Desde que lancei “O Mapa da Felicidade“, livro que já vendeu mais de 60 mil cópias só no Brasil, tive ainda mais certeza de que, por mais diferentes que sejam entre si, todas as pessoas do mundo nutrem um desejo em comum: elas querem apenas e “simplesmente” ser mais felizes, mas muitas não têm a menor ideia de por onde começar.

Não que a missão seja difícil. O que dá mais trabalho, na verdade, não é encontrar, conquistar ou manter a felicidade, mas, sim, mudar os paradigmas sobre o que, de fato, significa ser e estar feliz. Acompanhe meu raciocínio e veja como uma coisa que poderia ser tão simples acabou ficando complicada.

Desde quando éramos pequenos até hoje, praticamente todos nós aprendemos que a felicidade depende de fatores externos – ou seja, ela mora do lado de fora. “Quando eu tiver aquele carro…”, “quando eu conseguir aquele emprego…”, “quando eu encontrar o amor da minha vida…”, aí, sim, eu vou ser feliz. Certo? Não é isso que (quase) todo mundo pensa?

Mas então, um belo dia, nós nos damos conta de que temos pouco ou nenhum controle sobre os fatores externos. Sim, o carro vai chegar, o emprego e o amor da sua vida também, mas você não consegue saber quando ou como essas coisas todas vão acontecer. Um pedaço está nas suas mãos e depende de você; outro, não. E a minha pergunta é: até que tudo isso aconteça, até que esses desejos enfim se concretizem, você vai mesmo continuar infeliz ou menos feliz do que poderia?

O que quero chamar sua atenção, aqui, é para o paradoxo que construímos. A conta simplesmente não fecha.

Por  um lado, fomos ensinados e acreditamos, desde pequenos, que a felicidade depende do outro ou de algo externo.
Por outro, aprendemos, muitas vezes a duras penas, que não temos controle de nada do que está do lado de fora, menos ainda do comportamento alheio.
Então, como eu posso construir e assumir as rédes da minha felicidade se, no meu aprendizado infantil, ser feliz depende do que acontece do lado de fora e, portanto, não está nas minhas mãos?

Foi pensando nisso que preparei esse artigo. Aqui, eu quero lhe mostrar como e por que a gente só consegue ser realmente feliz a partir de nós mesmos, do que acontece e se passa dentro dos nossos corações e mentes. E, portanto, só mesmo com Autoconhecimento e Autoconsciência seremos capazes de acessar e construir a verdadeira felicidade –  uma missão que, verdade seja dita, nunca foi tão urgente.

Ser feliz nunca foi tão necessário, importante e urgente!

Um tempo atrás, uma repórter me perguntou: “é verdade que nós, seres humanos, damos mais atenção ao que acontece de ruim no nosso entorno do que nas coisas boas? Por que somos assim?”. Ela não estava enganada. Inclusive, baseava sua matéria numa pesquisa internacional  cuja conclusão era a de que a maior parte de nós se deixa impactar bastante negativamente pelas más notícias, mas ignora a parte boa do noticiário.

Eu comecei a refletir sobre essa questão e concluí que, em meio às dificuldades que estamos vivendo, em meio a esse período marcado por doenças, discussões e polarizações, a felicidade se tornou um objeto de desejo: ser feliz é mais urgente do que nunca!

Como disse no início, não conheço ninguém que não esteja nessa busca, o problema é que, sem se dar conta, muitos estão seguindo na contramão. Por quê? Porque a felicidade é  sustentada pela positividade.

Novamente, não me refiro à ideia pré-concebida de felicidade, ou seja, às crenças que trazemos da infância e que criam uma ideia pouco factível sobre o que é ser feliz. Falo da felicidade real, sincera, que acontece nos pequenos momentos que proporcionamos a nós mesmos diariamente, que escolhemos vivenciar e compartilhar com aqueles a quem amamos. Essas, infelizmente, são as que somem facilmente diante dos nossos olhos e corações se não formos capazes de valorizá-las. Então, qualquer pessoa que busca ser mais feliz precisa saber que…

#01 – Felicidade é uma construção

Não uma emoção que ”cai do céu” em nossas vidas. No entanto, a maioria das pessoas não se tornou o modelo de adulto feliz que sonhava ser quando criança. Porque (ainda) não temos a casa, o carro, o emprego, o casamento, os filhos, ou qualquer outra que seja, sem perceber, repetimos a nós mesmos que fracassamos. A sensação de impotência é tanta que chegamos a menosprezar as nossas demais conquistas – só porque ainda nos falta um item que, segundo a nossa crença infantil, era pré-requisito de felicidade.

