Não há ninguém no mundo que não precise de uma boa dose de autocrítica de tempos em tempos. Olhar para si mesmo, perceber-se, avaliar os próprios gestos e atitudes são passos indispensáveis para quem busca evolução e crescimento em qualquer âmbito – seja na vida profissional, seja na vida pessoal.

No entanto, não é raro me deparar com pessoas que, bem… Pegam realmente pesado consigo mesmas! Elas estão tão, mas tão acostumadas à autodepreciação que, sem perceber, ficam horas falando mal de si mesmas e para si mesmas! Em seu processo mental, submetem-se, por conta própria, a uma enorme gama de insultos e humilhações (os quais, muito provavelmente, não profeririam a uma outra pessoa e nem aceitariam ouvir de uma outra pessoa!).

Então, antes de começar este artigo, preciso explicar: a autocrítica se torna excessiva a partir do momento em que produz essencialmente sensações negativas, como frustrão, impotência e desmotivação. Ou seja: não há motivo para se autocriticar se o resultado dessa análise não nos acrescenta ou não nos oferece um caminho para a mudança. O processo de olhar para nós mesmos é feito para que possamos identificar em que somos bons e em que podemos melhorar – não para que soframos com o que temos a melhorar, principalmente se essas melhorias exigirem decisões ou escolhas impossíveis.

O que acontece é que, bem, muitas e muitas pessoas exageram na autocrítica apenas porque assim aprenderam desde pequenos. Pais muito exigentes e pouco amorosos, que apontam os erros com rigidez e elogiam pouco (ou nunca) tendem a reforçar, em seus filhos, a ideia de que são crianças imperfeitas porque falham. Como resultado, evidentemente, essas crianças se tornam adultos que acreditam honestamente que não podem falhar, porque continuam em busca da perfeição – algo inalcançável.

Essa busca, muitas vezes inconsciente, faz com que fiquem muito mais focados e apegados aos próprios erros do que aos acertos. Conheço, por exemplo, uma porção de gente que coleciona vitórias em todos os âmbitos da vida, mas, na hora de falar sobre si, prioriza as desilusões, os erros e as falhas. Como disse, ninguém é perfeito. É preciso ajustar o foco, mudar de perspectiva e perceber que fizemos o melhor que pudemos.

A autoaceitação da nossa própria humanidade, feita de forma sincera, é um grande passo para que possamos amenizar a autocrítica. Quando compreendemos que somos humanos, que temos nosso bem e nosso mal, que acertamos, mas também erramos, conseguimos nos enxergar de forma muito mais realista e honesta. Essa visão nos ajuda a aceitar nossos erros como naturais e, principalmente, como partes essenciais de um aprendizado maior.

Dito isso, preparei uma lista com cinco experiências negativas frequentemente vividas por quem exagera na autocrítica. Caso se identifique, fique atento(a): o julgamento excessivo está impedindo sua felicidade e bem-estar!

 

1) Você se sente constantemente frustrado(a)

A frustração é muito comum nos seus dias? Com frequência você tem a impressão de que nada nunca está bom o suficiente? Bem, se sim, hora de ligar o sinal de alerta.

A maior parte das pessoas carrega, para si, consciente ou inconscientemente, o paradigma da perfeição. Em outras palavras, atribuíram um significado único e individual ao conceito de “perfeição” e passam a vida tentando alcançar essa perfeição.

Acontece que nós, seres humanos, somos imperfeitos, temos nosso bem e nosso mal. Se não soubermos reconhecer e valorizar nossas vitórias, em detrimento às eventuais falhas e derrotas que aconteçam pelo caminho, estaremos fadados a viver na frustração.

2) Você desvaloriza suas próprias vitórias e conquistas

Responda honestamente: quando revê sua trajetória de vida, quais pontos mais se sobressaem? O que você conta de si, para si e para os outros? Quais aspectos mais valoriza e enfatiza na sua narrativa?

Faço essas perguntas porque, infelizmente, conheço muita gente, como disse, que só se coloca para baixo! E sabe o que é pior? Muitas menosprezam o próprio esforço e sucesso. Em vez de se reconhecerem como merecedoras do que alcançaram, repetem frases de efeito, como “não fiz mais que minha obrigação”.

