Agosto é o mês nacional do perdão e eu, autora do livro “Perdão – A Revolução que Falta”, não poderia deixar de aproveitar esta ocasião para abordar e aprofundar o tema, que é um dos mais cruciais na minha vida pessoal e profissional. Então, nos próximos dias, você vai conferir aqui no blog uma série de conteúdos inéditos que preparei especialmente para este momento. Espero que goste!

Para começar, quero lhe contar que, desde que lancei este livro, há pouco mais de um ano, continuo impressionada com a repercussão provocada pelo assunto. Primeiramente, porque, claro, é maravilhoso conhecer a história de tantas pessoas que revolucionaram as próprias vidas a partir do perdão!

Mas o que mais me chama a atenção, confesso, não é o resultado positivo alcançado por quem descobriu a importância de perdoar os acontecimentos negativos; eu sei, por experiência própria, que o perdão é o caminho para o bem-estar e para a felicidade, então, para mim, parece natural e necessário fazer essa escolha (e, sim, antes que você pergunte: perdoar é sempre uma escolha possível, mesmo quando essa opção não parece viável).

O que me impressiona de verdade é a dor, a tristeza, a raiva e a mágoa relatadas por aqueles que não conseguiram perdoar de jeito nenhum. Essas pessoas frequentemente me escrevem para compartilhar as suas dores. Algumas, inclusive, sabem exatamente o dia, a hora e o local em que foram “vítimas” de uma falha horrorosa e imperdoável cometida justo por alguém a quem elas amam e/ou admiram:

  • “O meu marido me traiu” (ou “a minha esposa me traiu”);
  • “Os meus pais nunca me apoiam, só me criticam”;
  • “Os meus filhos são ingratos”;
  • “O meu chefe não reconhece o meu esforço”.

Esses são apenas alguns exemplos, mas a lista é longa. Em meio a seus relatos, essas pessoas também costumam me perguntar:

Mas como é que eu posso perdoar alguém que me fez mal?
Como perdoar alguém que me traiu?
Como perdoar alguém que não parece se importar comigo?
Como perdoar alguém que não muda?
Ou, pior: como perdoar alguém que não vai mudar e que não quer mudar?

Se você também tem essa dúvida, eu preciso te dizer agora: o perdão não tem nada a ver com o outro. Ou seja, não importa o que vai acontecer com esta pessoa que lhe machucou, magoou, traiu, irritou ou provocou. O que importa é o que VOCÊ vai fazer com este machucado, mágoa, traição, irritação e provocação.

 

Como pedir perdão

Nesses mais de 30 anos em que trabalho com desenvolvimento humano, fiz uma constatação fantástica… Está pronto(a) para ouvir? Então, lá vai: acontecimentos… Acontecem!

Eu sei, parece óbvio, mas é incrível! O que eu quero dizer é:

a) Queiramos ou não, as coisas acontecem e vão continuar acontecendo;
b) Nós temos pouco ou nenhum controle das coisas que acontecem e continuam acontecendo;
c) Quando muito, temos a habilidade de gerenciar as nossas próprias emoções e comportamentos diante do que acontece e continuará acontecendo.

Dito isso, uma coisa precisa ficar clara: se quase nada está sob nosso controle, que dirá o comportamento das pessoas, não é mesmo?

Mas, por enquanto, chega de falar dos outros… Como disse antes, o perdão começa em você, então, vamos falar sobre você. Quero fazer uma pergunta e preciso que responda honestamente: você já magoou alguém, pediu desculpas, prometeu que nunca mais faria aquilo, mas, eventualmente, cometeu o mesmíssimo erro?

Se sua resposta é não, eu insisto que pense de novo. E de novo. E de novo, até encontrar uma história pessoal, um momento em que você não foi a vítima, mas, sim, o algoz de um acontecimento.

Sim, porque nunca conheci uma pessoa que tenha sido só vítima de todas as situações. Mesmo aquelas que gostam deste papel (e são muitas!) eventualmente se viram na posição contrária. Absolutamente todo mundo no mundo já cometeu uma “ruindade”, querendo ou não, intencionalmente ou não. Eu mesma tenho uma porção de histórias e situações em que, por uma ou outra razão, acabei magoando pessoas queridas repetidas vezes.

Ao pedir que você rememore um acontecimento deste tipo, minha intenção não é fazer com que se sinta mal. O que eu quero é chamar a sua atenção para o seguinte: neste episódio em que você foi o algoz, o que o motivou a agir assim?

Você estava com raiva e, por isso, magoou a outra pessoa deliberadamente?
Você estava dando o troco?
Ou você simplesmente magoou sem perceber?
Ou, ainda, agiu assim porque perdeu o controle da situação e quando se deu conta…?

