Em minhas palestras e cursos, muitas pessoas me perguntam se há algo que os adultos (pais e cuidadores) podem fazer para ajudar no desenvolvimento emocional de seus filhos. Para ser mais precisa, na verdade, o que a maioria quer saber é como lidar com as crianças de formas mais positivas.

Castigos são válidos? Se sim, quais castigos?
O que fazer diante das birras?
Como estimular o desenvolvimento sem “forçar a barra”?
Como ensiná-los a lidar com as próprias emoções e frustrações?

Antes de mais nada, vale dizer que este assunto ainda é relativamente novo e, claro, por isso causa tanta confusão e estranhamento. Antes, não se falava sobre isso. Quando eu era pequena, por exemplo, o que importava apenas era o QI (o quociente de inteligência). Era como se nós só tivéssemos essa inteligência e, portanto, só essa “medida” de inteligência.

Felizmente, mais tarde e aos poucos, nós começamos a compreender que temos muitas outras capacidades. Somos plurais, múltiplos e precisamos de todas elas. E a Inteligência Emocional é parceira da Intelectual: nós realmente ficamos mais inteligentes a partir dela.

Dito isso, é necessário reiterar que os pais e cuidadores cumprem, evidentemente, papel fundamental no desenvolvimento da inteligência emocional dos filhos. Portanto, se querem de fato cumprir com essa missão, devem, antes de tudo, desenvolver suas próprias Inteligências emocionais.

Digo isso porque as crianças são espelhos dos pais. Portanto, se elas têm pais com a inteligência emocional desenvolvida, eles não precisarão seguir nenhuma ‘cartilha’; acabarão naturalmente seguindo o exemplo.

Aliás, você sabe o que mais costuma se sobressair nas relações familiares marcadas por Inteligência Emocional? A qualidade do diálogo!

Isso porque, quando há inteligência emocional nesses relacionamentos, você dá direito ao outro de se explicar, de defender suas próprias ideias e verdades; você o legitima, bem como suas emoções e vontades. Essa habilidade, empregada nas relações com os filhos, é fundamental para que eles desenvolvam a autoestima e ganhem igual capacidade – ou seja, de que consigam também fazer o mesmo pelas pessoas que estão ao redor!

Costumo dizer que vivemos ainda sob o paradigma de que as crianças existem para serem construídas, quando, na realidade, elas já nascem prontas. A Inteligência Emocional dos pais é o que transforma esse paradigma, justamente porque permite, a eles, que cuidem dessa criança com muito mais curiosidade do que com ordem ou comando – o que gera mais diálogo, entendimento e flexibilidade.

Mas, vale lembrar que, ao contrário do que temos visto por aí, abrir espaço para a criança se explicar não significa que ela passa a ser dona da verdade ou que tenha poder. A Inteligência Emocional ensina, aos filhos, que família é um sistema hierárquico, que os pais vieram antes e, portanto, sabem mais e precisam ser respeitados por isso.

Saúde emocional para crianças: erros e acertos

Na busca por mais inteligência emocional para os filhos, muitos pais esbarram na própria falta dessa habilidade. A verdade é que, ainda hoje, lidar com as emoções dos outros pode ser uma tarefa muito difícil para muita gente, porque, afinal, grande parte dessas pessoas tem dificuldade em lidar com as próprias emoções.

Em outras palavras, via de regra, os adultos de hoje não tiveram treinamento, desenvolvimento, muito menos sabiam da existência da Inteligência Emocional. O que aprenderam, ainda pequenos, é que não podiam chorar, rir muito ou sentir raiva, por exemplo. A grande questão é que essas emoções básicas – alegria, tristeza, raiva, medo e amor –, são expressadas muito claramente pelas crianças. Nós nascemos com elas, quer dizer, nascemos com medo, com nossa capacidade enorme de amar, ficamos tristes, ficamos alegres e com raiva. Isso faz parte do humano, mas, mesmo assim, não sabemos lidar com nada disso, porque aprendemos na infância que expressar essas emoções era errado.

