Olá!

Se eu tivesse de apontar quais são as dificuldades mais comuns trabalhadas pelos alunos que vêm ao Processo Hoffman, diria que, de longe, a principal é o medo de mudar.

Aliás, os participantes do treinamento certamente não são os únicos que enfrentam esse problema. Conheci e ainda conheço uma porção de gente que, às vezes, mesmo tendo de lidar com situações caóticas e sofríveis, permanece nesta posição porque tem pavor da ideia de sair do lugar comum para empreender qualquer transformação. Será que você também é assim?

Bem, hoje, eu vou compartilhar 10 dicas práticas para quem deseja vencer o medo de mudar. Mas, antes, quero lhe falar um pouco mais sobre este assunto, porque acredito que há uma importante reflexão a ser realizada antes de dar início a qualquer trajetória de transformação.

Para começar, costumo dizer que as pessoas só empreendem mudanças pela dor ou pela visão de futuro (ou, como muitos dizem por aí, pelo amor). No primeiro caso, depois de experimentar uma imensa insatisfação, frustração, aborrecimento, chateação, raiva, enfim, toda a gama possível de emoções negativas, a pessoa, eventualmente, decide buscar novos caminhos e encontra a motivação necessária para sair desse estágio de dor.

Por sua vez, quando motivada pela visão de futuro, a pessoa se vê tomada por um desejo, uma gana de alcançar algo maior, de chegar num novo patamar de satisfação, de prazer, de realização e de bem-estar. Trata-se, de fato, de um caminho marcado por amor – essencialmente, por amor-próprio. É quando alguém, inspirado por um modelo externo, por uma referência de vida ou simplesmente por algo que vislumbrou para si mesmo, dá início a uma trajetória de mudança profunda apenas porque assim decidiu.

Infelizmente, não preciso nem dizer que temos nos movimentado muito mais para sair da dor do que para fortalecer o amor. Então, aqui está a dica mais valiosa que posso lhe dar antes que dê início à sua jornada de mudança: ainda que esteja disposto a se transformar para dar fim a uma dor, a sua trajetória ficará muito mais fácil e prazerosa se for marcada, alimentada, estimulada pelo seu amor-próprio. Mas e o que fazer com o medo?

 

O medo de mudar tem a ver com o medo de falhar

Agora, deixe-me compartilhar a segunda informação importante sobre os processos de transformação pessoal: as chances são de que muitos altos e baixos acontecerão ao longo do caminho de mudança, o que é justamente o que mais nos causa medo.

Você deve saber do que estou falando… Pense só em como foi a última vez em que você decidiu sair do seu lugar comum para empreender uma mudança qualquer e, de repente, algo deu errado. Imagino que tenha pensado imediatamente:

“Será que fiz besteira em mudar?”
“Será que vou me arrepender?”
“Será melhor eu voltar para o caminho antigo, que eu conhecia tão bem?”

Bem, sinto lhe dizer, mas esse sentimento é absolutamente normal e comum a todos nós – sim, repito, absolutamente TODOS nós – compartilhamos. A verdade é que o medo existe por uma boa razão: ele serve de alerta e de gatilho para que possamos nos proteger de perigos iminentes, como a possibilidade de um assalto ou de ser atacado por um animal, por exemplo.

Mas, na vida emocional propriamente dita, o medo quase sempre faz pouco sentido. É claro que devemos nos proteger de pessoas e situações que possam nos machucar ou nos fazer sofrer. Mas a verdade é que não temos nenhum controle do que acontece do lado de fora, então, esse medo especificamente só causa angústia e ansiedade, ou seja… Sofrimento!

Em outras palavras, no aspecto emocional, o medo quase sempre está direcionado para fora. O nosso grande pavor é saber que, no caminho de transformação pessoal, invariavelmente vamos errar, falhar, nos arrepender, sofrer… Por isso, para evitar resultados tão catastróficos, decidimos que é melhor ficar onde já estamos, por pior que seja este lugar! Percebe como a conta não fecha?

Quando exageramos na autocrítica, quando observamos a nós mesmos a partir da ótica da negatividade, quando não nos damos outra possibilidade a não ser a de alcançar a perfeição… Bem, tendemos, de fato, para o nosso pior. Não necessariamente porque o pior virá; mas, simplesmente, porque só estamos abertos a enxergá-lo em detrimento de todas as coisas boas que possam acontecer.