Desvalorizar as próprias vitórias e conquistas é um perigo; pior ainda é focar apenas nas próprias falhas e derrotas. De que adianta repetir, para si e/ou para os outros, a mesma história sobre aquele negócio que não deu certo, sobre o relacionamento que terminou mal ou sobre a vez em que foi demitido do emprego?

Isso já passou, ficou para trás. Aprenda com seus erros, mas siga em frente. A autopunição excessiva só fará com que permanece parado no mesmo lugar, em vez de caminhar para novas possibilidades.

3) Você estipula metas profissionais quase impossíveis

Uma coisa é estabelecer objetivos profissionais reais e trabalhar para alcançá-los, sabendo que exigirão esforço, dedicação e, eventualmente, a capacidade de superar obstáculos. Outra coisa é estipular metas inalcançáveis – como nunca errar, nunca falhar, nunca perder – e trabalhar em prol desses objetivos ignorando que, eventualmente, alguns obstáculos podem (e devem) aparecer pelo meio do caminho.

Sabe qual é a principal diferença entre essas situações? Bem, na primeira, você tem melhor compreensão de si e do seu entorno; sendo assim, terá mais chance de reconhecer e corrigir suas falhas para que possa alcançar os resultados que busca. Na segunda situação, você tende a sofrer e ficar frustrado sempre que falhar em algum aspecto, ainda que o resultado final tenha sido uma vitória. Afinal, para você, a meta era a perfeição, não o resultado em si.

4) Você acredita que seus relacionamentos amorosos deixam a desejar

Isso também tem a ver com a busca pela perfeição. O ato de se apaixonar/amar é parametrizado em nossas vidas de diversas formas: em filmes, músicas, nas relações que vemos ao nosso redor e em tantos outros momentos.

Por isso, muita gente espera se apaixonar/amar dentro desses parâmetros e ignora que cada um tem a capacidade se sentir essa emoção de forma individual e incomparável. Quando permanecemos referenciados ao que nos é externo, tendemos a acreditar que aquilo é melhor/maior do que o que temos. (Tenho um eBook sobre o assunto, que você pode baixar gratuitamente aqui: “Relacionamento a Dois – Como seu comportamento cria a relação que você tem“).

5) Em geral, você diria sempre que a “grama do vizinho é mais verde”

Essa crença de que o do outro é melhor do que o nosso tem tudo a ver com a falta de Autoconhecimento. Quando não nos olhamos, não nos reconhecemos com profundidade, tendemos a nos referenciar com base no outro, no que nos é externo.

E, referenciados pelo o que nos é externo, acreditamos que o outro tem/faz/é melhor – afinal, desconhecemos as suas dificuldades e enxergamos apenas aquilo que o outro escolhe demonstrar. A partir desse momento, fica fácil para que eu assuma, para mim, a crença de que o outro consegue ser, ter e acontecer com muito mais facilidade do que eu. O que, acredite ou não, NÃO É VERDADE!

 

Como lutar contra o excesso de autocrítica

A receita contra a autocrítica excessiva requer apenas dois ingredientes: autoconhecimento e amor-próprio.

É preciso compreender que a única pessoa responsável por conquistar e valorizar as próprias conquistas, bem como por cometer, assumir e superar as falhas É VOCÊ MESMO(A). Não é papel de mais ninguém. Por isso, é preciso voltar os olhos para si e percorrer o caminho da compreensão, da autovalorização e do autoperdão.

Quanto ao autoconhecimento, bem, é imprescindível que olhemos para nós mesmos e para a nossa trajetória isentos de julgamentos, cobranças e culpas. Só assim teremos uma visão mais próxima da realidade, daquilo que somos de fato, e não daquilo que gostaríamos de ser. E, quando chegarmos a esse ponto, teremos a oportunidade de identificar quais foram nossas reais conquistas, aquelas pelas quais merecemos nos valorizar, aplaudir, parabenizar; bem como, quais são os nossos verdadeiros pontos fracos, que merecem atenção e cuidado.

Espero ter lhe ajudado! Caso tenha dúvidas ou queira conversar, me escreva: [email protected].

Vou adorar saber de você. Até a próxima!

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Expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman, no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach. É diretora do Centro Hoffman

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