Olá!

Hoje, quero conversar com você a respeito de um sentimento que todos nós vivemos (e, a ele, sobrevivemos). Você se lembra da última vez em que se sentiu decepcionado(a) com alguma coisa que havia lhe acontecido? E o que foi que aconteceu?

Foi algo no trabalho?

Em casa?

Com seus pais (ou seus filhos)?

No seu relacionamento?

Foi algo que você mesmo(a) fez ou deixou de fazer?

Enfim, com que área da sua vida você esteve (e, talvez, ainda esteja) decepcionado(a)?

Para começar, acho que vale a pena explicar que decepção nada mais é que frustração. O sentimento negativo que surge quando algo não se concretiza, não acontece, não funciona. Ele vem associado à expectativa, à vontade prévia que se construiu em torno desse algo.

Você projeta e idealiza um plano para o futuro – uma viagem perfeita, um dia perfeito, uma promoção no emprego, um presente da família – e aquilo simplesmente não acontece (ou, pelo menos, não da forma como esperava). É esse ‘desalinhamento’ entre expectativa e realidade que faz nascer a decepção.

É claro que também existem pessoas que se decepcionam quando algo certo. Mesmo inconscientemente, elas acreditavam que determinada coisa não funcionaria e, quando funciona, em vez de se sentirem satisfeitas, ficam na negatividade da experiência – mas, veja, mais uma vez, a razão de sua frustração está no fato de que a realidade positiva não correspondeu às suas expectativas negativas.

Seja como for, é preciso observar que a frustração é um sentimento muito familiar a todos porque o conhecemos desde pequenos. Na nossa infância, quando nossos pais nos negavam alguma coisa, ficávamos extremamente frustrados, afinal, o “não” parecia sinônimo de desamor.

Por isso, quando alcançamos a fase adulta, inconscientemente, continuamos com essa referência: a de que frustração e desamor andam juntos. Então, naturalmente, fazemos o possível para nunca mais vivenciar qualquer negativa – afinal, sempre que um ou outro “não” surge, ele traz de volta o sentimento de rejeição.

Dito tudo isso, eu aposto que você deve estar se perguntando: mas será que é possível evitar a decepção ou a frustração?

 

Afinal, é possível evitar a decepção?

Todos nós estamos suscetíveis a nos decepcionar com algum acontecimento e das mais diversas maneiras. Podemos viver grandes expectativas em relação a aspectos externos – o que o outro vai fazer/dizer/sentir, por exemplo –, como em relação a aspectos internos – o que eu vou fazer, dizer/sentir.

Ainda assim, como falei há pouco, em qualquer um desses casos, o que está por detrás, geralmente, é o fato de que não sabemos como agir quando nossas expectativas são frustradas, porque isso mexe com as nossas piores emoções (aliás, algumas das mais infantis).

A verdade é que, quando recebemos um ‘não’, de dentro ou de fora, ficamos sem saber como nos comportar diante disso – porque, lá atrás, na infância, este era o momento em que mais nos sentiamos rejeitados e não amados. Enquanto não tivermos consciência de que é isso que estamos fazendo até hoje, continuaremos presos a esse paradigma e, pior, reféns dos comportamentos que criamos para evitar a rejeição e o desamor.

Por exemplo: as pessoas muito exigentes, controladoras e cobradoras tendem a viver mais frustradas e decepcionadas. Elas adotaram esses comportamentos porque acreditaram que, se tivessem controle de tudo o que lhes acontece, poderiam evitar a frustração; se fossem perfeitas, não haveria mais decepção. Mas, infelizmente, não é possível controlar tudo, assim como não é possível alcançar a perfeição, portanto… Haja decepção!

Estou lhe contando isso para que possa perceber que a decepção tem causa e consequência. Mas, não, felizmente, não é possível evitá-lo. Sim, eu disse felizmente: a frustração, quando bem encarada e assimilada, tende a ser muito proveitosa no nosso caminho de crescimento pessoal.

Mas isso só é possível se investirmos em Autoconhecimento.

 

Por que o Autoconhecimento ajuda a assimilar as decepções

Como especialista em desenvolvimento humano, tenho convicção de que a Autoconsciência é o melhor remédio contra a decepção. Ou seja, você precisa compreender o que lhe gera frustração e por que gera. Questione-se para descobrir, a fundo, o que exatamente você está sentindo.

Por que lhe faz tão mal quando determinada pessoa não lhe reconhece da forma como esperava?
Quando isso acontece, o que você pensa a respeito do outro? E a respeito de si?
O que as suas próprias falhas revelam sobre você para você?
E como imagina que o outro passa a lhe ver quando você erra?

