Olá!

Muitas pessoas me perguntam se a Inteligência Emocional é algo que se aplica apenas à vida profissional ou se é possível levá-la também ao âmbito pessoal, especialmente nas relações familiares e conjugais. A resposta é sim: não só é possível, como necessário.

Agir com Inteligência Emocional é algo faz diferença para todo e qualquer aspecto das nossas vidas, inclusive na relação que mantemos com nossos próprios corpos e individualidades, por exemplo.

Mas, para que você possa entender melhor como isso funciona na prática, decidi compartilhar um pedaço importante da minha vida: a minha própria história com meus pais. Creio que, ao conhecer o meu relato, poderá encontrar algo que ressoe na sua trajetória e, assim, terá mais vontade de escolher o Autoconhecimento como caminho – tal como eu fiz.

Então, se puder e quiser, acomode-se e abra seu coração, porque agora eu vou lhe contar a história de como conheci um dos homens mais temorosos e mais amorosos que já passaram pela minha vida: o meu pai.

É, meu pai não era uma pessoa fácil. Era um português imponente e de voz alta, que mantinha, a mim e aos meus irmãos, em “rédeas curtas”, como se diz por aí. Um homem exigente, bravo, rígido. Ah, quanto medo eu senti daquele homem quando ainda era uma criança!

Mas meu pai não era só esse ou só desse jeito. Era ele também quem nos levava para passear, para fazer piquenique na praia, para andar de transporte público e aprender, da forma mais lúdica possível, como atravessar a rua, como utilizar o ônibus e, em suma, como viver harmonicamente em sociedade. Meu pai era uma pessoa extremamente criativa, que contava histórias, cantava e encantava a todos que estavam ao seu redor. Ah, quanto amor e admiração eu senti por aquele homem quando ainda era uma criança!

Enfim, meu pai era feito de uma dualidade quase inacreditável. Mesmo quando adulta, eu o enxergava como uma das melhores e uma das piores pessoas que já tinha conhecido. Mas, como o assunto hoje é “inteligência emocional na vida a dois”, o que eu preciso lhe contar é que meu pai também era assim com outra pessoa muito importante na minha história: a minha mãe.

Sim! Ele era um homem igualmente rigoroso e amoroso, bravo e cuidadoso, grosseiro e lúdico (e tudo mais que você puder imaginar) na relação com a minha mãe. E, evidentemente, a minha mãe, uma descendente de alemã igualmente rígida e intempestiva, não ia deixar passar batido. Ela se vingava de uma a uma das grosserias que ele lhe desferia e, naturalmente, os dois estavam sempre em pé de guerra – mesmo que ele não fosse só isso, ou seja, só um marido grosseiro, exigente ou ríspido.

Eu adoraria estar agora na sua mente para saber o que foi que você concluiu dessa breve história que lhe contei a respeito dos meus pais de infância. Mas, como não sei, só posso pedir que continue a leitura e descubra aonde quero chegar com tudo isso!

 

Isso é inteligência emocional aplicada à vida dois. É topar o desafio de conhecer a si mesmo(a), por pior que possa parecer essa imersão, para que se possa descobrir o que foi que você aprendeu por amor – e como esse aprendizado impacta seu comportamento até hoje.

Inteligência Emocional na vida a dois: algo que se aprende em casa

Dentro da metodologia Hoffman, nós trabalhamos com uma teoria chamada “Síndrome do Amor Negativo” (se quiser entendê-la melhor, clique aqui). O que ela afirma é que todos nós trazemos, da infância, os aprendizados, valores e conceitos que nos acompanham por toda a vida; o problema é que esse “pacote de lições” interfere nas nossas escolhas e nos leva para caminhos nada positivos sem que percebamos. Porque não temos consciência de que é isso que estamos fazendo, permanecemos comprometidos com escolhas inconscientes e, muitas vezes, negativas.

Ok, talvez pareça complicado de entender, mas continue me acompanhando: o que eu quero mostrar é que, bem, meus pais viviam em pé de guerra, como lhe contei. E pudera! Meu pai era um amor e um terror de pessoa, assim como minha mãe. Quando então juntos, naturalmente, o que se sobressaía na relação dos dois era… O terror. O amor, infelizmente, nem eles, nem a maior parte das pessoas que conheci ao longo da vida, sabem como dar vazão.

Bem, hora de ligar os pontos. Eu estou lhe contando, aqui, algo extremamente pessoal – que levei anos para compreender e aceitar na minha própria história. Trata-se de uma constatação que só me tornei capaz de aceitar depois que passei pelo Processo Hoffman: todas as dificuldades de relacionamento que vivemos na fase adulta, infelizmente, começaram lá atrás, ali, nas relações humanas mais básicas… As que estabelecemos, em primeiro lugar, com nossos pais e com nossos irmãos.

Na infância, nós aprendemos a amar. E aprendemos por cópia e repetição, vendo a maneira como nossos pais expressam seu amor. E quer saber o que meu pai costumava dizer? “Eu amo vocês aos tamancos”. Imagine só: ele nos amava nessa dualidade, nessa capacidade de nos machucar, maltratar e humilhar, mas, também, nessa capacidade de nos cuidar, viajar, rir, entreter. Para ele, isso significava amor. E, claro, foi isso que eu aprendi com ele.

 

Inteligência emcional na vida a dois: conecte seus pontos

Eu lhe contei toda essa história porque, assim como eu tive de ligar os pontos, você também precisará conectar sua vida adulta com a sua infância se quiser obter uma vida amorosa mais bem-sucedida. Você terá de relembrar quem e como seus pais eram; como e o que eles faziam quando queriam expressar seu amor; e o quanto disso permanece incutido nos seus comportamentos até hoje.

A maneira como eles se relacionaram com você e entre si tem TUDO a ver com o que você entende por amor hoje (mesmo que tenha dificuldade em perceber ou não queira admitir). Mais que isso, foram seus pais também que, em primeiro lugar, desferiram críticas e julgamentos que até hoje afetam quem você é. E isso só vai acabar se você estiver disposto(a) a rever a sua história para transformá-la.

Isso é inteligência emocional aplicada à vida dois. É topar o desafio de conhecer a si mesmo(a), por pior que possa parecer essa imersão, para que se possa descobrir o que foi que você aprendeu por amor – e como esse aprendizado impacta seu comportamento até hoje.

Como meus pais, antes do Processo Hoffman, eu também vivia o amor negativo. Eu também era extremamente dura, crítica e rígida nas minhas relações, e também “amava aos tamancos”, porque entendia que isso era afeto. E quando eu compreendi, aos poucos, que apenas repetia aos meus pais, fui capaz de parar; e quando parei, aos poucos, encontrei uma nova forma de ser e de amar; e quando encontrei uma nova forma de ser, achei um lugar em que eu vivo a fonte inesgotável do amor positivo.

Aqui, onde estou, o amor negativo não é mais capaz de me ferir. As pessoas não me magoam por mal, e eu sei disso. Eu posso perdoá-las e seguir em frente.

A minha proposta é que você faça o mesmo. Que saia dos círculos viciosos de acusação, culpa, agressão, vingança. Que rompa o pacto do “infelizes para sempre”, com total respeito à sua história e aos seus pais.

Eles fizeram o melhor que podiam. E você, agora que sabe de tudo isso, também pode fazer melhor. A escolha é sua.

Espero que tenha gostado desse conteúdo!

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Com amor e luz,

 

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CEO do Centro Hoffman, é expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e de "Perdão, A Revolução que Falta", além de coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach.

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