Vejo muitos pais, sem nem mesmo perceberem, prenderem-se a nota do boletim escolar para definir se é um bom ou mau aluno. E muitos não veem problema nisso, afinal, foram criados assim por seus pais.

Mas, olhando para trás, você tem CERTEZA ABSOLUTA que suas notas contavam direitinho quem e como você era enquanto aluno? Ou teve alguma(s) coisa(s) que seu boletim nunca disse aos seus pais? Vamos olhar mais de perto para isso?

O desempenho escolar ajuda, mas não pode ser o único parâmetro para avaliarmos o desenvolvimento infantil.

Durante muitas e muitas décadas, a sociedade recorreu a um único parâmetro para separar os indivíduos bem-sucedidos dos malsucedidos. A inteligência intelectual – ou seja, o nível de conhecimento e a capacidade de raciocínio, planejamento e resolução de problemas – foi, por muito tempo, o principal fator analisado para que se fizesse essa divisão.

O melhor exemplo disso aconteceu (e ainda acontece) nas salas de aula: alunos com boas notas no boletim são muito bem vistos por pais e professores; por outro lado, aqueles com médias mais baixas chamam a atenção, recebem broncas e, com frequência, são considerados menos capazes.

Como especialista em desenvolvimento humano, tenho enfatizado a necessidade de mudarmos esse paradigma. Na infância, em especial, é preciso ficar atento a muitos outros aspectos para identificar os verdadeiros atributos e dificuldades apresentadas pela criança.

Como mãe, quero relatar a minha própria experiência para reforçar esse ponto de vista. Tenho quatro filhos e cada um deles me trouxe uma experiência completamente diferente. Precisei aprender, na prática, a compreender e lidar com personalidades tão distintas.

A minha segunda filha sempre foi uma ótima aluna. Dedicada, tirava notas excelentes. Nascido dez anos depois, o meu terceiro filho seguiu outro caminho. Sua primeira nota vermelha apareceu no boletim da segunda série do Ensino Fundamental; a primeira de tantas outras.

Compará-los, ainda que apenas com base no desempenho escolar, nunca foi uma possibilidade. Afinal, além da diferença de idade, meus dois filhos do meio apresentavam talentos e dificuldades muito particulares.

As notas me serviam de parâmetro, mas jamais seriam suficientes para que eu avaliasse o desenvolvimento ou o potencial de cada um.

Hoje, ambos chegaram à fase adulta e agora percebo claramente o quanto foi importante dar espaço para que crescessem no seu próprio ritmo e caminho. Com seus atributos tão específicos, eles encontraram as ferramentas de que necessitam para conquistar felicidade e bem-estar.

Compartilho essa história, como disse, apenas para reforçar minha proposta para a educação. É preciso olhar para a criança, observá-la para que tenha a oportunidade de mostrar seus talentos e dificuldades.

Essas características, aliás, aparecem naturalmente, desde que nós, familiares e educadores, estejamos de olhos bem abertos.

Basta uma simples brincadeira para que possamos observar, por exemplo, se estamos diante de uma criança introvertida ou extrovertida, líder, produtora, mantenedora, entre tantas outras possibilidades. Para os pais que trabalham muito, a dica é usar qualidade de tempo que estão com filho.

A capacidade intelectual, é claro, serve como referência, assim como as aptidões emocionais e físicas.

A criança precisa ser vista, não moldada dentro de valores preestabelecidos. Ela nasce pronta para se desenvolver com suas qualidades inatas. E você pode ajudar a instrumentalizá-las. Se ela puder ser reconhecida, crescerá em todas as suas inteligências. Basta que lhe ofereçamos a oportunidade e o direito de que seja apenas quem e como ela já é.

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CEO do Centro Hoffman, é expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e de "Perdão, A Revolução que Falta", além de coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach.

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