Por muitas e muitas vezes, eu prometi, às pessoas ao meu redor, que nunca mais agiria daquela forma que as magoou. Mas, sem querer, acabei incorrendo na mesma falha.

Honestamente, eu não queria repetir o erro.
Honestamente, eu estava atenta, comprometida e me esforçando para isso.
Mas, honestamente, eu perdi o controle e, por isso, magoei novamente.

E eu tenho certeza que algo muito semelhante já aconteceu com você. Sabe por quê? Porque todos nós, seres humanos, trazemos, da infância, comportamentos compulsivos e automáticos. E nós recorremos a esses comportamentos sempre que nos vemos em “maus lençóis”, ou seja, sempre que passamos por um momento difícil que nos cause emoções negativas – raiva, medo, insegurança, rejeição, tristeza…

A questão é: se acontece com a gente, por que é que não aconteceria com os outros?
Por que é que só nós teríamos o direito de errar tentando acertar?
Por que é que só nós fizemos sem querer e o outro, com certeza, fez de propósito?
E por que a gente merece perdão, mas o outro não?

 

O que significa perdoar?

Como eu disse agora há pouco, o perdão independe das pessoas. A felicidade também, mas falamos sobre isso outro dia (se quiser se adiantar, eu gravei este vídeo em que falo sobre a relação entre uma coisa e outra).

O que eu quero mesmo que você perceba hoje é que ninguém – nem você, nem eu, nem seu marido, nem seu chefe – acorda pela manhã com o objetivo: “hoje, eu vou estragar o dia de fulano”. Então, se alguém estragou seu dia, pode apostar: muito provavelmente, essa pessoa não fez de propósito.

A grande inteligência está em COMO você vai lidar com isso. No meu livro, eu cito como exemplo aquelas pessoas que, porque levaram uma fechada no trânsito logo cedo ou porque receberam uma resposta seca do(a) parceiro(a), passam o dia todo no maior mau humor. E pergunto: de quem é a responsabilidade por isso?

Digo, ok, algo ruim aconteceu no seu primeiro horário. E esse acontecimento não foi causado por você, mas, sim, por outra pessoa. Ainda assim, quem é que permitiu que tal episódio contaminasse as demais 16h ou 17h restantes naquele dia? Quem deixou que a raiva tomasse conta e ficasse à frente das demais emoções possíveis? Aliás, quais eram as outras emoções possíveis que deixaram de ser sentidas só porque a raiva estava em primeiro lugar?

Veja como é uma questão de escolha! Você pode escolher. Diante de uma negatividade, respire. Aceite o mal que lhe aconteceu. Depois, cuide-se, ame-se, faça algo que lhe faça bem. Aí, então, perdoe e libere este acontecimento. Infelizmente, foi assim, mas ainda há uma vida inteira pela frente, uma vida contida nessas horas que antecedem o fim do dia.

Exercite o perdão todos os dias da sua vida

Em resumo, o que eu quero te mostrar hoje é que, assim como nós, as pessoas ao nosso redor também são compulsivas e automáticas. Elas, assim como nós, são donas da verdade e estão dispostas a brigar para defender a própria verdade. E, por fim, assim como nós, quando ficam com medo, elas também usam o PIOR delas para se defender.

Isso significa que todos nós somos iguais e estamos, apenas, tentando fazer o nosso melhor.

Quando você decide não perdoar ao outro, a decisão que está tomando, na verdade, é a de punir a si mesmo(a). Quem vai sofrer as consequências, quem vai experimentar um dia ruim, quem vai lidar com o mau humor ou com a raiva, bem, infelizmente… Será você. E, talvez, só você (afinal, não dá para saber como o outro se sentiu a respeito).

Por outro lado, quando decide perdoar ao outro, o outro não importa; o que importa é seu coração e sua mente, que ficarão aliviados ao perceber que não precisam mais reviver uma dor que já passou.

Vamos fazer diferente agora?

Na próxima semana, nós vamos conversar sobre vingança e autovingança. Espero por você!

Com amor e luz,

Temas:

CEO do Centro Hoffman, é expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e de "Perdão, A Revolução que Falta", além de coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach.

15 respostas para “Como perdoar alguém que não muda (e que não vai mudar)?”

  1. Wilson Figueiredo disse:

    Boa tarde

    Obrigado por compartilhar, estava precisando de um texto assim.

  2. Alexandre disse:

    Mais um texto excelente! Obrigado por compartilhar seu conhecimento e experiências.

