Vivemos em um momento histórico mundial em que a discussão sobre igualdade de gêneros e o empoderamento feminino nunca foram tão latentes. Desde 2010, por exemplo, a Organização das Nações Unidas (ONU) mantém a ONU Mulheres justamente com o objetivo de fortalecer as questões políticas e sociais relativas ao universo feminino.

Cada vez mais em voga também em nosso País, o movimento feminista tem enriquecido o debate e favorecido a igualdade – mas, sem se dar conta, com frequência, vem daí também uma série de argumentos que reforçam a eterna ‘briga dos sexos’.

Evidentemente, nós mulheres merecemos nosso espaço. Isso é indiscutível. A maneira como essa conquista vai se dar e tem se dado é que nossa merece atenção.

Continuo a notar que muitas de nós, e sem perceber, vivemos sobre o prisma de “sermos melhores”, de “provar nosso valor” em relação aos homens. E, para isso, vamos assumindo uma postura que se baseia mais em padrões de comportamentos masculinos.

O que quero dizer é que vamos fazendo, fazendo e fazendo…. E apoiadas na referência masculina porque, afinal, foi com ela que vimos, historicamente, o que é ser: provedor/mantenedor, ser chefe/líder, ser a pessoa ‘forte’ que não chora, entre tantos outros aspectos que foram resignados ao homem por tanto tempo.

O que há por detrás disso é o desejo de dizer que “sim, damos conta do recado”. Tudo isso acaba, em muitas situações, por se tornar um conflito interno e sobre o qual nem temos consciência direito.

É por isso que convido você, mulher, a olhar para si. Dê-se a oportunidade de refletir sobre sua trajetória, sobre como tem agido no mundo e sobre as questões para as quais gostaria de trazer mudança e que estão ligadas a esta referência de papéis dos gêneros.

Veja, ouço de muitas de nós: “Tenho medo de me tornar ‘mulherzinha’”, vinculando o termo a um modo pejorativo para dizer que ficarão frágeis, fracas, submissas. Não é sobre nada disso que falo. Ao contrário, é sobre a riqueza e a beleza da Inteligência Feminina! Ela carrega consigo questões que pertencem, naturalmente, ao gênero feminino – é seu, nasceu com você (independentemente de sua orientação sexual inclusive). Acompanhe que exemplifico mais abaixo.

Conheço empresárias que vivem o dilema acima e, apesar do sucesso na carreira, não estão nada satisfeitas com sua vida pessoal, ou porque não estão bem em suas relações, sem tempo para dedicar-se a um parceiro, ou porque vivem a correria de desempenhar várias funções em casa e no trabalho. Na maioria das vezes, elas se sentem exaustas e incompreendidas e não enxergam condições de criar novos comportamentos com liberdade. Estão literalmente presas a um padrão antigo que precisa ser mudado.

Diante disso, enxergo apenas um caminho: a necessidade de promover uma mudança de paradigmas para que todas nós, primeiramente, aceitemos a nós mesmas e busquemos um novo jeito de ocupar espaços e realizar funções sem perder a feminilidade.

E, como disse, feminilidade nada tem a ver com ‘fragilidade’ ou ‘instabilidade emocional’, como muita gente costuma ainda pensar. Tem a ver com a capacidade de ser amorosa, atenciosa, realizar diversas tarefas simultaneamente, ocupar várias funções ao mesmo tempo. O masculino também possui isso? Sim, mas de outro modo. Neurologicamente somos diferentes do masculino, por isso temos respostas e comportamentos emocionais diferentes, só para citar um exemplo.

E é possível se apropriar de suas capacidades femininas e adquirir ainda mais firmeza e segurança. Tudo isso tem a ver com encontrar a força inata do feminino. Em vez de reprimi-la, usa-la em favor de si mesma e da construção de uma sociedade efetivamente mais igualitária.

No feminino reside a força da criação, do acolhimento, da flexibilidade, da multiplicidade, do equilíbrio, entre tantas outras. Basta que a mulher se aproprie disso para tomar as rédeas da vida sem medo ou culpa.

Então a proposta é reconhecer melhor o que é seu, aceitar e, com esse acesso, trazer mudanças de modo mais leve, mais fluído.

Espero que eu tenha colaborado com sua reflexão e que ela lhe desperte a atenção si mesma, sobre novos caminhos que podem facilitar suas conquistas, paz interior e seu amor-próprio. Afinal, esta é a chave da verdadeira realização.

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Expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman, no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach. É diretora do Centro Hoffman

2 respostas para “Mulher: dentro de você mora um grande poder de transformação”

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