Olá, mais uma vez!

Como você está?

Espero lhe encontrar muito bem!

Hoje, lanço aqui o 6º e último artigo que preparei neste fim de 2018 exclusivamente para aqueles que desejam obter renovação no ano que está prestes a se iniciar. Caso tenha perdido algum dos temas que abordei até agora, basta clicar nos links abaixo para acessar cada artigo:

Essencialmente, em todos esses conteúdos, eu apontei como e por que o Autoconhecimento e o amor-próprio são revolucionários: desenvolver e aprimorar essas competências é a chave que abre as portas para toda e qualquer transformação positiva – que, vale dizer, sempre começa pelo indivíduo. Portanto, se eu quero a mudança do meu entorno, preciso começar por mim. Ou seja, minha maior contribuição será adotar hábitos capazes de beneficiar a tudo e a todos que estão ao meu redor, mesmo porque não tenho como controlar o comportamento alheio.

Esse é justamente o assunto que desejo abordar hoje para finalizar essa série especial de conteúdos: quero lhe contar porque a empatia é a única ferramenta de que realmente dispomos se quisermos, de fato, impactar positivamente o outro e o nosso entorno.

Não sei você, mas, nesse ano que passou, assisti a muitas famílias, amigos e casais se desentenderem por divergências políticas, econômicas e culturais. Confesso que fazia tempo que não via nossa sociedade tão polarizada. É claro que eu adoraria ter uma solução para essa fragmentação e para todo o extremismo que se construiu, mas a verdade é que também não sei, ao certo, quando essa situação se resolverá.

Por outro lado, tenho absoluta certeza de que, tanto de um lado como de outro, o que todos estão querendo, buscando, desejando é que tudo seja diferente. Aliás, o que todo mundo quer é que as coisas mudem profundamente, rapidamente e para muito para melhor; que a corrupção acabe, que a violência cesse, que mais vagas de emprego se abram, que tudo, enfim, dê sinais de transformação, de progresso, de evolução (ainda que cada um tenha seu próprio entendimento de progresso e de evolução, o que, para mim, é o ponto central dessa questão).

Em suma, o que nós queremos é que toda a nossa esperança de um futuro melhor, nutrida já há alguns anos, possa finalmente se concretizar no presente. Mas, se todos nós queremos a mesma coisa, o que é que tem causado tantas e tantas discussões, desentendimentos? O que está por detrás de todas essas brigas? Mais que isso: o que é que falta para que possamos chegar a algum acordo?

Por que é que é tão importante que o meu ponto de vista esteja certo? Aliás, por que é que eu preciso tanto invalidar a opinião do outro para validar a minha? Por que é que reajo com tanta raiva aos pensamentos e crenças que divergem do meu?

O que falta é amor

Para que possa responder a essas perguntas, preciso recorrer à teoria que embasa o Processo Hoffman – treinamento de Autoconhecimento reconhecido como o melhor do mundo. De acordo a metodologia Hoffman, todos nós, seres humanos, nutrimos um desejo em comum: queremos amar e receber amor.

Tudo porque, lá atrás, na nossa infância, por melhores que tenham sido nossos pais (biológicos ou substitutos), nós nos sentimos profundamente não amados em algum momento. Esse desamor se manifestou, por exemplo, quando eles nos deram uma bronca, quando ignoraram nossa tristeza, quando repreenderam nosso comportamento, enfim, em uma ou mais situações em que, na nossa percepção infantil, não fomos vistos, nem reconhecidos como gostaríamos.

A consequência disso é que, na fase adulta, sem perceber, adotamos comportamentos para “corrigir esse passado” e validar a nossa existência – afinal, queremos nos vingar do que aconteceu na infância, ou seja, queremos garantir que nunca mais nos sentiremos não vistos, não reconhecidos e, claro, não amados.

Veja minha história, por exemplo. Tive pais muito autoritários, que frequentemente repreendiam aos meus comportamentos com braveza e mão firme. Sempre que agiam assim, faziam com que eu me sentisse a pior criança do mundo! E eu odiava aquela sensação. Era muito, muito ruim saber que meus próprios pais não me entendiam, não me autorizavam, não me viam como eu era e… Bem, não me amavam!

Inconscientemente, eu prometi, a mim mesma, que nunca mais permitiria a alguém me causar tamanha dor. E cresci comprometida com essa promessa, também sem saber. E sabe qual foi o resultado? Bem, infelizmente, eu me tornei uma adulta igualmente autoritária, que repreendia e castigava aos outros com braveza e mão firme. Sem perceber, eu, justo eu, que só queria dar e receber amor, estava fazendo o inverso: causando e recebendo medo, raiva e mágoa. E é isso o que todos nós vivemos na nossa inconsciência.