É isso que, muitas vezes, fazemos com nossas próprias vidas. Queremos acertar, e acertar, e acertar. E, por isso, quando erramos, ignoramos as conquistas para focar apenas nos nossos próprios erros. Culpamos aos outros e a nós mesmos. Sentimos que somos incapazes e insuficientes e carregamos esse peso por toda a vida, sem considerar o óbvio: como seres humanos, eventualmente, vamos errar e, se possível, aprenderemos com nossos erros. Por mais clichê que possa parecer, esse é o segredo do amadurecimento e da superação.

Então, apenas para concluir, quero lhe dizer que as dicas que lhe trago a seguir serão, sim, muito úteis – mas apenas se você for capaz de acolher o seu medo para seguir em frente com medo e tudo. O lugar novo, este em que você deseja chegar, às vezes, pode requerer um trabalho mais longo, por isso, batlahe por ele com paciência e aceitação de seus limites. Construa sua mudança aos poucos, com pequenos passos e vitórias diárias.

E, claro, ainda mais importante, pegue-se pelo colarinho: lembre-se que não basta a intenção ou só o desejo, é preciso agir. Dentro de um processo de mudança, cabe seguir o ritmo que você quiser, só não vale ficar parado(a). Crescimento e conhecimento são sempre contínuos; nós nunca paramos de crescer e nem de aprender!

Vamos às dicas?

Ainda que esteja disposto a se transformar para dar fim a uma dor, a sua trajetória ficará muito mais fácil e prazerosa se for marcada, alimentada, estimulada pelo seu amor-próprio

1) Desenvolva o Autoconhecimento

Volte a atenção para si mesmo e desenvolva a autoconsciência. Observe-se no dia a dia, como você age, reage, que sentimentos estão mais presentes; por exemplo, quando fica desanimado(a), frustrado(a), como é seu comportamento? E quando está entusiasmado(a), motivado(a)?

Faça essa autoanálise sem julgamentos ou críticas, apenas deixe fluir suas percepções. Onde está o foco de seus pensamentos? São de negatividade e de dificuldade? Por que é que está pensando e se sentindo assim?

Se for capaz de reconhecer os gatilhos que podem bloquear suas motivações para a mudança, terá mais facilidade em manter afastados esses comportamentos e essas emoções. É um treino para a vida toda.

2) Respire com consciência

A respiração consciente ajuda a mudar estado emocional e leva maior oxigenação para dentro de você, auxiliando para que obtenha mais serenidade e confiança para decisões e mudanças.

E é um exercício bastante simples, já que a ideia é mesmo essa: reserve pelo menos cinco minutos para respirar com toda a sua atenção. Isso nos ajuda a sair do piloto automático e ganhar autoconsciência de uma ação que, até então, era feita espontaneamente. Ou seja, significa dar o primeiro passo para começar a se olhar com outros olhos, para começar a se enxergar com mais atenção.

Experimente realizar esse exercício antes de tomar decisões difíceis. Você vai ver como estimula escolhas mais sustentáveis e positivas.

3) Pratique a positividade

Ser positivo é estar e se sentir livre, aberto, disponível e pronto para receber o que é seu. Mais que isso é compreender que, se algo acontece, acontece por um motivo. É também manter a conexão com seu propósito de vida. Então, pergunte-se: PARA QUE essa situação está me acontecendo? O que ela me traz de aprendizado?

4) Liberte-se de seus sentimentos negativos

Sentimentos negativos tornam-se um lixo tóxico dentro de nós, inclusive causando doenças. É importante que procuremos meios para que, metaforicamente, possamos tirá-los de dentro de nós. Você pode gritar, correr, anda de bicicleta, dançar, ou seja, movimentar-se colocando, nos seus movimentos, a intenção de remover essas emoções de dentro de você. Agora, IMPORTANTE: ninguém merece ouvir ou receber seu lixo tóxico; portanto, não é para despejar raiva ou aborrecimento sobre o outro.

5) Amplie sua empatia e compaixão sobre o outro

Enquanto seres humanos, nós não vivemos isolados. Pelo contrário, precisamos e validamos a nossa existência por meio da nossa relação com o outro. Por isso, qualquer caminho que envolva sua transformação pessoal envolverá, também, a transformação de seus relacionamentos.

