. O que importa é que você conte, para si mesmo(a) e para o universo, tudo aquilo que lhe aconteceu e pelo qual você se sente realmente grato ou grata.

Quais momentos da sua infância lhe trazem mais saudades?
Quais pessoas se foram e deixaram marcas profundas na sua vida e no seu coração?
Quais vitórias são tão inesquecíveis a ponto de você relembrá-las com tanto carinho?
E quais derrotas lhe ensinaram tanto a ponto de, apesar de difíceis, mexerem com sua saudade?

Não importa suas respostas. Importa que você sinta gratidão pela vida que viveu até hoje, porque, tenha certeza: tudo valeu a pena!

Um grande abraço. Com amor e luz,

Temas:

Expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman, no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach. É diretora do Centro Hoffman

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