Muitos alunos do Processo Hoffman, ao rememorar as próprias infâncias, lembram-se perfeitamente de serem completamente recriminados quando pequenos sempre que manifestavam algum sentimento. Alguns contam que não podiam chorar ou rir, porque esse comportamento chamaria a atenção e incomodaria aos outros; outros ouviram que era pecado sentir raiva, portanto, era preciso amar a todos (mesmo que nunca ninguém tivesse lhes ensinado COMO amar alguém que lhes magoasse, prejudicasse ou machucasse).

Como eles, muitos e muitos de nós vivemos experiência muito similar. A questão é que, se aprendemos isso assim, se fomos ensinados a não expressar essas emoções, é claro que crescemos e nos tornamos incapazes de lidar com elas apropriadamente. Pior que isso: quando, então, assumimos o papel de pais, repetimos o mesmo processo com nossos filhos.

Basta que expressem, aberta, escancarada e despudoradamente suas próprias emoções (como crianças puras e inecentes que são), e pronto! Sabe o que a maioria de nós faz? Repete as broncas que recebeu dos pais:

“Menino não chora”
“Por que você está rindo? Viu um passarinho verde?”
“Ah, vai chorar? Aguarde que eu vou te dar um bom motivo pra chorar”.

Bem, não precisaria nem dizer, mas… O resultado disso é que essas crianças, assim como nós, terão dificuldades em lidar com as emoções! Afinal, é impossível esperar ou cobrar que se tornem seres superamorosos e inteligentes emocionalmente se nós mesmos estamos contribuindo para cercear suas emoções. E é sempre importante dizer: quem não é capaz de expressar a dor ou a raiva, também não é capaz de expressar o amor.

Aprendendo a lidar com comportamentos negativos

Sempre que ouço o apelo dos pais, percebo que sua grande súplica, seu grande desejo é o de saber como administrar os maus comportamentos dos filhos, sem, com isso, causar traumas.

O meu maior conselho sempre é: para viver melhor em família, é preciso respeitar a expressão de emoção das crianças. Então, autorize-as. Pode chorar, sim; sentir raiva, sim; mas, de maneira adequada.

Você pode dizer, por exemplo: “eu sei, você ficou muito triste ou muito bravo porque a mamãe não comprou o que você queria; eu entendo e acho que você tem toda a razão, mas, aqui, no supermercado, não pode gritar. Quando formos para casa, você pode gritar no seu quarto. Você pode chorar na sua cama. Aqui, não pode, mas eu compreendo perfeitamente que você está muito bravo porque a mamãe disse não”.

Eu mesma disse muitas vezes para os meus filhos: “eu sinto muito e compreendo que você está muito bravo e muito chateado, mas a minha resposta é não. Você não pode”.

Quanto mais certeza do seu posicionamento, mais facilmente a criança compreenderá que a família é um sistema hierárquico. Além disso, como disse, mãe e pai têm poder de vida ou morte sobre seus filhos e, portanto, também é sua obrigação compreendê-los, permitir que se expressem e adequá-los ao convívio em sociedade. Eles não são “vaquinhas de presépio” como muitos de nós fomos; devem ter oportunidade de falar, de dizer tudo o que pensam, de esclarecer, de reivindicar, mas o poder é sempre nosso, sempre do pai e da mãe.

Eu escrevi um eBook gratuito sobre relacionamentos entre pais e filhos, caso queira ler mais sobre o assunto: “Como Dizer Não falando Sim – Cinco dicas práticas para você obter resultados mais positivos com seus filhos“.

Espero ter contribuído! Se tiver dúvidas ou quiser conversar, escreva para [email protected]. Vou adorar saber de você!

Temas: ,

Expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman, no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach. É diretora do Centro Hoffman

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *