Olá! Como vai você?

Torço para que esteja muito bem!

No artigo de hoje, quero conversar sobre suas emoções. O que acha dessa ideia? Aliás, melhor que isso, o que eu realmente quero saber é se você está satisfeito(a) com a maneira como lida com seus sentimentos, ou seja, se você está satisfeito com seu nível de Inteligência Emocional.

Eu sei que parece difícil responder a essa pergunta, então, por favor, respire profundamente, volte a atenção para si mesmo(a) por um instante, e tente ser o mais sincero(a) possível ao refletir sobre as questões que vou lhe propor a seguir. Lembre-se: não há certo, nem errado.

Quando você se sente triste, o que é que você faz com sua tristeza? Você costuma compartilhar com suas pessoas queridas que está se sentindo assim ou prefere guardar para si? Como você “funciona” quando está triste – consegue trabalhar, comer, dormir…? Algo fica diferente na sua rotina?

Agora, vamos falar sobre a raiva: o que é que costuma lhe deixar raivoso(a)? E quando você se sente dessa maneira, quais são seus comportamentos mais impulsivos? Você grita, xinga, devolve na mesma moeda? Faz o possível e o impossível para não demonstrar? E, mais uma vez, o que acontece com o seu dia depois que sentiu toda essa raiva?

Eu poderia lhe perguntar sobre cada uma das emoções, mas vou deixar que tome esse desafio para si e o realize por conta própria. Sim, porque tenho certeza que, só de pensar sobre sua tristeza e sua raiva, você já deve ter identificado situações em que falhou ao lidar com esses dois sentimentos tão comuns a todo e qualquer ser humano.

E, como disse, está tudo bem! Neste artigo, a minha proposta é lhe mostrar maneiras de lidar melhor com suas emoções. E o primeiro passo para a Inteligência Emocional é, justamente, a autoconsciência: você só pode melhorar algo a seu próprio respeito se, antes, se apropriar dessa característica por inteiro:

“sim, é assim que costumo me comportar quando me sinto de determinada maneira, e esse comportamento me traz essas consequências positivas, e essas consequências negativas”.

Essa reflexão, por si só, promove Autoconhecimento, ou seja, você passa a se perceber por completo e, aos poucos (não do dia para a noite!), consegue se apropriar de todo o seu bem e todo o seu mal, de tudo o que lhe compõe. A partir daí, terá condições reais de dizer: “este jeito não está bom; de que outro jeito posso agir para obter resultados diferentes?”.

 

“O que eu penso não é o que eu sinto. O que eu sinto não é o que eu quero. O que eu quero não é o que eu faço. E o que eu faço não me satisfaz”.

Você já é um ser absolutamente inteligente!

Antes de prosseguir, quero lhe falar um pouco sobre as múltiplas inteligências humanas. Não sei se você sabe, mas esse assunto desperta a curiosidade e o interesse das pessoas há muito tempo. Há estudos e teorias que remontam, inclusive, ao fim do século XIX e início do século XX.

O que chama a atenção é que, lá atrás, os estudiosos entendiam por “inteligência” tudo aquilo que corresponde à nossa parte intelectual, ao nosso processo cognitivo, e ignoravam por completo todas as nossas outras competências, inclusive a emocional. Aos poucos, durante o século XX, novas pesquisas foram feitas nesse campo até que, em 1995, o autor Daniel Goleman abordaria o tema de maneira revolucionária e consagraria o termo “Inteligência Emocional”.

Porém, muito antes desse reconhecimento, em 1967, Bob Hoffman, um autodidata norte-americano, criou uma metodologia de autoconhecimento a partir da qual estabeleceu as 4 principais partes que compõem o ser humano, suas atitudes e comportamentos, ou seja, suas inteligências: Emocional, Intelectual, Física e Espiritual (que não tem nenhuma conotação religiosa, apenas corresponde à nossa sabedoria interior ou intuição).

Baseado nessa concepção, Bob criou o Processo Hoffman da Quadrinidade, um treinamento de autoconhecimento com resultados reconhecidos cientificamente por estudos realizados na Universidade da Califórnia (Davis), Universidade de Pittsburgh e pela Universidade Harvard (veja aqui um desses estudos).

Mas, veja só que interessante: ao desenvolver a metodologia Hoffman, Bob não estava preocupado em saber se uma pessoa era mais ou menos inteligente em determinada área. Seu objetivo era outro: ele acreditava que todos nós, seres humanos, temos de enfrentar e superar barreiras internas se quisermos desenvolver nossos potenciais inatos. Mas, em sua concepção, grande parte desses obstáculos só são acessíveis a partir da emoção, não da razão.

O que Bob já sabia lá atrás (e que, depois, seria continuadamente ratificado pela ciência) é que, via de regra, usamos muito mais nossa Inteligência Intelectual do que a Emocional. Somos eficazes em buscar conhecimento, em fazer análises, em encontrar discernimentos e em usar toda nossa capacidade crítica e lógica, mas, infelizmente, temos um déficit emocional. Afinal, fomos treinados desde pequenos a ocultar ou reprimir nossos sentimentos, então há um desequilíbrio:

“O que eu penso não é o que eu sinto. O que eu sinto não é o que eu quero. O que eu quero não é o que eu faço. E o que eu faço não me satisfaz”.

Será que você já se sentiu assim?

Há pessoas, inclusive, que têm dificuldade de nomear o que “sentem” tamanha a falta de atenção que dão à parte emocional, e isso é cultural. Ainda crianças, ouvimos, de nossos pais e familiares, que devíamos “engolir o choro”, que “menino não chora”, que “criança não pode sentir raiva”, entre tantas outras expressões. E, naturalmente, nós fizemos o que pudemos para obedecer: se não posso chorar ou sentir raiva, mas estou com vontade de chorar e estou com raiva, o que tenho de fazer é… Reprimir tudo isso, não é verdade?

 

O que a inteligência emocional tem a ver com a sua infância

O que a metodologia Hoffman defende é que todos nós trazemos, da infância, uma série de comportamentos e crenças aprendidos com nossos pais e familiares (biológicos ou substitutos). Esses aprendizados se deram por cópia e repetição; ou seja, necessariamente, eles não nos disseram nada como “reprima seus sentimentos” ou “você está proibido de sentir”. Então, se assim aprendemos foi, necessariamente, porque os assistimos agirem dessa forma e decidimos imitá-los.

Na prática, isso significa que, enquanto sociedade, estamos sistematicamente ignorando, reprimindo e maltratando nossas emoções, já que esse modo de agir tem se perpetuado dentro do núcleo familiar, de pais para filhos. E a consequência disso, também como já mostra a ciência, é a onda crescente de doenças emocionais – ansiedade, depressão, pânico, entre outras. Isso sem falar do efeito catastrófico que a falta de inteligência emocional pode causar à nossa saúde física (já se sabe que as emoções negativas estão associadas ao surgimento de alguns tipos de câncer).

Isso, por si só, já é um excelente motivo para investir na sua inteligência emocional – o que, mesmo sem perceber, você já está fazendo desde que iniciou essa leitura. Portanto, de volta às perguntas que lhe fiz no início, deixe-me propor outra breve reflexão:

A maneira como você lida com sua tristeza e com sua raiva – esta que você identificou no início deste artigo – tem alguma relação com seus pais ou familiares?
Há traços em comum na maneira como você se comporta diante dessas emoções e a maneira como eles se comportam?
Ou será que você faz exatamente o oposto do que eles fazem ou faziam (o que também é uma maneira de copiá-los)?

Essa é uma das etapas mais importantes no desenvolvimento da Inteligência Emocional. Para o método Hoffman, porque fomos “obrigados” a reprimir nossas emoções, deixamos essa competência trancafiada, sem nenhuma atenção. Logo, nos tornamos adultos no aspecto intelectual, mas continuamos feito crianças no aspecto emocional.

A maturidade emocional só virá quando formos capazes de identificar o que nos aconteceu. Com quem aprendemos esse comportamento? O que ele revela a nosso respeito? Em que momento agimos assim ou assado? E quais são os resultados que obtemos quando agimos assim?

O caminho de desenvolvimento da Inteligência Emocional, sem dúvida nenhuma, envolve se reconhecer. Por isso, friso tanto que o Autoconhecimento e a Autoconsciência são fundamentais.

Não é possível mudar aquilo que nem sabemos que precisa ser modificado dentro de nós. Alguém de fora pode até nos dizer que precisamos melhorar nisso ou naquilo, que somos autoritários, mandões, invejosos, enfim… Mas, se dentro de mim eu não reconhecer essas características, não terei como mudar de maneira efetiva – eu posso até tentar, mas, eventualmente, a transformação fica insustentável.

Reiterando: o reconhecimento de si é sempre o primeiro passo para a Inteligência Emocional, porque requer um olhar apurado das próprias emoções e dos próprios aprendizados infantis. Quando nós nos sabemos, quando encontramos as raízes de nossas emoções, de nossos comportamentos, de nossas crenças e modo de pensar, aí sim, conseguimos percorrer a trajetória de mudança pessoal de dentro para fora.

Bem, espero ter lhe ajudado!

Volto a lhe escrever em breve.

Amor e luz,

Temas:

Expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman, no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach. É diretora do Centro Hoffman

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