A ideia de que amor e insegurança andam juntos é mais comum do que podemos imaginar, porém, isso não significa que devemos aceitar como algo normal, em especial, quando isso nos prejudica, prejudica nossa relação e a pessoa que amamos.

Outro dia escrevi sobre os comportamentos que sabotam nossa Relação a Dois e hoje gostaria de trazer uma reflexão sobre a “Insegurança” que, para muitas pessoas, pode ser lida também como: “ciúme”, “dificuldade em se entregar”, “não saber se o outro me ama”.

A ideia de que amor e insegurança andam juntos é mais comum do que podemos imaginar, porém, isso não significa que devemos aceitar como algo normal, em especial, quando isso nos prejudica, prejudica nossa relação e a pessoa que amamos.

E quanta complexidade construímos envolta deste tema. Certa vez, recebi um relato em que a pessoa me contava sobre seu sofrimento. Desde cedo, suas relações tinham sido marcadas por ciúme e desconfiança, em muitas delas o relacionamento acabava porque o outro não suportava mais tantas suposições e perguntas. Casou-se e, desde então, sente medo de se ver na mesma situação com o parceiro, por isso, vive “trancafiada dentro de si mesma”. Em outras palavras, quando a insegurança bate, afasta-se e evita qualquer diálogo. “Se eu disser como me sinto, vão me achar louca”, conta. Por fim, ele é quem acaba inseguro com o distanciamento.

Você já ouviu alguma situação parecida? O que está por detrás do que esta pessoa busca, assim como muitas outras, é a garantia de amor. Estabilidade baseada na convicção de que o outro ficará, permanecerá e estará para sempre. Em suma, o que ela quer é ter a certeza de que seu marido vai amá-la e jamais abandoná-la.

Veja, então, que a insegurança nesse caso nasce do medo: o medo de perder. E a grande ironia é que, muitas vezes, o medo de perder nos faz justamente adotar comportamentos que nos levam… A perder! Não me refiro necessariamente a perder o outro, mas com frequência a “abandonar” a nós mesmos.

Desde pequenos, nós aprendemos a olhar para fora, enxergar o outro. Aprendemos como o outro pode nos amar e nos adaptamos a isso. Nosso treino é conhecer o outro. Mas será que fazemos o mesmo com relação a nós? Digo: com que frequência temos nos enxergado e valorizado? Será que sabemos com tanta clareza quem somos, como somos, como chegamos? Reconhecemos nossas qualidades e falhas?

Essa é a grande conquista obtida pelo Autoconhecimento. Quando temos consciência profunda, sincera e honesta de nós mesmos, conquistamos a capacidade de nos amar acima de tudo. E é esse amor, o amor-próprio, que nos leva à estabilidade e ao estado de tranquilidade, confiança, paz e segurança. Não mais a segurança voltada ao outro ou a estabilidade que depende do que o outro nos dá.

O amor que todos nós buscamos já existe dentro de nós. Encontrá-lo e alimentá-lo é o que nos permite assumir a responsabilidade por nós mesmos e deixar de despejar nossos anseios ou medos no outro – como se fossem eles os únicos responsáveis por aquilo que sentimos.

Pense nisso e reflita sobre o que está faltando “de você para você”.

Continuarei a escrever sobre Relacionamento a Dois, vou trazer outras reflexões e também dicas mais práticas para que você possa aplicar em sua vida.

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CEO do Centro Hoffman, é expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e de "Perdão, A Revolução que Falta", além de coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach.

11 respostas para “É preciso separar a insegurança do amor”

  1. ANA PAULA FERREIRA MARQUES disse:

    Olá Heloísa, bom dia!
    Conheci o site há pouco tempo e estou adorando as reflexões! São enriquecedoras e direcionadoras.
    Sobre esta postagem, acredito também que a insegurança é um sentimento de falta de controle interno. Primeiro, devemos nos “encontrar” e validar nossos conceitos para que assim, possamos nos “entregar” aos outros.

    Te adicionei no Linkedin.

    Abraços,

    • centrohoffman disse:

      Olá Ana Paula! Obrigada por este seu compartilhar, sim é isso, e este ‘controle interno’, este ‘encontro’ que temos conosco tem base no nosso amor-próprio. Boa semana, com muita luz!

  2. Vera Lúcia dinardi disse:

    Obrigado heloisa …Eu já sigo vc a algum tempo …Já assisti uma palestra sua convidada pela Regina Célia de Mesquita e adquiri o mapa da felicidade. ..assisto vc no YouTube todos os dias ..Eu procura melhora no meu relacionamento e sei que já mudei bastante …Mas ainda há muito a aprender …Meu comportamento as vezes é desastroso ,, porque ñ me sinto amada .

    • centrohoffman disse:

      Oi Vera, obrigada pelo seu retorno, carinho e que bom podermos estar juntas. Falamos um pouco por e-mail também. Que bom que suas mudanças estão acontecendo… Lembre-se que o amor vem de dentro, se você não se sente amada, é importante fazer um trabalho de resgate do seu amor-próprio. Continue no caminho, acolha-se, abrace-se, procure fazer diferente, com respeito a si mesma e ao outro… Espero continuar colaborando. Amor e luz!

  3. Alini disse:

    Adorei…muito interessante!

  4. Ana Paula disse:

    Gostei muito da sua publicação! Me faz refletir mto sobre o momento atual que vivo. Preciso muito trabalhar a minha auto confiança. Acreditar mais em mim e não ter medo.

    • centrohoffman disse:

      Ana Paula querida, gratidão, que bom que pode fazer esta reflexão, estarei torcendo por você, trabalhe e treine sim sua autoconfiança. Sim, é um treino e quanto mais nos fortalecemos nisso mais natural e intrínseco fica. Você o conhece o Processo Hoffman, é o trabalho mais transformador que eu mesma vivi sobre autoconfiança. O medo faz parte de nós, não deixaremos de tê-lo, porém, fortalecidas, sabemos como lidar com ele. Te desejo paz, amor e energia positiva. Bjs, Heloísa

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