  3. Alessandra Castro disse:

    Como sempre seu texto é uma delicia de ler!

  4. Edneia sueli renato disse:

    Adorei o que li pois esta sendo muito util ,pois fui muito. Abusada emocionalmente no passado.

  5. Mary Jesus disse:

    Texto maravilhoso!
    Gratidão, querida Heloisa!

  6. Mariana disse:

    Gratidāo pelo artigo!
    Lembrar que todos nós cometemos erros ao buscar fazer o nosso melhor ajuda muito a decidir perdoar!

  7. Renata disse:

    Tenho uma dificuldade enorme em perdoar e esquecer….

  8. Cristiane Bicudo disse:

    Meu pai, alcoólatra, nos fez sofrer muito, a mim, minha mãe e irmã. Foram anos de sofrimento até a situação ficar crítica e termos q sair de casa. Saímos e nem assim ele nos deu paz. Tentou matar minha irmã, tivemos que chamar a polícia, invadiu nossa casa pulando o muro e nos ameaçando. Até q ele encontrou uma pessoa e nos Deus paz. Foram 17 anos com medo qdo o via na rua. Até q passei por uma cirurgia de emergência e ele apareceu no hospital. Voltamos a nos falar, não era a mesma coisa, mas voltamos a nos falar. Nunca tocamos no assunto e aos poucos fui perdendo o medo, me preocupando com ele, ligava pra falar, cuidava qdo a esposa me ligava dizendo q ele estava mal e socorria ao hospital. Minha irmã voltou a falar com ele tb. Até q o alcoolismo chegou a um ponto crítico e depois de muita pressão da esposa e da minha irmã, ele aceitou se internar numa clínica. Eu ia todos os dias, levava o q ele precisava, roupas, medicamentos, conversava, e com 24 dias ele quis sair. Pediu pra clínica me ligar e me pediu para ir tirá-lo, pq alguém precisava assinar a saída dele. Tentei convencê-lo a ficar pro bem dele e ele me ameaçou. A esposa dele tem um filho autista e ele disse que se na ausência dele de casa, algo acontecesse ao menino ou a esposa, minha vida aqui fora ia ficar bem difícil e ele sabia como fazer isso. Aquilo me doeu profundamente, pq tudo q ele nos fez de ruim no passado, estava bêbado. E naquele momento, ele estava sóbrio há quase 30 dias e sem nenhum problema ligado a abstinência. Estava limpo. Mesmo ele nunca tendo tocado no assunto, dito q se arrependeu do q fez no passado ou pedido perdão, eu achei q ele tivesse se arrependido. Mas no momento em q ele me ameaçou eu percebi que não. Q foi uma ilusão criada pela minha vontade de q ele mudasse. A esposa assinou a saída dele e no dia seguinte estava bebendo. A esposa me contou depois da minha terceira ligação em q não conseguia falar com ele e ela me confessou. Eu contei da ameaça e ela ficou incrédula. Depois disso tentei me afastar, mas todas as vezes q ele passava mal, ela me ligava e eu ia socorrer. Comprava remédios. Ele resolveu voltar ao tratamento sem se internar, apenas a reuniões em uma casa de apoio. Mas sempre voltava a beber. Voltei a passar mal toda vez q me aproximava dele. Ficava trêmula, zonza e tensa como acontecia no passado. Me afastei novamente e falava apenas por telefone e o menos possível. Até q a esposa dele saiu de casa pq ele estava agressivo com o filho dela, o autista. Ele se afundou ainda mais na bebida. Abandonou o tratamento e ficou caindo pelas ruas e novamente eu ia ao hospital buscá-lo pra levar pra casa até q ele ficou debilitado e ficou uma semana internado e eu fiquei no hospital com ele. Tive um problema de inflamação no tornozelo e calcanhar por ter ficado muitas horas em pé no hospital. Saúde pública é difícil. Quando teve alta, por incrível q pareça, o único problema dele era queda de potássio no sangue. Só precisava se alimentar e parar de beber. Prometeu retomar o tratamento, prometeu q não ia mais beber. Conversei com meus irmãos e deixamos pago 15 dias de quentinhas para que ele pudesse se reestabelecer. Eu disse que se ele voltasse a beber, não contaria mais comigo. Nesse meio tempo minha irmã veio a cidade, moro no interior e ela no Rio de Janeiro, fez uma visita a ele e disse sobre meu inchaço nas pernas e pés e ele fez piada. Disse que eu nem bebia e estava com os pés inchados. Nunca me ligou pra perguntar se eu estava melhor, mas me ligou quando a mulher das quentinhas informou a ele que o período pago tinha acabado, pra saber se eu iria manter e eu disse q não. Q foi apenas no período de reestabelecimento. Não me ligou mais. Tenho contato com um vizinho dele q é meu amigo para saber notícias dele e a situação é degradante, mas não consigo mais. Eu voltei atrás varias vezes, mas não consigo mais. Eu achei q tinha perdoado por ter conseguido me reaproximar, por conseguir conversar com ele sem lembrar de tudo q tinha acontecido, mas depois da ameaça, tudo voltou e confesso q não sei dizer se eu tinha perdoado e me arrependi por perceber q ele não mudou ou se perdoei o passado mas o presente não.
    Só sei q é difícil. Busco respostas q não sei se terei um dia, mas busco paz pro meu coração acima de tudo. Rezo por ele todas das noites mas não quero contato mais pq não me faz bem.

    • centrohoffman disse:

      Querida Cristiane, sentimos muito por sua dor e desejamos que ela tenha fim! Vamos entrar em contato pelo e-mail. Com amor e luz, equipe Centro Hoffman

  9. Ana disse:

    Boa noite,
    Sofri abuso de um tio na sua infância, não lembro qd começou, mas lembro que consegui dar um basta nisso por volta dos 9 anos. Depois de adulta descobri que não apenas eu, mas todos os meus irmãos sofreram abuso sexual e hj vejo as consequências disso em nossas vidas. Vivi toda a minha vida próxima a esse homem, por um tempo foi como se houvesse esquecido, mas depois da maturidade tudo veio a tona e ter que conviver tem sido muito difícil. Sei que o mesmo não se arrepende e pra piorar, com a idade o mesmo vem apresentando um transtorno bipolar grave e como mora em um prédio familiar, isso afeta a todos. Não consigo liberar esse perdão, ainda mais pq temos atritos constantes, tendo em vista que qd ele está na fase da mania atormenta a todos e especialmente nesses tempos de corona vírus, tem sido um tormento. Sai o dia inteiro, não usa máscara, consome álcool, se porta como um pedinte e frequenta locais insalubres como feiras e botecos, além de conviver com moradores de rua. Isso tem tirado a paz de toda a família. Sou uma das poucas pessoas frente a quem ele recua e por conta disso, a família me solicita sempre, a fim de tentar minimizar o problema. Ter que dirigir a palavra àquele homem, me é muito sofrido e me irrita profundamente o fato de ter que manter qualquer dialogo com o mesmo. Moro com minha mãe, irmã dele, que tb é idosa e me vejo às voltas tentando proteje-la dessa doença. Como perdoar alguém em um momento que me desperta tanta raiva e até mesmo ódio. Como liberar esse perdão e me libertar desse sentimento que me consome.

  10. Gabriel disse:

    Olá! Eu me chamo Gabriel , minha história é o seguinte, eu sou gay, e eu virei a página de uma vida de mentira ,para viver a realidade autêntica com um homem e esse homem se tornou meu parceiro, nós três primeiros meses vi o um conto de fadas, onde tudo era romântico e as possibilidades eram infinitas, depois dessa fase passamos pela fase de diferenciado na convivência, eu sempre fui flexível, cuidador, disponível, e o importante era que o meu parceiro estivesse bem, isso era o que importava para mim! Os anos foram passado e a realidade que ora mim era perfeita foi se ofuscando e eu não não era mais o príncipe, eu era o cara que falava errado, o que não tinha educação em falar, pois eu falava “alto” meus defeitos começaram a serem expostos, e isso começou a me magoar, e uma coisa que eu pude perceber é que eu nunca deixei de amar ele em momento algum! … Resumidamente eu viajei a trabalho para ajuda lo no objetivo dele, onde ele estava estudando para passar no concurso, daí eu o ajudei financeiramente, em apóio, em tudo o que eu podia, eu fiz, e ele passou, e quando ele passou ele comemorou com os amantes dele, e ele me mandou uma música, de Henrique e Juliano, Eu esquecir de você” eu larguei o meu trabalho e voltei ligeiramente a cidade q tínhamos uma casa, e foi aí que tudo desabou, as coisas vieram átonas, e ele não teve nenhum respeito por mim, me humilhou, zombou de mim, esfregou o cargo dele na minha cara , e disse q eu era um lixo, um nada, e que minha família era mediucre, e eu agora dependia dele para comer, e a primeira férias dele, ele foi viajar com outro homem. Desculpa eu não consigo mais escrever mais, é muito triste o que passei!

  11. Gostei do assunto de sua divulgação, gostaria de ver se é pertinente para meu site.

    Saudações.
    Att.

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