Depois que publiquei meus dois últimos artigos, “Como a sua saúde mental influencia a saúde mental de seus filhos” e “Dia dos filhos: quem são seus pais; quem é você?“, recebi inúmeras mensagens de pais e mães de todo o Brasil.

Alguns agradeciam pelo conteúdo, outros compartilhavam suas dificuldades, alegrias e, também, as dúvidas no lidar com as crianças. Ainda assim, o que realmente me impressionou foi o fato de que, independentemente da proposta principal de suas mensagens, praticamente todos me narravam uma mesma preocupação: será que estou cometendo muitos erros na educação de meus filhos?

Bem, eu adoraria dizer o contrário, mas, infelizmente, a má notícia é que não existe um jeito 100% certo e eficaz de educar. E sabe por quê? Porque, felizmente, somos todos essencialmente diferentes, o que significa que temos exigido, demandado e necessitado de cuidados diferentes desde a infância.

Isso me faz lembrar de dois irmãos gêmeos que, em certa ocasião, participaram da mesma turma do Processo Hoffman. Um deles superdescontraído, extrovertido e comunicativo; o outro, recolhido, tímido, quieto. Eram, mesmo, dois extremos e assim vinham sendo desde pequenos, conforme nos contaram durante o treinamento. Não à toa, tinham questões completamente diferentes para lidar a respeito de suas próprias histórias!

Veja que interessante: a verdade é que parecia difícil acreditar que tinham tido os mesmos pais e mães, e ao mesmo tempo! Um contava ter sido criado por pessoas muinão existe um jeito 100% certo e eficaz de educar. E sabe por quê? Porque, felizmente, somos todos essencialmente diferentes, o que significa que temos exigido, demandado e necessitado de cuidados diferentes desde a infância.to atenciosas e comunicativas, mas bastante duras; para o outro, estava claro que havia sido educado por uma mãe e um pai pouco disponíveis e flexíveis até demais.

No processo de Autoconhecimento, costumo dizer que, muitas vezes, não importa se a nossa recordação do passado é realmente fiel ao que houve. A “verdade verdadeira” sobre o que já passou também já passou. O que temos, hoje, é apenas a maneira como nos lembramos de tudo isso – portanto, é com esse conteúdo que temos de lidar. No caso dos gêmeos, cada um resgatou e passou a limpo as memórias acumuladas de suas próprias trajetórias – ainda que se lembrassem dos mesmos episódios de maneiras muito distintas.

Compartilhei essa história com o intuito de dizer que, em sua maior parte, os erros cometidos pelos pais não são intencionais. Assim como você e como eu, quase todos os pais e mães do universo que erraram, erraram na intenção de acertar. Então, tranquilize seu coração e sua mente: se não hoje e não agora, seus filhos têm tudo para descobrir “esse segredo” por conta própria ao longo da vida.

Dito isso, acho importante, por outro lado, listar alguns dos erros que temos cometido inconscientemente através das gerações, porque tenho certeza de que a consciência sobre nossos comportamentos é o ingrediente necessário para que possamos modificá-los.

Vamos a eles? Veja, a seguir, 7 erros que você pode parar de cometer a partir de agora!

Erro #01: fechar-se ao diálogo

A comunicação é o preceito para o relacionamento e a formação humana. A criança que não é estimulada a exercer a sua expressão pode ter dificuldade em se relacionar, em se comunicar e se posicionar no mundo.

A elaboração da comunicação envolve não só o desenvolvimento cognitivo e intelectual – de elaboração de pensamentos, e de leitura dos contextos e acontecimentos –, mas também o desenvolvimento emocional. Ao estimular o diálogo e a escuta, demonstramos ao outro que ele é importante para nós. Ao fechar essa oportunidade, por sua vez, estamos bloqueando uma via extremamente importante de estabelecimento de vínculo, de pertencimento e de amor.