Pior que isso: quando vemos alguém feliz, a frustração só aumenta. Sentimos como se nós, e apenas nós, não tivéssemos dado conta de sermos felizes, o que não passa de ilusão. A crença de que o do outro é melhor que a gente, que a relação do outro casal é mais harmoniosa, que seus irmãos têm uma carreira melhor, enfim, de que a grama do vizinho é mais verde que a nossa –tudo isso tem a ver com falta de Autoconhecimento. Quando não nos olhamos, não nos reconhecemos com profundidade, tendemos a nos referenciar com base no outro, no que nos é externo. E, referenciados pelo o que nos é externo, acreditamos que o que o outro tem e faz é melhor; mas e quanto a nós mesmos? Onde  ficamos nessa história?

#02 – Para ser feliz, primeiro, descubra o que é felicidade para você (independentemente do outro)

No começo, eu lhe perguntei se você já parou para pensar no verdadeiro significado da felicidade. Ou seja, em sua opinião, o que é ser feliz? Então, deixe-me lhe ajudar com algumas opções. Voce acha que ser feliz é:

  • Ter a quantidade de dinheiro que se quer para gastar com a liberdade que se tem?
  • Ter alguém apaixonado por você e disponível de acordo com seus horários e vontades?
  • Comer tudo que se tem vontade e não engordar?
  • Ser reconhecido pelos que lhe cercam e aceitam, em todos os aspectos?
  • Ser perdoado incondicionalmente por todos a quem você já magoou?
  • Ter uma família equilibrada e bem-sucedida?
  • Casar (ou ficar solteiro)?
  • Ter (ou não) filhos?
  • Ter controle completo sobre os acontecimentos?

Se você respondeu sim à maior parte dessas perguntas, preciso lhe contar que nada disso é sinônimo de felicidade ou de positividade, mas, sim, de ilusão.

A felicidade nesses termos não existe. Pelo menos, não na vida real. E, talvez, todos esses conceitos pré-embutidos estejam lhe fazendo viver exatamente o oposto, ou seja, dias de infelicidade.

#03 – Felicidade requer positividade

Positividade e felicidade não são a mesma coisa, mas uma leva à outra. Quando você é positivo, consegue encontrar felicidade mesmo em meio às piores dificuldades. E sabe por quê? Porque ser positivo é assumir a responsabilidade pelo seu comportamento. 

Quebrou? Conserte. Sujou? Limpe. Bagunçou? Organize. Abriu? Feche. Errou? Peça perdão. Perdoe-se e comprometa-se com um novo jeito de agir.

Ser positivo também é estar pronto para recomeçar depois do choro e do momento de autopiedade.

É levar em consideração o tempo necessário para que seus desejos sejam realizados, tendo em mente que o pedido e as ações que levam a ele são por nossa conta, porém, o tempo para que ele seja atendido fica por conta do Universo.

Ser positivo é respeitar o seu corpo e lhe oferecer o que é útil, saudável e gostoso. É saber que nosso jeito de ser talvez agrade a uns e desagrade a outros e… Tudo bem! É nosso jeito de ser.

Ser positivo é dar aos seus amigos e familiares aquilo que lhe sobra de amor e cuidado, pois você cuidou e amou primeiro a si mesmo, e o que sobra é totalmente gratuito. É saber que, enquanto as realizações não vêm, é preciso cuidar de si e melhorar a cada dia. Assim, quando os sonhos se concretizarem, você estará pronto e inteiro para aproveitar e desfrutar daquilo que é seu por direito.

Ser positivo é desprender-se do passado e libertar as pessoas de nossos desejos e controles. É estar e se sentir livre, aberto, disponível e pronto para receber o que é seu. Lembrando que o que é seu é seu por direito divino.

A sua postura permitirá que receba sempre aquilo que já é seu. Basta não esperar de braços cruzados. Basta lembrar que a felicidade não é conquistada num passe de mágica.

Bem, é preciso dizer que ser positivo dá mais trabalho do que ser infeliz. Afinal, para ser infeliz é só seguir o fluxo, enquanto para ser positivo é preciso mudar o “caminho da roda”. E tudo isso é uma questão de escolha. E, então, o que você escolhe?

#04 – Sim, para ser feliz, é preciso escolher entre agir ou reagir

Apegar-se ao negativo e ao triste é um padrão inconsciente e passível de mudança. É possível e preciso romper com esse hábito comportamental. As dificuldades e as notícias ruins podem existir, mas o que chamo atenção aqui é para a importância de observarmos como estamos lidando com essas notícias. Temos duas escolhas: apenas reagir, seguindo o fluxo, ou então ‘agir’ para dar um passo diferente. Reação é um impulso, algo que fazemos sem nem mesmo parar para pensar. Agir é com consciência e escolha.

