Olá!

Todos os anos, muitas mães e pais passam pelas salas de aula do Processo Hoffman e trazem, na bagagem emocional, as dificuldades, medos e culpas tão comuns à maternidade e à paternidade. A verdade é que, de fato, muita coisa mudou no que concerne às relações entre pais e filhos. O que meus pais sabiam e faziam lá atrás, por exemplo, quando eu era uma criança, certamente não funciona mais e nem se aplica mais à realidade de hoje.

Evidentemente, não estou dizendo, com isso, que eles amavam, a mim e aos meus irmãos, mais ou menos do que eu amo aos meus filhos, ou do que meus filhos amarão meus netos. O que estou afirmando apenas é que muita coisa acontece e muda no tempo que separa duas gerações – como, por exemplo, as inúmeras transformações que se deram desde o momento em que meus pais se tornaram pais pela primeira vez e o momento em que eu me tornei mãe pela primeira vez.

A maneira como repreendemos nossas crianças é um dos muitos reflexos disso: na minha infância, era normal que os pais recorressem à força física para castigas seus filhos; hoje, sobram estudos que apontam o quanto esse hábito pode ser prejudicial no desenvolvimento dos pequenos.

Por outro lado, há certos aspectos sobre a maternidade e a paternidade que só se aprofundam, mas não mudam. A psicologia e a psicanálise, há muito, fazem o possível e o impossível para desbravar e compreender cada nuance do relacionamento entre pais e filhos, pois estão 100% certas de que há uma ligação clara entre quem foram nossos pais e quem nos tornamos.

A metodologia Hoffman também parte desse pressuposto. Criada por Bob Hoffman há mais de cinco décadas, a teoria por detrás do Processo Hoffman é ainda mais incisiva neste sentido, ao defender que todos nós, adultos, somos uma “cópia e repetição” inconscientes de nossos pais.

 

Na melhor das intenções, muitos pais acabam por promover disputa e competição entre seus filhos com o intuito de encorajá-los: “seu irmão já terminou e você ainda não” ou “quando seu irmão tinha sua idade, ele já era capaz de...” são frases muito comuns e muito perigosas.

A metodologia Hoffman e a relação entre irmãos

Antes de prosseguir, acho importante esclarecer a ideia por detrás da metodologia Hoffman: de acordo com Bob, ao observarmos nossos pais e cuidadores da infância, nós absorvemos todos os aprendizados e valores que nortearão a nossa vida.

No entanto, a maior parte desses aprendizados está instalada de maneira inconsciente e, portanto, permanecemos reproduzindo esses comportamentos de forma compulsiva e automática – sem nem mesmo perceber. Assim, obtemos repetidamente os mesmos resultados negativos, que causam insatisfação, angústia, tristeza, ansiedade e depressão, sem nunca reconhecer a origem de tudo isso.

Bob Hoffman defendia que o Autoconhecimento era a saída, a solução para essas dores, e criou o Processo Hoffman, um curso intensivo cuja principal proposta é permitir aos participantes que se tornem conscientes de si mesmos e, assim, possam se libertar das crenças limitantes que impedem seu crescimento.

À frente desta metodologia e deste treinamento no Brasil há mais de 30 anos, eu posso dizer, com convicção, que os pais também exercem uma influência importantíssima na maneira como seus filhos se relacionam entre si.

E, sim, você já deve ter percebido aonde quero chegar com isso: se os filhos aprendem por cópia e repetição com os pais, a maneira como os próprios pais se relacionam com os irmãos tem peso extra nesta conta. Mas já vamos chegar lá.

 

Relação entre irmãos: você faz diferença ou faz a diferença?

Falando especificamente agora da relação entre irmãos, muitos dos pais e mães que atendo compartilham uma mesma preocupação: eles temem que, sem querer, estejam dispensando tratamento diferenciado aos seus filhos. Seu grande medo é que, por qualquer motivo, um tenha mais atenção que o(s) outro(s), um se sinta mais amado que o(s) outro(s), e assim por diante.

Em primeiro lugar, a minha resposta é sempre a mesma: algumas diferenças são necessárias! Afinal, há crianças que demandam mais atenção que outras, que precisam de mais estímulo para aprender determinada tarefa ou para desempenhar determinada atividade. E que bom que seus pais são capazes de perceber para atender essas necessidades; que bom que são capazes de fazer diferente quando o pedido é diferente!

O que quero dizer, com isso, é que as crianças já nascem prontas e só precisam do nosso apoio, instrução e amor para que possam se desenvolver por completo. No entanto, elas têm personalidade própria e sem sombra de dúvidas merecem ter sua individualidade respeitada para que se tornem os melhores adultos possíveis.

Neste sentido, portanto, é absolutamente natural que um filho seja tratado de maneira diferente de outro filho, porque, evidentemente, eles têm personalidades e individualidades próprias.

Dito isso, compartilho, agora, o fato de que essa pode ser uma armadilha perigosa para os pais. Na melhor das intenções, muitos acabam por promover disputa e competição entre seus filhos com o intuito de encorajá-los: “seu irmão já terminou e você ainda não” ou “quando seu irmão tinha sua idade, ele já era capaz de…” são frases muito comuns e muito perigosas.

A competição pelo amor e atenção dos pais acontecerá de maneira natural entre eles, e não precisa e nem deve ser estimulada pelos pais. Comparações como estas, que acabei de descrever, tendem justamente a fazer com que eles se entendam como adversários, não aliados.

Autoconhecimento: você é o espelho de seus filhos

A minha segunda dica para os pais que desejam promover uma boa relação entre seus filhos é, justamente, que voltem os olhos para si mesmos. Como disse, os pequenos aprendem com a gente por cópia e repetição: aquilo que nos veem fazendo servirá de base para que construam seu próprio conjunto de crenças, que moldará seu comportamento adulto.

Então, se você deseja mesmo que seus filhos tenham uma boa relação entre si, sirva de exemplo e de modelo. Mostre, na prática, quais são os valores que considera importantes neste relacionamento. E, se você mesmo(a) tiver irmãos, deixe que seus filhos percebam a importância da sua relação com seus irmãos.

O que quero dizer é que não existe uma receita de bolo, a não ser aquela que você mesmo(a) pode preparar: responda o que é que você entende por irmandade; do que é feita a boa irmandade; e como é que você pode disseminar esses valores para seus filhos. Essas serão suas melhores chances de fazer com que eles se tornem bons irmãos.

Bem, espero que tenha gostado! Se quiser tirar dúvidas, me escreva: [email protected].

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Temas:

CEO do Centro Hoffman, é expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e de "Perdão, A Revolução que Falta", além de coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach.

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