Muitas vezes, por exemplo, você pode se sentir paralisado(a) por achar que determinada situação só mudará se o ‘outro’ mudar. Mas, de fato, você não tem controle sobre o comportamento alheio; as únicas emoções, pensamentos e atitudes sobre o qual tem real poder são as suas.

Além disso, você é um ser humano que se constituiu de maneira única, portanto, o mesmo vale para o outro. Seus valores, noções e maneiras de se comportar são seus, apenas seus. O outro não tem como atender suas expectativas, assim como você não tem como atender as dele. Essa compreensão vai lhe ajudar a conquistar mais empatia e compaixão, o que lhe será de grande utilidade em seu caminho de mudança.

6) Assuma a responsabilidade por si mesmo(a)

As suas escolhas diárias determinam os resultados que obtém. Então, errando ou acertando, lembre-se que foi você mesmo(a) quem gerou esse resultado. Perdoe-se por suas falhas e siga em frente; aplauda suas vitórias e siga em frente. É só você quem pode fazer isso.

7) Lembre-se que o único tempo que você possui é o AGORA

Por mais clichê que isso pareça, perceba: o passado já foi, o futuro ainda não chegou e o único momento possível é o agora. Então, procure manter o foco nesse tempo, o tempo de já, desse instante, do hoje. Quanto mais fincar os pés no presente, mais poderá transformá-lo num verdadeiro presente para si e na motivação do AGORA. E pergunte-se: o que é que você pode fazer de novo ou de diferente agora, nesse exato momento, para colher resultados diferentes e novos no futuro?

8) Não se cobre tanto

Muitas vezes, para evitarmos uma dor, acabamos por gerar um caminho de autocrítica que leva à própria frustração. Queremos uma vida melhor, um emprego melhor e que o(a) companheiro(a) nos ame incondicionalmente… Mas a vida não é permanente, o mundo não nos dá garantia e o tempo é inexorável. E aí? Seja mais flexível consigo mesmo(a). Você não é perfeito(a), e ninguém o e. Essa é uma das maiores graças da humanidade!

9) Pratique o perdão

Você já sabe onde falha no presente e os erros que já cometeu na vida. Também já identificou como se expressa e lida com as situações ao seu redor. Agora, é o momento de praticar uma das mais importantes habilidades do ser humano: o perdão.

E como isso é possível? Quando pensamos na história do outro a partir desse novo ponto de vista, ganhamos a chance de compreendê-lo, perdoá-lo e, ainda, perdoar a nós mesmos por nossos próprios erros. Ao conquistarmos essa clareza, temos a oportunidade de caminhar em outras direções e criar maneiras de ser e agir mais positivas e benéficas. Essas novas formas de atuar perante a vida serão as principais ferramentas para alcançar os seus principais objetivos de transformação.

10) Recicle seus comportamentos

Reciclar comportamentos é transformá-los com intenção e a partir de treino; é estimular seu cérebro para que passe a funcionar de um modo diferente do que está habituado. Existem duas reciclagens fundamentais no autoconhecimento. Uma que se refere ao estado emocional e a outra ao comportamento.

A primeira transforma o estado de espírito. Por exemplo, numa situação de aborrecimento ou tristeza, você recorre a mecanismos que lhe ajudam a mudar a emoção, como ouvir uma música, ler um livro, fazer atividade física ou cantar – vale qualquer coisa que lhe traga uma sensação positiva.

A outra reciclagem é treinar, na prática, o novo comportamento – afinal qualquer mudança efetiva requer treino, treino e mais treino. Ou seja, cabe a você se dedicar a criar um novo jeito de agir. Aqui, a mudança se dá pela ação.

Você vai começar a fazer ginástica todo dia de manhã? Pegue-se pelo colarinho e vá! É uma reciclagem: assim, estará adotando um novo hábito em vez de ficar dormindo ou comendo em frente à televisão.

Ou, então, durante dez dias ou 15 dias, pratique visualizações mentais: imagine, por exemplo, que o relógio desperta, você acorda disposto(a), toma um café da manhã saudável e vai se exercitar. Este exercício diário de visualização contribuirá para que seu cérebro dê início à mudança, porque ele não sabe a diferença entre realidade e imaginação. Então, imagine – e, claro, parta para a prática!

Espero ter lhe ajudado com mais este conteúdo!

Nos falamos em breve.

Com amor e luz,

Temas:

CEO do Centro Hoffman, é expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e de "Perdão, A Revolução que Falta", além de coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach.

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