Esse caminho pode, justamente, começar por não se contaminar pelo negativo e pode ser a grande oportunidade para fazer diferente, explorar outras possibilidades dentro do que lhe é possível. Seja numa dificuldade pessoal ou mais ampla, lembre-se que a Autoconsciência mostra sempre que você tem poder de escolha. E ao optar por uma ação positiva você também tem o poder de influenciar outros que estão em seu entorno.

Ser positivo é receber o que a vida lhe traz, quando ela lhe traz. Apareceu um amor? Ame, mas ame do fundo do seu coração (se ficar com o pé atrás e com medo de ser traído ou abandonado, não haverá entrega). Se houver uma perda, chore e chore muito, porque perder é doloroso e triste. O choro é a melhor expressão desse sentimento, além de ser justo.

#05 – E, para ser feliz, você precisa de amor-próprio

Você tem amor por si? Responda com sinceridade. Quando cada um descobre essa capacidade e se apropria dela de modo integrado, promove um relacionamento muito melhor consigo mesmo. Dessa forma, instala-se, em você, a vontade de fazer o melhor por si mesmo (muitas ciências sociais teorizam que é da natureza humana agir em benefício de si, sem que isso signifique prejudicar o outro).

No amor condicional, vivemos à espera de que os outros nos amem, nos respeitem, nos considerem. Para isso, inclusive, usamos de alguns artifícios: compramos presentes, somos bonzinhos, cuidamos com mimos, fazemos de tudo para ganhar reconhecimento e cobrimos as pessoas de agrados. Por vezes, podemos também nos tornar muito exigentes e cobradores por ser esta uma forma de como aprendemos, inconscientemente, a representação de amor na infância (afinal, fomos ‘exigidos e cobrados’ por nossos pais ou cuidadores, que tanto nos amaram).

Amar-se significa fazer tudo isso primeiro para si mesmo. Você se trata como a um amigo a quem admira?

O que quero mostrar é que tudo o que você quer se realiza, em primeiro lugar, dentro e a partir de você.

Você quer o amor dos outros? Ele vem quando você começa a se amar.

Quer reconhecimento? Reconheça-se. Quer respeito? Respeite-se. Quer felicidade? Seja feliz no agora.

O amor-próprio é, portanto, um amor incondicional. Nele, eu me amo com todo o meu bem e com todo o meu mal. Com todos os meus erros e as minhas dificuldades, em todas as vezes que piso na bola e faço algo de que não me orgulho. Com todos os meus acertos e as minhas qualidades. Com aceitação verdadeira. Não me amo apenas se eu fizer o bem ou conseguir bons resultados.

Ao longo dos anos, aprendi a metáfora perfeita para nosso poder criador: somos uma usina geradora de energia. O que estou colocando dentro de mim alimentará meus resultados. O que eu gerar é o que vou atrair. Assim, se tenho amor por mim, atrairei amor.

O que você está colocando dentro de si para ser a usina geradora de sua positividade e sua felicidade?


Agora que você já sabe de tudo o que precisa para sua jornada de felicidade, eu vou lhe entregar quatro dicas práticas que vão lhe dar apoio na sua trajetória! Vamos lá?

[Dica 01] Respire com consciência

De tudo aquilo que você sabe fazer hoje, há algo que ninguém nunca precisou lhe ensinar. Desde que saiu da barriga da sua mãe, você aprendeu a respirar, afinal, trata-se da ação mais espontânea e necessária à sua sobrevivência. Por isso, a maior parte das pessoas apenas… respira. Enche e esvazia os pulmões sem se dar conta de que esse ato inconsciente é o combustível que mantém a mente e o corpo a pleno vapor.

Na contramão disso, a consciência sobre nossos gestos, ações e emoções é a verdadeira chave para a felicidade. Quando sabemos e reconhecemos aquilo que somos; quando enxergamos, de verdade, a maneira como  lidamos com tudo isso e com o universo ao nosso redor; bem, aí, sim, temos a grande oportunidade de aprimorar a nós mesmos. Veja, toda essa compreensão não se dá do dia para a noite. Ela merece ser praticada o tempo todo para que, de fato, tenhamos a chance de identificar em que e como podemos nos tornar melhores para nós mesmos e, depois, para o mundo que nos cerca.

