Olá!

Hoje, quero lhe propor uma reflexão sobre sua comunicação:

Como é que você costuma se expressar?
Esse “jeitão” tem lhe trazido bons resultados?
Há algo em que você gostaria de melhorar?

Nesses 35 anos em que atuo como especialista em inteligência emocional e comportamental, constatei que muitos desentendimentos acontecem simplesmente porque as pessoas não sabem bem como se expressar ou apenas se expressam mal nos piores momentos possíveis. Em vez de críticas construtivas, recorrem a frases destrutivas; em vez da fala positiva, entregam invalidação e rejeição.

E eu tenho certeza que você já esteve nos dois lados. Por exemplo:

Já lhe aconteceu de receber uma crítica tão, mas tão despropositada, que você se sentiu imediatamente atacado(a), desafiado(a) e até afrontado(a)?

Ou, então, já lhe aconteceu de dizer algo que não devia, sem querer, e isso lhe trazer diversos problemas?

Isso me faz lembrar de um casal passou pelo Processo Hoffman uns anos atrás. Estavam considerando o divórcio por diversas razões e, naturalmente, a falta de entendimento transparecia nos seus diálogos: um dizia a, outro respondia b, era retrucado com c… E a confusão ia longe!

Mas o que mais me chamou a atenção nos dois foi o fato de que não estavam se desentendendo intencionalmente. Eles não tinham o propósito de magoar, machucar, “devolver na mesma moeda” ou se vingar do outro; queriam, apenas, validar as próprias ideias, emoções e sentimentos.

Sim, é isso mesmo que você entendeu: assim como eles, frequentemente, as pessoas magoam sem querer, só porque se sentiram invalidadas e, daí, por impulso, agiram para se defender. A ideia, portanto, não era atacar ou magoar; era apenas se proteger de um ataque ou de uma mágoa.

Eu também tenho certeza que você conhece esse comportamento, seja porque o adota, seja porque convive ou conviveu com alguém assim. Afinal, as brigas e discussões não se desenrolam sozinhas; é preciso de, pelo menos, dois para que o embate tenha início. Mas se nossa intenção não é a de brigar, por que é que tantas vezes iniciamos ou permanecemos em brigas homéricas?

Sim, a razão por detrás de tudo isso é a invalidação. Se a fala ou o gesto de alguém faz com que nos sintamos rejeitados, frustrados, ignorados, mal-amados, naturalmente, temos o impulso de nos proteger – afinal, com que direito o outro nos causa tamanha mágoa? E, daí, sem consciência de que é isso que estamos fazendo, o próximo passo será agir para devolver todo o mal e toda a dor que o outro acabou de provocar.

Já se viu numa conversa do tipo:

A diz: se não fosse por mim, este projeto não tinha saído do papel;
B responde: e se não fosse por mim, você nem estava no projeto;
A retruca: então, você quer dizer que eu sou dispensável?

Ou ainda:

A diz: por que você não lavou a louça, como eu lhe pedi?
B responde: porque você também não guardou a louça que já estava limpa, como eu lhe pedi.
A retruca: então, você quer dizer que eu nunca faço nada?

Será que fica claro? Se me sinto atacada, eu devolvo. Mas, a partir do momento em que devolvo, quem ataca sou eu. E, daí, estamos eu e o outro, A e B, para sempre presos num círculo vicioso de ataque e defesa.

 

Se a fala ou o gesto de alguém faz com que nos sintamos rejeitados, frustrados, ignorados, mal-amados, naturalmente, temos o impulso de nos proteger – afinal, com que direito o outro nos causa tamanha mágoa? E, daí, sem consciência de que é isso que estamos fazendo, o próximo passo será agir para devolver todo o mal e toda a dor que o outro acabou de provocar.

Sua expressão espelhada no outro

Decidi escrever sobre esse tema porque, nos últimos tempos, tenho visto muitas relações se perderem ou ficarem absolutamente fragilizadas por desentendimentos importantes que poderiam ter sido evitados ou tratados de uma maneira mais positiva.

Veja, há três coisas importantes no que acabei de dizer que preciso reiterar:

1) Sim, desentendimentos acontecem, afinal, somos essencialmente diferentes uns dos outros; portanto, claro, pensamos diferente, sentimos diferente e agimos diferente ainda que estejamos diante das mesmas situações.

2) Consequentemente, todos nós temos direito de pensar, sentir e agir à nossa própria maneira. E, evidentemente, respeitadas as leis, quando o assunto é esse, não há certo, nem errado. Há, sim, o que é melhor para mim, e o que é pior para mim, mas apenas isso.

3) Se eu tenho direito de pensar, sentir e agir à minha própria maneira, o outro também tem.

Eu gostaria de lhe pedir que voltasse e relesse esses três pontos para assimilá-los com máxima profundidade. Porque quando você compreende, profundamente, quais são seus direitos, também alcança um novo nível de empatia quanto ao outro.

Veja por que é tão importante estar em pé de igualdade nas relações para dar início a uma comunicação mais positiva e consciente:

Se você não magoa com intenção, por que é que ele(a) lhe magoaria de propósito?
Se você não disse por mal, por que é que ele(a) teria dito?
Se você nunca quis machucá-lo(a), por que acredita tanto que ele(a) sempre quis lhe machucar?

 

Como o Autoconhecimento influencia suas palavras e sua expressão

Imagino que, agora, tenha ficado muito mais claro o que acontece com as nossas relações. Porque não temos consciência de que estamos presos a um círculo vicioso, continuamos a retroalimentá-lo e a colher os mesmos resultados negativos:

Eu me sinto atacada,

Ataco ao outro,

Que me ataca de volta,

Que sofre o meu revide… E por aí vamos!

A mudança, a porta de saída para este movimento, está no Autoconhecimento. Quando eu me dou conta de que estou vivendo neste círculo, ganho a oportunidade (e, por que não, o poder) de encerrá-lo.

Imagine só se, em vez de retrucar a um gesto que lhe fez se sentir ofendido(a), você fosse capaz de silenciar? Quais resultados poderia obter?

Ou, então, se em vez de devolver a invalidação, pudesse apenas dizer “sinto muito que você esteja tão aborrecido(a)”?

A minha pergunta é: o que é que VOCÊ pode fazer de diferente com as suas palavras e com seus gestos para romper com este círculo vicioso – que só tem lhe causado dor, assim como às pessoas à sua volta?

Lembra? Assim como você, o outro só devolve porque quer se proteger… Então, o que será que aconteceria se você fosse capaz de adotar um gesto novo, uma palavra nova, que não soasse como um ataque?

Experimente. Não há certo, não há errado. Há o melhor para você. E eu tenho certeza que ainda há muitos novos caminhos possíveis para que sua comunicação fique cada dia mais responsável, cada dia mais repleta de empatia, cada dia melhor!


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Temas:

CEO do Centro Hoffman, é expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e de "Perdão, A Revolução que Falta", além de coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach.

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