É preciso disciplina e esforço para transformar padrões comportamentais que nos impedem de sermos melhores

Outro dia falei sobre a conquista da Autoliderança, do que está por trás dela e a importância da Respiração Consciente nesse processo. Outro instrumento importante e fundamental é a Autoconsciência, ou seja, a habilidade de responder uma pergunta essencial: afinal, quem é você?

Para ter consciência de si mesmo, você precisa se olhar com honestidade e firmeza. Para que você possa entender melhor, Autoconsciência é um processo semelhante ao trabalho de planejamento estratégico de uma empresa. Você já participou de algum? Já fez o seu? Para que isso seja possível, o primeiro passo é que você consiga definir seus pontos fortes e fracos, isto é, seus comportamentos positivos e negativos.

Para ilustrar, cito um CEO de uma multinacional que conheci; vou chamá-lo de Jorge. Ele já era reconhecido por sua visão de futuro e por ser um grande estrategista, porém, sabia que sua habilidade social e sua comunicação eram deficitárias. Seus subordinados tinham medo de sua intempestividade e da forma ferina pela qual se comunicava. Ele próprio reconhecia que esse era um dos seus pontos fracos.

Quando você consegue nomear seus pontos fracos sabe, então, quais são as negatividades que impedem o seu maior crescimento e, muito provavelmente, em todas as áreas da vida.

Transformar informação em consciência
É bom dizer que ter a informação não é o bastante. Quando não se consegue transformar o impedimento, ainda não há consciência, apenas informação a respeito de si mesmo. Consciência vai além da nomeação. Consciência é o primeiro passo para a transformação. É ir além da informação. É a aceitação coerente e franca a respeito da sua própria humanidade.

Aceitar nossos pontos negativos nem sempre é fácil. E minha proposta significa não apenas listá-los ou olhar para eles e, sim, saber, com sentido, com sentimento, que hoje eles estão fazendo parte de você, mas não são você. É o passo para começar a trabalhar e mudar.

Para conquistar essa consciência é preciso rever sua história, crenças e os aprendizados infantis que lhe constituíram. Jorge, por exemplo, quando reconheceu sua ferinidade, lembrou-se também que seus pais de infância eram muito competitivos e que seu pai imprimia suas ideias de maneira autoritária e ferina.

O reconhecimento de situações e ambientes que influenciaram seu desenvolvimento é importante, mas é necessário também questionar suas verdades, colocar seus conceitos e pré-conceitos em xeque, lembrando que o que é real não pode ser ameaçado. Se houver, com essa proposta, alguma ansiedade ou receio, essa verdade precisa ser mesmo questionada.

No caso de Jorge, ao ser confrontado por seu comportamento, ele afirmou que se mudasse e fosse mais acessível e gentil, seus colaboradores não o respeitariam. Essa crença infantil, que provavelmente era inconsciente, o impediu inicialmente de escolher outros comportamentos para sua comunicação eficaz.

O que quero dizer, em suma, é que é preciso disciplina e esforço para transformar padrões comportamentais que impedem você de ser melhor. E para obter um patamar profundo de Autoconhecimento é necessário contar com auxílio externo, de profissionais especializados na gestão comportamental, que irão ajudá-lo a olhar e perceber coisas que você mesmo não detecta em si.

Feito todos os questionamentos, colocado o passado em seu lugar, ajustando as expectativas a seu respeito e pronto para viver o aqui e o agora, poderemos afirmar que o instrumento de Autoconsciência foi usado.

Respirar e ter consciência de si mesmo são as mais importantes ferramentas que o indivíduo pode usar para se Autoliderar e gerir. Existem ainda algumas outras ferramentas que vou apresentar a você num próximo momento. Por ora, fica a sugestão: observe-se mais.

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CEO do Centro Hoffman, é expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e de "Perdão, A Revolução que Falta", além de coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach.

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