É por isso que respirar com consciência faz toda a diferença. Esse, para mim, é um dos passos mais essenciais em direção à felicidade. Faça uma pausa no seu dia,e direcione sua mente e seu corpo para o seu processo respiratório. Desprenda-se do seu entorno e mantenha o foco apenas na forma como o ar entra e sai. Repita esse exercício, pelo menos, dez vezes ao dia. Assim, você começará o seu treinamento para conhecer, de fato, quem e como você é.

[Dica 02] Saiba pedir ajuda

É verdade que sua felicidade não está no outro e nem atrelada a algo. Ela nasce e se manifesta dentro de você, para você e com você. Da mesma forma, não se trata de algo a ser alcançado ao final de uma trajetória, mas, sim, de uma emoção a ser experimentada e saboreada diariamente. Em outras palavras, esse “prêmio” não se encontra ao final da jornada, mas, sim, em cada um dos passos que você dá ao longo da sua trajetória. E tudo isso depende, mesmo, apenas de você e do seu desenvolvimento humano.

Ainda assim, é necessário que compreenda uma parte importante sobre sua individualidade. Você, assim como eu e como todas as pessoas ao seu redor, é um ser gregário. Isso significa que está inserido constantemente em diversos tipos de relacionamentos, seja com sua família, com seus colegas de trabalho, namorado(a), entre tantas outras possibilidade.

O seu jeito de ser, a forma como se expressa e a maneira como se relaciona podem lhe ajudar ou atrapalhar na jornada em direção à felicidade. Por isso, é tão importante afastar comportamentos de autossuficiência ou independência exacerbada. De fato, o clichê existe e é real: ninguém (sobre)vive sozinho. Sendo assim, se você acredita que pedir ajuda é sinônimo de fraqueza, muito provavelmente experimentará sensações de solidão e abandono.

Lembre-se, então, que as pessoas ao seu redor estão aí para ajudar, não para atrapalhar. Elas fazem parte do seu caminho. Mesmo aquelas por quem você tem desafeto, por exemplo, servem de referência para que redescubra a si mesmo e identifique, aí dentro, qual é sua melhor parte e qual é a pior. Mais que isso: para que saiba quais mudanças pode fazer para estabelecer relações mais positivas com seu próprio universo.

[Dica 03] Perdoe e peça perdão

Essa, para mim, é a parte mais importante de todo o processo e busca a que nos propomos. Inconscientemente, julgamos a nós mesmos e a todos aqueles que nos cercam o tempo todo. E, por vezes, esse julgamento acaba em pesadas ‘condenações’. Carregamos e/ou atribuímos a alguém a culpa por tudo o que não deu certo e, a depender das consequências dessas experiências, somos drásticos nas punições. Ignoramos o fato de que, sem perdão, não é possível mudar.

O que deu errado já deu errado. Ficou no passado. O que você aprendeu com isso? Como pode evitar que esse erro se repita? E, principalmente: a quem você culpou por isso? E como você pode desculpar a esse alguém ou a si mesmo?

O perdão é a porta da inteligência espiritual e do desenvolvimento humano. Falo bastante sobre ela no meu livro, já que se trata de uma aptidão muito importante do ser humano. Essa é a única das quatro inteligências que já nasce pronta, ou seja, não precisa ser desenvolvida, mas, sim, ouvida, entendida e praticada. A partir dela, podemos equilibrar o nosso emocional e intelectual para ampliar a compreensão que temos sobre nós mesmos e, assim, seguir em frente com positividade.

Por isso mesmo, perdoar é uma questão de inteligência. É o caminho para que possa, primeiramente, compreender e assumir a sua própria responsabilidade sobre as ações e acontecimentos que não saíram como o esperado. E, em seguida, dar vazão à raiva que nutriu por cada um desses acontecimentos para, então, se libertar, de uma vez por todas, do passado.

[Dica 04] Tire a responsabilidade do outro e assuma-a para si

Observe, então, que o perdão é SEU, assim como a mágoa, a raiva e a frustação. Eu sei que o perdão não é um gesto que se dá espontaneamente, mas, sim, um exercício contínuo e, por vezes, difícil. Mas, eu lhe garanto que, se não perdoar a si mesmo(a), escolherá continuar carregando esses sentimentos tão corrosivos. Por outro lado, se praticar o perdão, deixará esse peso para trás e se permitirá mudar de trajetória com novas possibilidades de acerto.

A felicidade é o presente. Ela existe aqui, agora, nesse exato momento. E, mais uma vez, só depende de você colocar em prática a consciência e a positividade para encontrá-la nos detalhes diários que, juntos, o levarão a percorrer uma jornada repleta de prazer e bem-estar.

Espero que tenha gostado do meu artigo!

Até breve,

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CEO do Centro Hoffman, é expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e de "Perdão, A Revolução que Falta", além de coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach.

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