Olá!

Um dos grandes pedidos dos alunos que passam pelo Processo Hoffman é o desejo de se aproximarem mais de seus filhos, de melhorarem essa relação tão fundamental e que serve de pilar de desenvolvimento para as crianças e adolescentes. E, frequentemente, a queixa maior diz respeito ao que me parece já ter se tornado a vilã das famílias do século 21: a tecnologia.

Isso é tão curioso, que decidi começar este artigo falando desse aspecto. Veja só: desde que o mundo é mundo, a geração seguinte sempre melhorou a anterior. Faz parte da natureza humana. Por mais que, do alto de nossa arrogância, nós não acreditemos nisso, a verdade é que estamos sempre indo para frente, nunca para trás.

A vida é tão sábia, mas tão sábia, que nunca mais teremos o dia de ontem; temos apenas o hoje e, com sorte, se tudo correr bem, teremos também o amanhã.

Essa compreensão é de fundamental importância. O tempo passa, queiramos ou não. Os anos voam, independentemente de nossa autorização, e os acontecimentos acontecem sem que tenhamos qualquer controle. O que temos nas mãos, de fato, é decidir se vamos e como vamos aproveitar os dias, os minutos e segundos que temos nesta terra.

Com base nessa consciência, eu vou além, e lhe digo que cabe a nós, pais, acompanharmos a evolução proposta pela geração dos nossos filhos, ainda que não tenhamos vivido essa realidade. Pois é, eu sei bem como é: sou mãe de filhos de 37, 35, 25 e 14 anos! Se há, entre eles, uma diferença de gerações, imagine só em relação a mim!

Na minha época, não havia internet. Televisão era ainda coisa rara pelos lares do Brasil. A tecnologia chegava aos poucos, bem lentamente mesmo. Enquanto isso, na geração da minha filha mais nova, a cada seis meses, surge uma nova geração do aparelho celular, uma nova atualização do jogo de videogame, um novo aplicativo que todo mundo está usando – e, portanto, ela não pode ficar de fora.

O que é que me resta fazer diante disso? Reclamar e dizer que a tecnologia corrompeu meus filhos e sua geração? Ou aceitar que os tempos são outros e usar a sabedoria da vida em favor da educação dos meus filhos?

Bem, não sei você, mas eu fico com a segunda opção!

 

O que é que me resta fazer diante disso? Reclamar e dizer que a tecnologia corrompeu meus filhos e sua geração? Ou aceitar que os tempos são outros e usar a sabedoria da vida em favor da educação dos meus filhos?

Pais & Filhos: o problema não é a tecnologia, somos nós!

Tenho dito, aos meus alunos, incansavelmente: não é a tecnologia que está atrapalhando a educação dos nossos filhos. Somos nós mesmos. Nós também nos deixamos envolver e levar por nossos celulares, tablets, vídeos, e-mails, enfim… Nós é que estamos sentados à mesa, ao lado deles, absortos nos nossos aparelhinhos e dizendo, a eles, que não podem fazer o mesmo porque não são adultos. E, se você me permite dizer, é aí que está o erro.

Oferecer qualidade de tempo a uma relação, costumo dizer, é mais importante do que oferecer só tempo. Então, eu lhe garanto que seus filhos trocariam dias a fio ao seu lado, com você preso(a) ao celular, por 1 hora de sua companhia de verdade. Que eles prefeririam sua presença por inteiro durante um período curto a você pela metade por meses.

Então, a minha proposta é só uma: olhe nos olhos dos seus filhos. Acompanhe-os. Saiba o que estão fazendo, o que estão assistindo no YouTube ou na Netflix, o que estão lendo no Facebook, o que estão acompanhando no Instagram.  E, se puder, fique ao lado deles, faça companhia enquanto eles realizam qualquer uma dessas atividades; discuta o conteúdo, procure compreender quem é seu filho ou filha e porque é que aquele assunto interessa.

Eu gostaria muito de reiterar que, enquanto pai ou mãe, você tem extrema importância e impacto na personalidade dos seus filhos. Que eles estão acompanhando e aprendendo tudo o que você faz e como você faz. Que você é e será a principal referência que eles terão na vida. E que, por algum tempo, tudo o que ele ou ela faz é para chamar sua atenção, para pedir seu cuidado, para conquistar seu amor.

Então, a minha pergunta é: que tipo de humanidade você está construindo em seus filhos? Que tipo de ser humano está ensinando, incentivando e inspirando eles a serem?

Você só vai encontrar uma resposta adequada se puder olhá-los com atenção e curiosidade. Se puder lhe oferecer oportunidades para que experimente. E quando falo de oportunidades, não estou me referindo ao melhor colégio, o melhor curso de inglês, a melhor escola de esportes; estou falando dos passeios no parque, das idas ao teatro, das visitas ao museu, e de tudo mais que você proporciona aos seus filhos independentemente de sua renda.

 

Pais & Filhos: fique atento a quem e como são suas crianças

Hoje, eu estou lhe trazendo uma única proposta: a de que observe seus filhos com empatia e compaixão. Que assuma seu lugar enquanto pai ou mãe, mas sem perder de vista que seu filho ou filha já é alguém pronto, com seus talentos próprios, com suas capacidades, e esperando apenas as chances de poder despertá-los.

Eu estou lhe pedindo que volte sua atenção ao inconsciente familiar, às informações e valores que eles estão aprendendo com você, mesmo que você não diga nada disso em voz alta. O que é que entra na sua casa? Que tipo de filme? Que tipo de comida? Que tipo de relacionamento? Que tipo de trabalho?

Eu estou lhe oferecendo, por fim, o caminho do Autoconhecimento como possibilidade para que possa, de fato, se tornar um pai ou uma mãe melhor. Se você for capaz de olhar para si, de reconhecer seus defeitos e qualidades, de se apropriar das suas virtudes, das suas falhas, e de tudo o que lhe pertence; se tiver condições de se reconhecer com amorosidade e autovalor, não com autocrítica punitiva; se puder transformar o inconsciente familiar em consciente…

Bem, eu lhe garanto que seus filhos aprenderão, com você, valores que vão lhes ajudar pela vida toda. Ofereça, a eles, um olhar curioso, amoroso e repleto de esperança por um futuro melhor. Eu tenho certeza que você vai adorar o resultado!

Espero que você tenha gostado deste conteúdo.

Até a próxima.

Temas:

CEO do Centro Hoffman, é expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e de "Perdão, A Revolução que Falta", além de coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach.

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