Olá!

Muito frequentemente, quando falo sobre os ganhos advindos do amor-próprio e da autoconsciência, recebo a pergunta: “mas, ao agir assim, colocando meus desejos em primeiro lugar, não terei me tornado uma pessoa egoísta?”. E a resposta é não. Priorizar as suas vontades, as suas emoções, o seu bem-estar e até a sua segurança emocional não é necessariamente um gesto de egoísmo. Então, vamos falar um pouquinho mais sobre isso para desfazer a confusão?

Para começar, é importante definir: entende-se, por egoísmo, o hábito ou a atitude de uma pessoa colocar seus interesses, opiniões, desejos e necessidades em primeiro lugar, e em detrimento (ou não) do ambiente e das demais pessoas com que se relaciona. O egoísmo é o inverso do altruísmo, enquanto o egocentrismo nada mais é que o egoísmo colocado em prática. Dada a definição psicanalítica de Ego, ao priorizar seu ego, o egocêntrico eleva a sua razão sobre a razão dos terceiros, ignorando e sobrepujando o ego dos outros.

Então, em essência, as pessoas que são egoístas tendem a ser aquelas que se consideram melhores e mais importantes que os outros; portanto, em suas mentes, suas vontades são também mais importantes. Aqui, um parênteses há de ser feito: muitos egoístas agem dessa forma, mas é só da boca para fora; no fundo, eles são tão inseguros e se sentem tão piores que os outros que a única maneira que encontraram de conviver com as pessoas ao redor é, justamente, a partir do comportamento egoísta.

Por sua vez, no amor-próprio, não existe espaço para nada disso. Quando sei de mim, quando sei como e quem sou, eu tenho absoluta convicção da minha humanidade, das minhas falhas e imperfeições como pessoa. Assim, eu também dou o direito para que todos que estão ao meu redor também sejam falhos. E essa igualdade é o que vai me demover do egoísmo! Vamos falar mais a respeito?

Ninguém acorda dizendo “hoje, eu vou priorizar meus sentimentos e fazer com que minhas pessoas queridas se rendam/submetam às minhas vontades”. O que move o egoísta é uma dor profunda e a qual, muitas vezes, ele nem sequer enxerga. Ele simplesmente precisa se colocar em primeiro lugar, porque, do contrário, ninguém fará nada por ele; ninguém vai respeitá-lo, ninguém vai amá-lo!

O que o egoísmo tem a ver com a sua infância

Durante o Processo Hoffman, o treinamento que aplico há mais de 30 anos no Brasil, os alunos são convidados a uma porção de atividades que, ao final de uma semana, trarão benefícios profundos e intensos – entre eles, o amor-próprio.

Isso porque, de acordo com Bob Hoffman, criador do curso, todos nós experimentamos, na infância, o amor negativo. Por melhores ou piores que tenham sido nossos pais e cuidadores, o fato é que, em algum momento, sentimos que não éramos dignos de receber o seu amor. Daí, crescemos e, inconscientemente, trouxemos essa crença para a vida adulta. Consequentemente, hoje, todos os nossos comportamentos que são compulsivos e automáticos decorrem dessa ideia profundamente instalada de que somos indignos.

O comportamento egoísta, como disse há pouco, tende a ser uma manifestação clara da dor emocional que se experimenta na vida adulta em decorrência do amor negativo da infância. Se, quando criança, nós nos sentimos ignorados, deixados de lado, não-vistos e não respeitados em nossas vontades e desejos, é claro que não vamos deixar que o mesmo aconteça agora que somos donos do nosso próprio nariz.

Mas tudo isso se dá num nível inconsciente, como disse. Ninguém acorda dizendo “hoje, eu vou priorizar meus sentimentos e fazer com que minhas pessoas queridas se rendam/submetam às minhas vontades”. O que move o egoísta é uma dor profunda e a qual, muitas vezes, ele nem sequer enxerga. Ele simplesmente precisa se colocar em primeiro lugar, porque, do contrário, ninguém fará nada por ele; ninguém vai respeitá-lo, ninguém vai amá-lo!

 

Por que o amor-próprio te demove dos comportamentos egoístas

De volta à teoria de Bob Hoffman e ao Processo Hoffman, o que nós mostramos, durante o treinamento, é justamente isso: assim como nós, nossos pais também só fizeram o melhor que podiam. Eles também eram falhos. Também causaram mágoas e dores sem perceber. Também foram egoístas porque, se assim não fizessem, acreditavam, ninguém respeitaria seus desejos e vontades.

Mas isso não aconteceu somente na sua família ou na minha. Todo mundo passou por essa mesma experiência e, portanto, todo mundo é igual. É essa igualdade que nos dá a sensação de pertencimento, que nos faz perceber que somos similares e semelhantes em nossas dores, assim como em nossas vontades.

Essa é a chave para a mudança: quando estabeleço empatia e compaixão para comigo e com as pessoas ao meu redor, eu encontro, enfim, o amor-próprio. Nesse lugar, eu sou capaz de me amar exatamente como sou. Eu sou capaz de perdoar os meus erros e as minhas falhas, afinal, tudo o que fiz, fiz na melhor das intenções. E eu também sou capaz de me reconhecer pelas minhas conquistas e acertos.

 

O amor-próprio lhe tira da vitimização e lhe dá liberdade de escolha

A “mágica” que o amor-próprio desperta é a capacidade desenvolvida e aflorada de compreender que, sim, se não fizermos por nós mesmos, não é papel de mais ninguém fazer. Mas, como não amadurecemos emocionalmente, tendemos a repetir essa frase como se ela fosse negativa, quando, na realidade, trata-se de algo extremamente libertador.

É verdade: na infância, nós precisávamos que nossos pais e cuidadores tomassem as decisões, e fizessem por nós. Agora, adultos, somos nós os responsáveis pelas escolhas! Enfim, podemos fazer o que queremos e como queremos, mas, se não sairmos do sentimento de revolta, empreenderemos nossos gestos num movimento de vingança à vítima que fomos um dia.

O amor-próprio acaba com a nossa vitimização. Sou eu, líder de mim mesma, responsável por mim mesma, capaz de decidir o que é melhor para mim e para minha vida. Consciente de que minhas escolhas terão influência no meu entorno e que, por isso, preciso fazer com que sejam as melhores possíveis.

A minha metáfora preferida para isso é a experiência do avião. Se você já voou, deve se lembrar da instrução: “em caso de emergência, coloque as máscaras de oxigênio e, só então, ajude as pessoas ao seu redor – crianças, idosos, deficientes etc.”. Não há nada de egoísmo nisso, percebe? Afinal, se eu não me ajudar em primeiro lugar, não terei como ajudar a quem está ao meu lado.

A mesma regra vale para a vida. Se eu não me entregar, em primeiro lugar, tudo o que preciso para viver, não terei condições de fazer o mesmo pelo meu entorno.

Portanto, é possível e necessário que você priorize suas vontades e desejos, desde que o faça com empatia e compaixão, e não movido(a) por gesto impulsivo, inconsciente e infantil.

Posicione-se e diga, manifeste aquilo que pensa, sente e crê; mas, lembre-se que o outro tem os mesmos direitos que você. Ele também pode priorizar as próprias vontades e desejos. E quando tudo estiver claro, quando ambas as vontades tiverem sido pronunciadas e postas sobre a mesa, vocês poderão negociar: nem do seu jeito, nem do jeito do outro. No meio do caminho, haverá uma forma de viver e se relacionar que atenda a todos.

Vamos juntos?

Com amor e luz,

 

Temas:

CEO do Centro Hoffman, é expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e de "Perdão, A Revolução que Falta", além de coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *