Olá!

Desde que lancei “O Mapa da Felicidade”, muitas pessoas me perguntam: existe alguma maneira de viver apenas o “lado bom” da vida e nunca mais experimentar emoções negativas – como raiva, rancor, tristeza, desânimo, entre tantas outras? A resposta, felizmente, é não.

Digo felizmente por que esses sentimentos são essenciais para que possamos crescer, ir além, nos superar e evoluir na nossa trajetória. Mas, claro, para que isso aconteça, é preciso desenvolver maneiras de lidar melhor com tudo o que sentimos de ruim.

E digo isso não apenas sob o ponto de vista comportamental, mas, também, com foco na sua saúde. A medicina já sabe, por exemplo, que as emoções positivas, o bem-estar e a paz interna influenciam em nosso sistema imunológico e ajudam a formar barreiras contra doenças. O contrário já se sabe que é verdade também, ou seja, que as negatividades podem provocar sérios problemas ao organismo.

Em suma, as pesquisas nesta área mostram que os nossos pensamentos e sentimentos nos influenciam, tanto para o bem, como para o mal, e que o nosso corpo responde (em um nível celular) tanto ao otimismo, quanto à negatividade. Para os estudiosos, está claro que os pensamentos negativos recorrentes podem sabotar nossa saúde emocional, física e mental.

Assim sendo, é preciso que prestemos muito mais atenção ao nosso estado de espírito e, em especial, à nossa postura do cotidiano – de forma que possamos “preservar” as emoções negativas apenas pelo tempo necessário.

Então, se é isso que você deseja, aqui vai a minha primeira dica: o melhor jeito de encarar os sentimentos ruins é aceitá-los e vivê-los na hora em que acontecem. Ou seja, fugir, fingir que eles não estão lá, postergá-los ou remoê-los são sempre alternativas menos eficazes, afinal, cada vez que deixa a dor para depois, você escolhe permanecer preso a ela por tempo indeterminado.

O que quero dizer com isso é que sua vida não pode desabar ou ficar paralisada pelo sofrimento de uma dor ou pelo apego a uma emoção negativa que já passou. E isso é uma escolha, uma decisão que somente você pode tomar por si mesmo(a). Como? Veja, a seguir, dicas práticas para encarar de frente e com saúde todas as suas emoções negativas.

 

E essa é a verdadeira questão sobre os sentimentos negativos: eles não podem e sequer devem ser evitados; pelo contrário, merecem ter seu espaço para que nós, os seus "detentores", tenhamos a chance de aprender com eles.

1) Encare a raiva, o rancor, a tristeza e o desânimo com positividade

Ser positivo permite que você lide com o que não foi tão bom com consciência e tranquilidade. Traz a convicção de que nada acontece por acaso e, sendo assim, tudo o que lhe acontece, acontece por um motivo.

Ser positivo é um treino, uma escolha que necessita de exercício constante. Quanto mais se exercita, mais se torna hábito, torna-se mais natural, como uma parte intrínseca a você.

E, claro, sempre bom esclarecer: ser positivo não significa ignorar as questões e acontecimentos que lhe entristecem, mas, sim, escolher qual resposta emocional e comportamental você dará a esses fatores. Você é quem vai decidir se eles vão estragar algumas horas do seu dia ou o seu dia inteiro, sua semana, seu ano, suas relações ou sua vida.

Um exercício que funciona bastante para desenvolver a positividade é se perguntar: PARA QUE essa situação está me acontecendo? O que ela me traz de aprendizado? Isso, por si só, é uma maneira de viver o presente da maneira como ele se dá. Em vez de sofrer pelo o que já passou ou pelo o que está por vir, eu compreendo profundamente que somente o agora está ao meu alcance – e que, portanto, é somente sobre ele que posso agir ou sentir.

 

2) Parar lidar melhor com a raiva, o rancor, a tristeza e o desânimo, desenvolva o Autoconhecimento

Os nossos comportamentos – tanto os padrões positivos, quanto os negativos, inclusive a positividade –, foram aprendidos na infância. O que vimos, ouvimos, presenciamos, tudo isso é computado internamente e permanece incutido na forma de aprendizados inconscientes que levamos para a vida adulta.

Por isso, é tão importante que desenvolvamos o Autoconhecimento para relembrar o que aprendemos sobre os sentimentos negativos: na sua infância, como é que lhe ensinaram a reagir à dor?

Seus pais lhe desautorizaram a chorar e a expressar o que estava sentindo?

Eles chegaram até a lhe castigar para que parasse de demonstrar suas emoções negativas?

Ou, então, só lhe davam atenção quando você chorava, esperneava, gritava e expressava claramente sua dor?

E quanto disso você faz até hoje, sem perceber?

O Autoconhecimento nos permite enxergar a nós mesmos com mais profundidade. Quando treinamos esse olhar para dentro, primeiramente, nos tornamos capazes de perceber quais acontecimentos ou situações costumam alimentar nossa negatividade – e nossa incapacidade de lidar melhor com as emoções negativas.

A Autoconsciência é o primeiro passo para que possamos dar fim aos comportamentos negativos, inclusive à nossa incapacidade de encarar e lidar com as dores da vida.

 

3) Parar lidar melhor com a raiva, o rancor, a tristeza e o desânimo, seja sincero(a) sobre o que está sentindo

Autoconhecimento é uma prática constante, diária, que requer, antes de tudo, o desejo de olhar para si mesmo profundamente. O primeiro passo para lidar melhor com suas emoções negativas, portanto, é a autopercepção. Comece a observar como você age no seu dia a dia, tome consciência de seus comportamentos, mas o faça com intenção: esteja aberto(a) para ouvir, sentir e identificar as respostas.

