As novas lideranças nascem naqueles que já se aprofundaram no autoconhecimento e tornaram-se capazes de mudar o mundo e enfrentar os desafios com novas possibilidades

Desde o fim de 2008, vivemos uma das maiores crises econômicas da História e, até agora, procuramos alternativas para sair dela. No entanto, o que encontramos até o momento foram soluções paliativas de sobrevivência: planos de socorro para atender emergências financeiras e sociais, que atendem apenas a algumas pessoas, estão sendo sugeridos e implantados em todo o mundo. Porém, o momento exige mais que medidas assistenciais. E apenas os verdadeiros líderes do século 21 poderão indicar um novo jeito de lidar com a crise para que se possa resolvê-la.

Nada de Messias ou Salvador. Estamos falando de uma liderança múltipla, espalhada pelo mundo, que poderá surgir dos lugares menos prováveis. Não se trata de uma ilusão infantil ou esperança tola, mas, sim, de uma realidade possível e próxima que trará um líder pronto e disposto a mudar paradigmas.

Vale lembrar que, no passado, enxergávamos a liderança como uma habilidade nata. Isso é, nascia pronta e, por isso, a pessoa que detivesse esse dom seria líder onde quer que estivesse. Hoje, já sabemos que esse talento pode ser despertado e ensinado, além de amadurecido em quem já o tem desde a infância. Para isso, por mais incrível que pareça, o indivíduo precisa de treino. E esse treino deve ser baseado em foco e disciplina, habilidades essenciais para fazer nascer a verdadeira transformação.

De dentro para fora
Até hoje, o foco das pessoas tem estado voltado para fora, para os outros, para o mercado ou, em outras palavras, para a economia, instituições, governos e governantes. Isso gerou inúmeros problemas, como a destruição do nosso planeta, a guerra (em todos os níveis), a diferença social e, acima de tudo, a insatisfação pessoal.

Para mudar esse panorama, é preciso transformar o jeito de ver e de fazer. Desta maneira, a grande virada acontecerá, mas apenas para as pessoas que tiverem coragem de olhar para elas mesmas. A receita para isso é antiga, mas ainda possui poucos adeptos.

Isso acontece porque o ato de olhar-se exige, além de coragem, amor por si mesmo. Amar-se, para a maioria, ainda é repetir o velho paradigma de não querer mudar por medo. Dentro desse paradigma, as chances do autoconhecimento ficam restritas, pois a tendência é evitar saber de si mesmo, fugir da possibilidade de reconhecer sua própria fragilidade, inconstância, insegurança, já que, daí, pode nascer um medo de se sentir excluído e punido, bem como de punir-se.

A nova ideia é olhar-se por inteiro, com honestidade e abertura, para reconhecer o mais belo, forte e poderoso atributo que temos: nossa humanidade, ainda que isso cause medo e estranhamento em um primeiro momento. Somos humanos e escondemos essa característica sempre que valorizamos, sem perceber, o mundo externo em detrimento de nós mesmos.

Humanidade acima de tudo
A saída ou alternativa mais eficaz para esse tempo de crise é despertar o líder humano que existe em você, isso é, o líder capacitado a reconhecer suas qualidades e suas fraquezas, seu potencial e suas deficiências. Para isso, é fundamental passar a vida a limpo desde o seu nascimento até o momento atual e descobrir, com clareza, como você se tornou a pessoa que se tornou. A partir daí, entra-se em um processo de transformação emocional.

O novo líder será aquele que voluntariamente se apropriar de todo o seu bem e de todo o seu mal, isso é, de sua humanidade. Ser humano significa dualidade e incompletude. Amar-se por inteiro é o que vai dar ao líder a qualidade que o momento exige. Hoje, já é possível saber quem somos, de onde viemos e que escolhas podemos fazer nesse mundo. No entanto, esse conhecimento não virá do professor, do mercado, da mídia ou do outro, mas, sim, de você mesmo.

Em outras palavras, as novas lideranças surgirão naqueles que já se aprofundaram no autoconhecimento, naqueles que foram preparados, descobertos e escolhidos por eles mesmos, tornando-se capazes de mudar o mundo e enfrentar a crise com novas possibilidades. Experimentar a autoconsciência será o caminho para transformar o executivo, empresário, doutor, presidente e líder em geral em um ser humano preparado para indicar um novo jeito de caminhar.

Lembre-se: o líder do século 21 sabe onde está e aonde quer chegar, pois é líder de si mesmo. Ele abandona as máscaras e assume, com propriedade, o seu lugar no mundo, sem convocar, impor, ameaçar, implorar, mas, simplesmente, caminhar. E quem o segue, o faz com prazer e satisfação. Esse não é um projeto milagroso e já está acontecendo. Talvez, se mais pessoas soubessem, o processo seria acelerado e, quem sabe, ainda será possível sair da crise com dignidade e crescimento.

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CEO do Centro Hoffman, é expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e de "Perdão, A Revolução que Falta", além de coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach.

Uma resposta para “Em tempos de crise, surge o líder do século 21”

  1. maria do carmo disse:

    Penso q se o lider pode ser treinado ,então pq ainda n treinaram um?

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