 

Erro #02: mostrar-se indisponível

Você costuma usar frases como “agora a mamãe está vendo a novela” ou “o papai está assistindo ao futebol, depois a gente conversa”? Pode parecer duro o que vou dizer, mas, infelizmente, ao adotar esse comportamento, o que você está comunicando é que o que seu filho tem a dizer não é importante; em outras palavras, que ‘ela não é importante’.

Como mencionei acima, essa atitude influencia o vínculo de afeto e desenvolvimento. Ter uma família de sucesso envolve ter um ambiente acolhedor, de escuta e diálogo, que estimula confiança e tranquilidade nas relações, onde não exista o medo de não ser amado, não visto ou não reconhecido.

 

Erro #03: demonstrar desacordos entre os pais

“A mamãe não me deixa assistir vídeo no celular, mas meu pai deixa”. Será que seus filhos diriam algo assim a seu respeito? Se sim, preste atenção: quando expostas frequentemente a situações como essa, as crianças ficam com muita dificuldade de compreender a autoridade e, inclusive, podem aprender a manipular os adultos envolvidos. Em geral, ao se ver nesse contexto, a criança aprende a entrar no jogo automático da disputa, que é o jogo que pai e mãe estão fazendo.

 

Erro #04: brigar na frente dos filhos

As brigas acaloradas – aquelas em que se esbraveja, grita ou xinga – são muito prejudiciais para as crianças! Além de passarem a informação de que é ok recorrer à briga em vez da conversa para a solução de conflitos, as crianças se sentem desprotegidas e com medo de perderem os pais quando expostas a esse ambiente de guerra.

 

Erro #05: só proibir ou nunca proibir

Essa é a minha dica mais recorrente e, talvez, mais importante: toda criança precisa de 50% de amor e 50% de frustração. Esses são os ingredientes do bom desenvolvimento. E, ressalto: a cada “não” que disser, inclua três “sim” Por exemplo: “na casa da vovó, você não pode fazer bagunça; mas você pode assistir à televisão, brincar com seus brinquedos e tomar lanchinho”. Ou ainda: “você não pode ficar com seus amigos na rua até tarde; mas você pode jogar videogame ou ficar conectado à internet até determinado horário e, também, pode ir ao cinema comigo”. Tenho, inclusive, um e-book que trata somente desse assunto).

 

Erro #06: recorrer ao lema “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”

Muitos pais têm o hábito de transmitir mensagens duplas aos filhos, do tipo “faça como eu digo, mas não faça como eu faço”, o que cria uma confusão enorme para eles. Por isso, atenção: as crianças aprendem pelo que veem, por cópia e repetição de como os pais agem, e não pelo o que ouvem deles.

Erro #07: cobrá-los sem reconhecer seus limites

Toda cobrança traz, subliminarmente, uma invalidação. A criança supercobrada se sente incapaz de realizar aquilo que lhe é pedido. Lembrando que temos quatro Inteligências que são fundamentais em nossa formação e que têm iguais pesos e importâncias: Emocional, Intelectual, Física (corpo) e Espiritual (sem conotação religiosa). Todas necessitam de igual estímulo.

Todas elas, inclusive a inteligência emocional, são desenvolvidas no dia a dia, a partir das pequenas coisas e vivências. Mas uma dica que posso dar é: “crie intimidade com seu filho”. Como fazer isso? A intimidade vem do olho no olho! E você poder olhar para seu filho e estar disponível para ele.

Por isso, simplesmente esteja com ele: almoce, passeie, jogue, reze… Crie um fluxo de energia positiva e de amor. Quando ele conta novidades da escola, olhe em seus olhos, não escute simplesmente. Diga o quanto ele é importante para você, o quanto o ama. E, lembre-se: a qualidade do seu tempo é muito mais importante que a quantidade.

Espero que tenha gostado! Volto a escrever em breve.

Com amor e luz,

Temas:

CEO do Centro Hoffman, é expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e de "Perdão, A Revolução que Falta", além de coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach.

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