Como eu disse, é um treino e aprendizado constante. E lembre-se: o foco é sempre você, não o outro. Questione-se e, para não se perder, seja específico. Pergunte a si mesmo(a) o que está sentindo em relação a “algo” ou a “alguém”. Algumas perguntas podem ajudar nesse processo:

Como você expõe seus pensamentos?

Como expressa sua raiva, rancor, tristeza e desânimo?

Quais padrões de comportamento você tem mantido e quais são as consequências desses padrões? Como você pode modificá-los para melhor?

O segundo passo, como disse antes, é investigar a origem dos comportamentos negativos que identificou a seu próprio respeito.

Como surgiram?

Com quem os aprendeu?

Em que momentos os usa?

Se você sabe como e quem você é, e de que forma chegou até aqui, tem a chance de identificar quais são os aspectos que realmente lhe importam e quais só trazem aborrecimento, dor ou tristeza. Nesses questionamentos, você encontrará as respostas que lhe faltam para alcançar um novo rumo.

 

4) Parar lidar melhor com a raiva, o rancor, a tristeza e o desânimo, seja resiliente

As pessoas com alto grau de Autoconhecimento têm a habilidade de reconhecer os próprios acertos e erros. E, consequentemente, de aplaudir a si mesmas pelo o que deu certo, bem como perdoar a si mesmas pelo o que não deu – para seguir em frente com uma nova tentativa de superar obstáculos sem culpa e sem autocrítica excessiva. Isso tem tudo a ver com resiliência, aliás, diria até que essa é a habilidade que fomenta a resiliência.

Nós, seres humanos, insistimos em buscar a perfeição e ignoramos que essa busca é vã. É impossível ser perfeito, seja qual for o sentido que se atribua ao conceito de perfeição. E enquanto não temos consciência e aceitação das nossas imperfeições, sempre que nos vemos expostos a elas, tendemos a nos tornar ainda menos adaptáveis e ainda mais rígidos.

A resiliência vem dessa aceitação das nossas imperfeições, da capacidade de perguntar PARA QUE isso está acontecendo, em vez de ‘POR QUÊ?’. Mudar o foco é preciso e isso, muitas vezes, envolve sair da posição de vítima para assumir a responsabilidade pelos acontecimentos.

 

5) Parar lidar melhor com a raiva, o rancor, a tristeza e o desânimo, pratique o perdão

Como disse anteriormente, a busca pela perfeição é prejudicial porque nos mantém numa espécie de pacto com o desamor. Eu quero ser perfeita, porque quero ser reconhecida e amada por mim e pelos outros; mas, quando eu me deparo com um problema, quando eu acredito que falhei, quando eu acuso a mim mesma por minha imperfeição, eu entro no estado do desamor. Eu me sinto indigna de ser amada, por mim e pelos outros.

Lidar melhor com as emoções negativas, então, tem muito a ver com resiliência, mas vai além disso. Significa saber perdoar a nós mesmos e aos outros pelos eventuais erros que aconteçam; significa ter a compreensão de que todos nós nos deparamos com obstáculos eventualmente, porque somos imperfeitos, e nossa imperfeição existe para nos manter no contínuo fluxo de aprendizado. Nós nunca paramos de aprender. E o que é aprender se não encontrar novas respostas para antigos problemas até que se possa solucioná-los?

A dificuldade em perdoar o que aconteceu, como conto no meu livro “Perdão, a Revolução que Falta”, produz um impacto direto em nós mesmos. Ela nos faz entrar no estado do não-merecimento e desenvolvemos formas e mais formas de nos punir pelo o que quer que tenha dado errado – muitas delas, vale dizer, inconscientes. E o desamor (ou ainda, a falta de amor-próprio) cria obstáculos ainda maiores à nossa frente.

 

6) Parar lidar melhor com a raiva, o rancor, a tristeza e o desânimo, comprometa-se!

Eu costumo dizer que precisamos nos reciclar, ou seja, transformar nossos comportamentos e fazer com que funcionemos de modos diferentes do que estamos habituados. A reciclagem comportamental que proponho é essencialmente criar um jeito novo de agir a partir da ação.

Você vai começar a fazer ginástica todo dia de manhã? Pegue-se pelo colarinho e vá! É uma reciclagem, está colocando outro hábito no lugar de um comportamento que lhe faz mal, como ficar dormindo ou ficar na depressão, por exemplo.

Se é algo que demanda tempo maior, comprometa-se a realizar o primeiro passo e a demarcar todas as próximas ações. Em uma semana! Sem enrolação! Vá em frente! E depois do treino realizado, pare para se abastecer, presenteie-se!

Para encerrar, eu gostaria de lembrar que as emoções ruins necessariamente não excluem as boas. Ou seja, a tristeza, por exemplo, não é um impeditivo da felicidade. Sim, porque, afinal, a felicidade é um estado ligado à sensação interna de bem-estar profundo. E mesmo que você se sinta triste por um determinado momento ou período de tempo, o bem-estar interno consolidado e conquistado vai lhe mostrar que um pedaço seu está triste – não você inteiro(a) – e que está tudo bem se sentir assim.

E essa é a verdadeira questão sobre os sentimentos negativos: eles não podem e sequer devem ser evitados; pelo contrário, merecem ter seu espaço para que nós, os seus “detentores”, tenhamos a chance de aprender com eles.

Com positividade, Autoconhecimento, resiliência, perdão e ação, nós saímos do nosso criticismo e nos conectamos à novas e melhores maneiras de enxergar e lidar com quaisquer obstáculos.

Espero que tenha gostado!

Com amor e luz,

Comprar os livros de Heloísa Capelas.

 

Temas:

CEO do Centro Hoffman, é expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e de "Perdão, A Revolução que Falta", além de coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach.

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