Não sei você, mas confesso que fiquei um pouco assustada quando percebi que meus filhos estavam crescendo. Durante a infância e adolescência deles eu estava com medo de que eles não fossem felizes.

Enquanto eu os observava aprendi algo que fez muita diferença pra mim e pro meu coração: simplesmente não tenho como OBRIGAR ou GARANTIR que meus filhos terão toda a felicidade do mundo; meu papel foi e continua sendo o de ensiná-los como batalhar pela própria felicidade – o resto é com eles!

Instrumentalize seus filhos para a vida

Quando os bebês nascem, o instinto de proteção surge natural e espontaneamente nos papais e mamães. Como muitos dizem, “dá vontade de colocá-los numa redoma de vidro”, apenas para garantir que estejam sempre sãos e salvos.

E, conforme crescem os filhos, mais os pais desejam profundamente defendê-los de todas as amarguras do mundo. Essa história é tão comum que já foi contada até mesmo nos desenhos da Disney.

Lembro-me de um diálogo entre dois personagens de um longa-metragem que ficou bastante famoso. Nele, um pai superprotetor diz à amiga: “Faço tudo o que for preciso para que nada aconteça ao meu filho”. Ao que ela responde: “Mas se nada acontecer ao seu filho, nada acontecerá ao seu filho”.

O raciocínio desta personagem é mesmo muito inteligente! Veja: se os pais de fato conseguissem proteger seus filhos de tudo e de todos estariam impedindo, assim, que eles, os próprios filhos, descobrissem como se proteger.

Evidentemente, é papel dos pais cuidar de suas crianças e afastá-las de eventuais perigos. Mas há uma grande distância entre defendê-las dos riscos reais e protegê-las de tudo o que pode acontecer a elas. Principalmente porque a primeira opção está ao nosso alcance; a segunda, não. Sem contar a questão, inclusive, da falta de tempo em se estar com o filho.

Cabe aos pais, portanto, reconhecer primeiramente a incapacidade de preservar seus filhos de todos os males que existem no mundo. E, em segunda instância, instrumentalizá-los com as ferramentas de que precisam para que sejam capazes de decidir, viver, andar, escolher e agir em qualquer situação por conta própria.


O primeiro passo para instrumentalizar…

É responsabilizar, ou seja, demonstrar aos filhos quais são suas responsabilidades e tarefas e acompanhá-los de perto para garantir que vão dar conta de cumpri-las. E, caso não o consigam, definir qual será a consequência para aquela situação.

Isso é, aplicar alguma medida que signifique: “o seu comportamento foi inadequado e, sempre que você reproduzir uma atitude como essa, terá de arcar com tais consequências”. Como disse antes, bater, xingar ou agredir são formas ineficazes de punição, afinal, ensinam nossos filhos a obedecerem por medo e não por distinção entre o certo e o errado.

Portanto, responsabilização nada mais é que aplicar o conceito de causa e efeito. Digamos, por exemplo, que seu filho sujou o carpete, mesmo depois de ter sido advertido a não comer sobre ele. Você pode sentar-se à frente dele e dizer: “não gostei do que você fez. Como resolvemos isso agora? O que faremos para consertar? Você não acha que me deve desculpas?”.

Deixe que ele pense sobre o que aconteceu até que entenda que é responsável por ajudar a manter o carpete limpo. Mais que isso, permita também que ele próprio proponha uma solução para a situação. Lembre-se: o mais importante, aqui, é que ele assimile o que houve de fato e por que aquilo foi ruim.

Por isso, de nada vai adiantar você repetir insistentemente, por exemplo, que ele não é capaz de comer sem se sujar. Aliás, mesmo na hora da bronca ou da raiva, evite os adjetivos negativos. Em vez de “você é feio” ou “você é ruim”, diga “o que você fez foi feio; o que você fez foi ruim”. Tudo isso é relato e você não quer que ele acredite nessa história, certo?

Ao contrário, o que realmente quer é que ele tenha autonomia para que consiga realizar essa tarefa da forma adequada.

E como é que a gente dá autonomia? Primeiro, estabelecemos qual a atividade a ser realizada; depois, cobramos sua realização.

Caso a criança tenha sido bem-sucedida, cabe a nós a elogiarmos e a parabenizarmos por isso. Caso tenha falhado, é nosso papel, então, ensiná-la novamente até que seja capaz de cumpri-la. Como dizia um grande amigo meu, “educar é repetir meia dúzia de palavras um milhão de vezes”.

Por isso, ensine, cobre, ensine, cobre, quantas vezes forem necessárias até que eles sejam capazes de realizar aquela tarefa por conta própria. Aprenderam? Parabenize, elogie, e parta para o próximo ensinamento. Isso é autonomia. Isso é responsabilização.

Eu sei que você dá certo com mãe e pai, assim como seus filhos em seu desenvolvimento!

Temas: , ,

CEO do Centro Hoffman, é expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e de "Perdão, A Revolução que Falta", além de coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.