Ao encontrar essas respostas, possivelmente, você vai perceber que ‘o buraco é mais embaixo’. A decepção, como disse, tem muito a ver com o desejo de alcançar a perfeição, de esperar que tudo dê sempre absolutamente certo.

Por isso, o trabalho do Autoconhecimento é tão importante. Quando conseguir compreender sua humanidade, enxergar e se apropriar de quem você realmente é, com suas falhas e acertos, diminuirá as expectativas de alcançar a perfeição, para aceitar e abraçar sua capacidade (e a do outro) de simplesmente fazer sempre o melhor.

 

Dicas para encarar a decepção de frente

 1 – Para evitar decepções, saia da confusão

As pessoas muitas vezes confundem expectativa com planejamento. Elas esperam resultados sempre positivos só porque calcularam, previram, traçaram e executaram um plano “infalível”. No entanto, nem sempre é isso que acontece, especialmente quando dependemos de fatores externos.

Então, digo que planejar é essencial, colocar o plano em prática é indispensável, mas, lidar com a possibilidade de falhar também deve fazer parte do “escopo”. Lidar melhor com a decepção requer olhar para o caminho que se percorreu e ter a convicção de que fez o melhor possível.

 

2 – Contra a decepção, perdão e compaixão

O perdão e a compaixão são sempre as melhores formas de lidar com a decepção. Você precisa compreender que fez o melhor que pôde, independentemente de suas expectativas não terem sido alcançadas, e perdoar a si mesmo(a) por eventuais erros que tenha cometido.

O mesmo vale para o outro. Da mesma forma que você fez o seu melhor, o outro também – ainda que o melhor que você esperava fosse muito diferente. Oferecer seu perdão é uma questão de inteligência, uma forma de sair de um círculo vicioso e dar fim a uma série de emoções negativas, como conto no meu livro “Perdão, a Revolução que Falta”.

 

3 – A decepção pode ser sua inimiga, ou seu aprendizado

Ninguém gosta de ficar decepcionado, mas a decepção pode servir como aprendizado. Se você for capaz de olhar para si com honestidade, sem exagerar na autocobrança, para reconhecer o seu melhor e seu pior, terá a certeza de que fez tudo o que estava ao seu alcance. Se não deu certo, o que pode fazer de diferente a partir de agora? Como recomeçar?

Reitero a importância do Autoconhecimento, do amor-próprio e do perdão aqui. Sem essas ferramentas, qualquer pessoa pode tender à autopunição e ficar enclausurada dentro de si, repetindo as sentenças: “eu não sou boa/bom o suficiente”; “eu não mereço”; “eu não consigo”. A vitimização pós-decepção só atrapalha. Quando algo não dá certo, é preciso compreender que há outros caminhos a seguir, novas tentativas a se fazer, e ficar apegado ao passado só impedirá de seguir em frente.

 

4 – Para lidar melhor com a decepção, mude seu foco

No meu livro, “O Mapa da Felicidade”, relato que conheci uma infinidade de pessoas que acreditavam que a felicidade era um propósito final, alcançado ao final do caminho, quando, na realidade, trata-se de algo a ser vivenciado diariamente, muitas vezes em pequenas doses.

O mesmo vale para a relação entre foco no resultado e na trajetória. Se o caminho não lhe satisfaz nem um pouco, se nenhum dos seus passos fazem com que se sinta satisfeito, como você espera que o resultado seja compensador?

Um projeto é feito de erros e acertos, de facilidades e dificuldades, de tentativas diárias que podem ou não ser bem-sucedidas. Transformar o erro em motivação, não em decepção, é extremamente funcional para quem deseja viver uma vida mais plena e feliz.

 

5 – Para superar a decepção, saia da vitimização

Muitas pessoas acabam vítimas de suas próprias histórias. Elas criam obstáculos à sua própria felicidade por medo de se verem novamente magoadas, decepcionadas, frustradas. Aqui, novamente, vale o trabalho do perdão. Você precisa perdoar a quem lhe magoou e perdoar a si por ter sido magoada ou magoado.

E, também, precisa assumir a responsabilidade por si. Você está exatamente no lugar em que se coloca e, cada vez que deixa de vivenciar uma oportunidade por medo de se magoar novamente, você revive o passado e toda aquela mágoa. Mesmo que de forma inconsciente, essa é uma escolha. E uma escolha que prejudica muito mais a sua vida, do que a do outro.

Espero ter lhe ajudado!

Até a próxima.

 

Comprar os livros de Heloísa Capelas.

 

Temas:

CEO do Centro Hoffman, é expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e de "Perdão, A Revolução que Falta", além de coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach.

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