Veja, tudo o que queremos, como disse antes, é que as coisas melhorem. Mas temos a nossa própria concepção sobre o que é melhorar: alguns, por exemplo, estão fixos na ideia de que “bandido bom é bandido morto”, enquanto outros defendem com toda a convicção que é preciso tratar a todos, inclusive criminosos, com igualdade, respeito e humanidade.

Não vou entrar no mérito dessa discussão, só quero mostrar que, bem: existem MUITOS pontos de vista a respeito deste assunto, assim como a respeito de tantos outros temas; por que é que é tão importante que o meu esteja certo? Aliás, por que é que eu preciso tanto invalidar a opinião do outro para validar a minha? Por que é que reajo com tanta raiva aos pensamentos e crenças que divergem do meu?

Bem, como disse, a resposta está na infância. Não apenas na minha, mas na infância de todos nós. Porque fomos tão invalidados, não ouvidos, ignorados, reprimidos – e, em alguns casos, até rejeitados e violentados –, o que queremos agora, enquanto adultos, é nunca mais experimentar essas emoções tão negativas.

E enquanto permanecermos aprisionados a esta crença infantil, inconscientemente adotaremos comportamentos que validem quem e como somos porque, para nós, essa é a única maneira de nos sentirmos amados. Portanto, tudo o que é diferente do que somos e de como somos se transforma numa ameaça, que precisa ser invalidada, não ouvida, ignorada, reprimida – e, em alguns casos, até rejeitada e violentada.

 

A empatia como mecanismo de transformação

Este, para mim, é o texto mais importante da série de conteúdos que preparei para o ano novo. Digo isso porque acredito, com todo meu coração, que essa compreensão é capaz de revolucionar o mundo: assim como eu trouxe, da minha infância, um profundo desejo de receber amor, o outro também viveu o mesmo. Portanto, assim como eu, no meu exemplo, acabei me tornando autoritária porque acreditava que esse era o único e o melhor caminho possível, o outro também viveu o mesmo e se tornou arrogante, preconceituoso, bravo, violento, agressivo, ciumento, possessivo, controlador… Enfim.

A verdade é que nem eu, nem você e nem ninguém adota esse ou outro comportamento por mal, com a intenção de causar um problema, de magoar ou de ferir. Mesmo quando eu estive no meu pior, acredite, aquele era apenas o melhor que eu tinha a oferecer para aquele momento e aquela circunstância. Se isto vale para mim, por que é que não valeria para você e para as pessoas do meu entorno? Se eu mereço perdão por isso, por que é o que o outro não mereceria?

Em suma, é por isso que defendo a empatia e a compaixão como peças-chave para um futuro melhor.

Como sempre digo, a compaixão nada mais é que o profundo pesar pelo sofrimento alheio acompanhado de um sincero desejo de aliviar a dor e de remover a causa daquele sofrimento.

Mais que isso, quando todos temos o direito de ser quem somos, surge imediatamente a autorresponsabilidade. Ao assumirmos a responsabilidade pelos nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos, conquistamos empatia, sinergia, confiança, criatividade e um movimento de proatividade para a vida e para nossos relacionamentos, de todas as naturezas.

Vale reiterar que estar com o outro e desenvolver relacionamentos saudáveis são desejos comuns a todas as pessoas. Quando somos reconhecidos por quem somos, sem críticas e/ou julgamentos, ganhamos muito mais capacidade de produzir, criar, compartilhar e crescer. Por outro lado, com o julgamento, atraímos justamente o que mais tememos, que é a solidão.

Já disse antes, mas repito: a compaixão nos iguala e nos retira dessa “gangorra emocional”, em que ora nos sentimos menor/pior, ora nos sentimos maior/melhor que o outro. E, se nos libertamos dessa comparação, se abraçamos nossa humanidade (repleta de imperfeições) e autorizamos a humanidade do outro, bem, encontramos, finalmente, o caminho para um bom acordo.

Nem eu estou 100% certa, nem você.

Nem o meu jeito é o melhor, nem o seu.

Mas, juntos, nós podemos chegar lá. E, quando digo juntos, estou realmente dizendo JUNTOS: eu, com todas as minhas competências e falhas; você, com todas as suas habilidades e imperfeições; nós, lado a lado, trabalhando pelo melhor.

Lembra? Nós todos só queremos nos conectar ao amor. Ame-se muito, em primeiro lugar e incondicionalmente. Ame ao outro, com tudo o que ele é.

Em 2019, tome, para si, esse desafio: ainda que discorde do que o outro pensa ou faz, lembre-se que, seja o que for, esse é só um lado de sua personalidade. E eu tenho certeza que a história dele ou dela merece seu respeito. E eu tenho ainda mais certeza que há outros aspectos que vão fazer valer a pena investir na qualidade dessa relação. 

Bem, por hoje é só! Eu desejo que seu natal e seu ano novo sejam espetaculares, repletos de amor, paz e muita, muita empatia!

Até a próxima.

Temas:

Expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman, no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach. É diretora do Centro Hoffman

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *