Na semana passada, escrevi um artigo com dicas para driblar os obstáculos mais comuns nos relacionamentos a dois. Mas, daí, uma porção de gente me escreveu perguntando: “mas e quanto a mim, Heloísa, que estou solteiro(a)?”.

Bem, como já disse no texto anterior, não há problema nenhum em estar solteiro(a), a não ser que esse status cause algum tipo de dor ou incômodo a quem o mantém! Se esse é seu caso – digo, se você se sente frustrado(a), infeliz, não-amado(a), indigno(a) de receber amor ou em contato com qualquer outra emoção negativa por não estar numa relação –, esse texto é para você.

Em primeiro lugar, quero compartilhar contigo algo bastante curioso. Há alguns anos, escrevi o artigo “afinal, por que algumas pessoas nunca se apaixonam?”, que é, de longe, a página mais acessada em nosso site. Minha equipe e eu ficamos intrigados com esse dado e descobrimos que, infelizmente, são muitos os que se acreditam incapazes de se apaixonar ou mesmo de amar genuinamente um parceiro ou parceira – e, por isso, procuram algum tipo de ajuda ou orientação.

Eu diria que existem muitas razões para isso, mas, essencialmente, a dificuldade em estabelecer um sentimento profundo e intenso por outro alguém é bem similar à dificuldade em estabelecer uma relação de qualidade e duradoura. Nos dois casos, as pessoas tendem a cometer o mesmo erro: criam expectativas exageradas sobre o outro.  

O que acontece é que, quando projetamos o nosso ideário em alguém, passamos a enxergá-lo como queremos, sob o nosso ponto de vista apenas, atribuindo a ele ou ela sumariamente as qualidades que desejamos que tenha e os defeitos com os quais aceitamos lidar, conviver, amar. E, então, aos poucos, esses rótulos todos dão lugar à realidade. Só então vemos com quem, de fato, estamos nos relacionando – e, evidentemente, por vezes a realidade se apresenta muito distante da expectativa ilusória que criamos por conta própria.

Com tantas projeções de ambos os lados, fica muito difícil superar o momento em que, como dizem por aí, as máscaras caem. O ‘modelo perfeito’ de relação envolve os dois papeis, o do outro e o nosso. E, tal qual fazemos sobre o outro, nós também criamos, reproduzimos e entregamos, inicialmente, comportamentos que acreditamos serem os ideais – ainda que sejam incompatíveis com quem de fatos somos. Então, quando as expectativas não são atendidas, muitas relações simplesmente se acabam.

o corpo que você tem é o único que você possui! Se está acima do peso e isso lhe incomoda, você pode e deve trabalhar para fazer as pazes com a balança. Mas, até lá, CURTA A SI MESMO(A).

Dito isso, preparei, a seguir, 5 dicas que considero essenciais para qualquer pessoa que deseja se abrir verdadeiramente para um relacionamento sério. Vamos lá?

 

1 – Pratique o autoconhecimento, sem julgamentos

Não tem como fazer diferente. Voltar-se para dentro e tomar consciência de si representa 50% do trabalho de Autoconhecimento e significa você se enxergar sem nenhum tipo de julgamento, nenhuma crítica, sem autodefesas ou justificativas, com total honestidade e com total isenção.

Neste caminho, é importante também prestar atenção aos feedbacks que recebemos dos outros, às placas que sinalizam como nos relacionamos com as pessoas que nos cercam, como somos e não apenas aquilo que queremos ser. Com Autoconhecimento, você terá a chance de dar início a um relacionamento mais sustentável, afinal, estará pronto para oferecer suas qualidade e reconhecer seus defeitos.

 

2 – Aposte no que você tem de melhor

Temos muito mais coisas boas que ruins, mas temos uma tendência enorme em colocar foco apenas no que temos de ruim. Olhe para o seu mal e para o seu bem, e valorize aquilo que você tem de bom.

Não estou pedindo para que se engane a seu próprio respeito. Você sabe quais são seus defeitos e quais são suas falhas mais comuns e, certamente, deve trabalhar bastante para corrigi-los. Está tudo bem, todos nós, humanos, somos como você: cometemos erros sem querer, que não só magoam aos outros, como, também, doem profundamente em nós mesmos.

A minha proposta é que você valorize quem você é, e como você é. Por exemplo: o corpo que você tem é o único que você possui! Se está acima do peso e isso lhe incomoda, você pode e deve trabalhar para fazer as pazes com a balança. Mas, até lá, CURTA A SI MESMO(A). Use roupas que fazem com que se sinta bem a seu próprio respeito. Veja-se no espelho, toque-se, sinta-se bonito(a) e em paz. Você é único(a) e merece ser valorizado pela pessoa mais importante do mundo: você!

 

3 – Adote uma postura positiva

A maneira como você encara os desafios e se posiciona para resolvê-los ou enfrentá-los é fundamental. Colocar-se como vítima e ficar apenas reclamando da vida, reclamando das pessoas, não vai adiantar. Assuma o controle da sua vida, responsabilize-se. Isso se chama proatividade, positividade e autorresponsabilização.

Positividade é entender, profundamente, que tudo acontece por um motivo. Se hoje seu dia foi ruim, se nada deu certo, o que é que você pode fazer exatamente nesse momento para torná-lo um pouquinho melhor? O passado já passou, e eu entendo que, há algumas poucas horas, você estava estressado(a), aborrecido(a) e irritado(a) com tudo o que deu errado. Mas continuar nessas emoções é uma escolha, assim como sair delas. Ofereça, a si mesmo, as chances de que precisa para se recuperar, para renovar as energias, para dar a volta por cima. Eu lhe garanto que não há nada mais charmoso e encantador que conviver com alguém positivo!

 

4 – Saiba reconhecer seus erros

É importante saber reconhecer os erros que cometemos com uma visão construtiva e evitar a autopunição. Pensar que a culpa é sempre sua ou que você não merece ser feliz faz com que entre em um círculo de baixa autoestima muito grande. De que forma evitar? Assumindo o erro e também a vontade de corrigi-lo.

Perceba-se. Aceite-se como um ser composto por qualidades e defeitos, capaz de acertar e de errar, mas sempre em busca de aperfeiçoamento. E você verá como o mundo se abre de uma maneira diferente quando assume a capacidade de ser apenas como e quem você é, sem máscaras ou disfarces.

 

5 – Liberte-se das suas crenças limitantes

Pergunte-se por um instante: você se lembra como foi que aprendeu o que era “estar apaixonado(a)”?

Quem lhe ensinou o significado da paixão? Talvez tenham sido seus pais, seus professores ou mesmo seus amiguinhos de infância. Mas a verdade é que, com o passar dos anos, você – como eu e como todas as pessoas do mundo – foi se referenciando em outras fontes de informação. O cinema, a música, a TV, tudo isso começou a lhe dar exemplos claros do que é estar apaixonado(a).

Bem, o problema é que… Por causa disso, muitas pessoas passam a vida esperando se sentir COMO NUM FILME. Elas esperam esbarrar no grande amor da vida num café ou na padaria. Acreditam que vão conhecer sua alma gêmea hoje, casar amanhã e, depois, desfrutar do tão desejado “felizes para sempre”… E eu preciso lhe dizer que, embora essas coisas até aconteçam, elas são exceção, não regra.

Infelizmente, muita gente espera se apaixonar dentro desses parâmetros e ignora que cada um tem a capacidade se sentir essa emoção de forma individual e incomparável. Dito isso, a dificuldade e entrar num relacionamento sério é real, mas não quando praticamos a paixão de forma diferente do resto do mundo e, sim, quando simplesmente não conseguimos estabelecer ou entrar em contato com o amor por ninguém. Esse “bloqueio” é o que muitas vezes faz com que sabotemos qualquer possibilidade de relação amorosa.

Essas dicas são simples, mas muito valiosas. Espero que lhe ajudem a dar alguns passos rumo à felicidade e plenitude na vida amorosa. Mas, lembre-se: o amor que você merece, deseja e espera receber se inicia aí dentro; entregue, a si mesmo(a), todo o carinho e cuidado de que necessita.

Com amor e luz,

Temas:

Expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman, no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach. É diretora do Centro Hoffman

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