Em alusão ao “Dia do Filho”, comemorado no último dia 23 de setembro, e ao “Dia das Crianças”, a ser celebrado no próximo dia 12 de outubro, decidi lançar alguns conteúdos sobre o assunto. O que me trouxe a essa proposta é o fato de que recebo muitas dúvidas sobre o tema em todos os meus canais (Facebook, YouTube, Instagram e LinkedIn).

A verdade é que a relação entre pais e filhos costuma mesmo ser repleta de dificuldades, conflitos e medos; mesmo munidos das melhores intenções, muitos pais e mães “escorregam” nesses papéis. Ainda que seja impossível estabelecer uma cartilha com regras fixas e 100% acertadas sobre como educar nossas crianças, há, sim, algumas práticas que podem ser consideradas quase infalíveis: mais cedo ou mais tarde, elas trarão um resultado positivo.

Isso se aplica à saúde mental, por exemplo. Inquestionavelmente, é papel dos pais e cuidadores oferecer condições para que os filhos tenham as ferramentas de que precisam para manter suas próprias mentes saudáveis.

Antes de prosseguir, acho bom explicar: quando falo de boa saúde mental, estou me referindo ao aspecto comportamental, ou seja, ao desenvolvimento físico, intelectual e emocional, não ao aspecto patológico (as patologias que levam às doenças mentais precisam ser tratadas por especialistas, evidentemente). Nesse contexto, a boa saúde mental tem ligação direta com o que a criança presencia, aprende e vivencia na infância.

Uma criança capaz de se comunicar, de demonstrar afeto e de aprender novas tarefas num espaço de tempo adequado, por exemplo, dá sinais de que está vivendo de maneira saudável. O contrário nem sempre indica ausência de saúde mental, porque a desobediência, a ‘má educação’ e mesmo a dificuldade de aprendizado podem ser relacionados ao desejo inconsciente da criança de ser vista e, assim, sentir-se amada.

Aprendizado infantil x comportamento adulto

Aquilo que aprendemos na infância e que permanece inconsciente acaba sempre por impactar nosso comportamento adulto. Uma criança que tenha vivenciado um ambiente violento, por exemplo, presenciando contínuas brigas entre seus pais ou mesmo assistido a agressões físicas e verbais tem tudo para se tornar um adulto igualmente violento ou, ainda, seguir pelo caminho oposto e adotar uma postura completamente passiva. Ambos os comportamentos resultam daquilo que aprendeu ali, na infância, e que ficou registrado em seu inconsciente como formas de expressar e validar o amor.

O que quero dizer com isso é que, portanto, os pais têm não só o papel de cuidar e de tomar decisões voltadas à educação de seus filhos, como, também, a responsabilidade (direta e indireta) de gerar e atribuir significado aos mais diversos comportamentos. Ou seja, se as crianças aprendem por cópia e repetição, aquilo que fazem seus pais – a maneira como lidam com a raiva, com o amor, com a frustração e, enfim, com as próprias emoções e pensamentos – terá grande influência na maneira como vão lidar com as mesmas emoções e pensamentos quando forem adultas.

Usemos o estresse de exemplo. Ao programar uma rotina exaustiva, ao exagerar nas cobranças ou mesmo ao superproteger, os pais incutem, em seus filhos, crenças que podem ser perigosas no futuro. Como, por exemplo, a ideia de que nem todo o esforço do mundo bastará para que se sintam verdadeiramente amados e capazes.

Sabe por quê? Porque muitos pais buscam providenciar condições para que os filhos tenham tudo do bom e do melhor, para que assim tenham chance de se tornarem os melhores, os campeões, os líderes, enfim. Exagerar nessa medida pode fazer com que eles acreditem que devem almejar a perfeição – porque acreditam que, somente quando forem os campeões, é que terão o amor e o reconhecimento de seus pais. Aí é que está o perigo: essa busca SEMPRE trará frustração, já que a perfeição, tanto para pais como para filhos, é inalcançável.

 

A saída é o autoconhecimento

Na vida adulta, o autoconhecimento é caminho para não apenas restaurar, mas principalmente estabelecer a saúde mental. A reflexão profunda e honesta sobre a própria trajetória, desde o momento da concepção até os dias de hoje, é um passo essencial para quem deseja se rever e se transformar.

Trata-se de um exercício a ser feito constantemente que nos permite compreender quem somos hoje e como e por que chegamos aqui dessa forma. O perdão – aos nossos pais e aos nossos erros – é a ferramenta que dará condições para que possamos deixar para trás comportamentos negativos e adotar novos comportamentos, mais saudáveis.

Mas, como expliquei antes, a melhor maneira de oferecer aos filhos as ferramentas de que precisam para alcançar a saúde mental é, portanto, obtendo a saúde mental em primeira mão. Veja que, quando estamos num avião, a orientação é sempre a mesma: caso as máscaras de oxigênio caiam, devemos colocá-las primeiramente em nós mesmos e, só então, ajudar aos que estão ao nosso redor – inclusive as crianças. Gosto de usar essa metáfora para dizer que só podemos ajudar/socorrer/fazer algo pelo próximo se, antes, fizermos o mesmo por nós.

Com isso, quero dizer que, para beneficiar a saúde mental dos filhos, é preciso que os pais cuidem, primeiramente, de sua própria saúde mental. A consciência sobre os próprios sentimentos e atitudes faz com que tenham melhor percepção sobre o que estão demonstrando e transmitindo à criança e os estimula a serem melhores consigo mesmos; além disso, estimula que busquem e cultivem o amor-próprio.

Essa experiência gera mais qualidade ao amor e à relação. Quando você, enquanto pai ou mãe, consegue fazer por si – ou seja, quando consegue aceitar os próprios erros, quando alcança resiliência para enfrentar as dificuldades, quando comemora as próprias vitórias –, seus filhos aprendem. Eles encontram as condições ideais para assimilar maneiras de lidar com todos esses aspectos de forma mais positiva, afinal, assistiram ao seu exemplo!

Por isso, minha recomendação é sempre essa: se você quer que seu filho desenvolva determinada habilidade ou competência, comece por você. Seja o modelo e fuja do “faça como eu digo, mas não como eu faço”. E, então, volte os olhos para si.

Como é que você lida com a pressão e com as cobranças?
Como é que você tem buscado a perfeição – e, consequentemente, lidado com a frustração?
Como tem cuidado do seu corpo, da sua alimentação, da sua própria educação?
Como lida com o trabalho e com as atividades profissionais?

Todas essas respostas são de extrema importância, afinal, revelam também os aprendizados que seus filhos estão obtendo ao lhe acompanhar pela vida.

Eu lancei o ebook gratuito “Como dizer Não falando Sim – Cinco dicas práticas para você obter resultados mais positivos com seus filhos”, que pode lhe ajudar bastante na relação com seus filhos.

Voltamos a nos falar em breve!

Com amor e luz,

 

 

Temas:

CEO do Centro Hoffman, é expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e de "Perdão, A Revolução que Falta", além de coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach.

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