Você já deve ter ouvido falar da Inteligência Emocional, mas será que sabe exatamente o que significa? Bem, para explicar melhor, acho importante contextualizar melhor as nuances das inteligências humanas.

Começo, então, contando que, por muitas e muitas décadas, nossa sociedade valorizou essencialmente a inteligência intelectual. Por isso, por muito tempo, usamos única e exclusivamente esse referencial para “medir” a capacidade de cada indivíduo, sem considerar suas outras habilidades, tal como a inteligência emocional.

A superação de problemas, por exemplo, demanda raciocínio lógico, mas só isso não basta para uma solução eficaz, concorda? Se pudermos compreender e lidar com nossas emoções nesse processo, certamente obteremos resultados melhores.

Essa é a chave da questão: desenvolver a inteligência emocional é um passo importantíssimo e essencial para que a nossa capacidade de lidar com os eventos, positivos ou negativos, seja mais positiva e efetiva.

Afinal, de que adianta escolher a solução mais lógica, optar pelo caminho mais óbvio, se nossas emoções não estão alinhadas com essa escolha?

Se, ao decidirmos com base no nosso intelecto, passamos a sentir medo, tristeza, angústia ou sofrimento?

Quando há esse equilíbrio, ou seja, quando estamos prontos para ouvir o que dizem ambas as inteligências, ganhamos um poder muito maior frente aos desafios. E, ainda que falhemos, seremos capazes de nos reerguer. Os ganhos são imensuráveis, até porque deixamos de enxergar os problemas como mero problemas, e passamos a vê-los como obstáculos necessários ao nosso próprio crescimento e desenvolvimento.

Dito isso, imagino que você deva estar se perguntando: mas todo mundo tem inteligência emocional?

A resposta é sim, mas muita gente não a desenvolve. Para Bob Hoffman – criador do Processo Hoffman, treinamento que ministro há 35 anos –, a maior parte das pessoas parou no tempo no que diz respeito a essa inteligência. Elas aprenderam a lidar com suas próprias emoções até uma determinada idade e, de lá para cá, ficaram estagnadas. Foram estimuladas a desenvolver o intelecto desde cedo e, por isso, na vida adulta, apresentam essa inteligência latente, mas, emocionalmente, respondem de forma infantil e imatura. A boa notícia é que dá para desenvolver a inteligência emocional em qualquer época da vida, sempre.

 

 a inteligência emocional nos permite lidar com as situações de forma mais equilibrada. Quando somos inteligentes emocionalmente, conseguimos encontrar soluções e saídas que condizem com o que estamos sentindo e pensando

Mais inteligência na solução de problemas

Sempre defendo que, quando há inteligência emocional, não há problema sem solução. Eu explico porque adiante, mas, antes, deixe-me falar um pouco sobre as pessoas que não utilizam a competência emocional de forma adequada. Veja se você se identifica ou se conhece alguém “do tipo”.

Há diversas características de quem tem pouca inteligência emocional, como:

  1. a vitimização – ou seja, para mim, é claro que sou sempre a vítima dos acontecimentos; os outros é que são meus algozes;
  2. o egocentrismo – ou seja, eu estou sempre no centro dos acontecimentos e não consigo nem sequer imaginar como o outro pode se sentir a respeito desses mesmos acontecimentos;
  3. a falta de empatia – ou seja, não consigo me colocar no lugar do outro de forma alguma, o que me impede de lidar com os sentimentos alheios de maneira responsável;
  4. a arrogância e prepotência, entre outros.

Importante reiterar que nem sempre as pessoas com pouca inteligência emocional apresentam traços comportamentais tão claramente negativos. Algumas pecam por comportamentos que, aos olhos alheios, podem não parecer tão prejudiciais: são extremamente submissas, anulam-se diante dos conflitos, cedem o tempo inteiro, entre outras coisas. Nesses casos, perceba, o dano fica quase que inteiramente restrito a quem adota esses comportamentos, não às relações.

Seja como for, a mudança nasce do Autoconhecimento. Enxergar a si mesmo, com honestidade e sem julgamentos, é o caminho ideal para desenvolver a própria inteligência emocional. Quem se reconhece, consegue assumir a responsabilidade por si e pelas próprias escolhas. Entende que, seja qual for seu ponto fraco, é possível modificá-lo. Assumindo essa postura a pessoa toma as ‘rédeas’ da própria vida e se torna protagonista e não um mero refém das circunstâncias.

E sabe por que vale a pena investir nesse processo? Porque a inteligência emocional nos permite lidar com as situações de forma mais equilibrada. Quando somos inteligentes emocionalmente, conseguimos encontrar soluções e saídas que condizem com o que estamos sentindo e pensando; assim, fica muito mais fácil adotar os comportamentos ou as medidas necessárias para obter os resultados desejados.

Também ganhamos no que diz respeito à forma como nos relacionamos com as pessoas e com o nosso entorno. Pessoas mais inteligentes emocionalmente conseguem estabelecer empatia (e alcançar a compaixão) com mais facilidade e, por isso, conseguem também melhorar seus relacionamentos. Elas também se tornam capazes de lidar de forma mais positiva com os desafios, porque entendem que não são vítimas dos acontecimentos – tudo o que lhes acontece, acontece por um motivo e em decorrência de suas próprias escolhas.

Dito isso, a dica de ouro para quem quer encarar a vida e as dificuldades com inteligência emocional é desenvolver o amor-próprio e a autorresponsabilidade. Precisamos compreender que a única pessoa responsável por conquistar e valorizar as próprias conquistas, bem como por cometer, assumir e superar as falhar SOMOS NÓS MESMOS. Não é papel de mais ninguém.

Para isso, é preciso voltar os olhos para si mesmo e percorrer o caminho da compreensão, da autovalorização e do perdão para conosco e em relação aos que nos cercam. O primeiro passo é se olhar sem julgamento e/ou crítica. Simplesmente observe-se e perceba o que você faz e sente, do que gosta e do que não gosta. Observe o impacto dos seus comportamentos no seu entorno e como você poderia fazer melhor.

Outra dica: olhe para os outros e escute-os. As pessoas são “placas de sinalização” de nós mesmos e podem nos dar dicas de mudança e crescimento. Para isso, é importante também que possamos deixar nosso orgulho de lado e nossa necessidade de se defender do que parece ser uma acusação (críticas não são ataques!). Aceite que as sinalizações são ótimas oportunidades de aprendizado.

 

O impacto da inteligência emocional na liderança

Já falei sobre esse assunto aqui, mas não poderia deixar de abordá-lo novamente. Afinal, a prática do Autoconhecimento gera inteligência emocional e apresenta-se como ferramenta essencial para o processo de liderança – já que isso trará ao profissional efetiva melhora nos seus relacionamentos e nas suas atitudes com sócios, chefes, colaboradores e clientes.

Veja que, a partir do momento em que a pessoa abre espaço para se encarar de frente e fazer uma avaliação interna sincera, ela ganha capacidade de promover as mudanças e melhorias necessárias. Sem isso, em muitos casos o profissional não enxerga o que está errado, mesmo que as pessoas em volta sinalizem; em outros, ele pode até obter consciência, mas não se importa ou não sabe como promover a melhoria. Por isso a necessidade da responsabilização se faz tão importante.

Neste percurso, é fundamental que a pessoa busque compreender a origem e o porquê de determinados comportamentos, revendo suas atitudes e assumindo novos modos de agir. Uma pessoa que consegue unir a parte técnica aos bons relacionamentos certamente obterá excelentes conquistas não só na carreira, mas na família e em todas as áreas da vida.

Ela ganha, inclusive, a capacidade de perceber o que lhe falta para se sentir feliz e bem-sucedida – o que é uma procura comum a muitos, muitos profissionais de ponta.

Bem, espero ter lhe ajudado com mais esse conteúdo!

Até a próxima.

Com amor e luz,

Temas:

Expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman, no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach. É diretora do Centro Hoffman

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