Há muitos e muitos anos, desde que estou à frente do Processo Hoffman, tenho defendido a importância de praticar a compaixão se quisermos conquistar mais bem-estar e plenitude em nossas vidas. Especialmente em épocas difíceis como a que estamos vivendo nesse momento, de crise política e econômica, fico ainda mais convicta do quanto poderíamos nos beneficiar dessa poderosa habilidade. E, hoje, eu gostaria de lhe explicar por que é que insisto tanto nesse ponto de vista.

Para começar, a primeira coisa que gostaria de esclarecer é… Você sabe o que significa compaixão? Bem, na prática, a compaixão é o profundo pesar pelo sofrimento alheio acompanhado de um sincero desejo de aliviar a dor e de remover a causa daquele sofrimento.

Dito isso, imagino que você já tenha experenciado a compaixão em algum momento da vida. Quando seus filhos ou pais enfrentaram alguma doença, por exemplo, talvez tenha se sentido dessa forma; ou, então, quando se viu diante de algo que considera profundamente injusto, como um morador de rua ou um bichinho abandonado.

As chances são de que, natural e espontaneamente, tenha sido inundado(a) por essa emoção tão profunda e transformadora. E o que eu quero lhe mostrar, neste artigo, é que a compaixão também é algo que pode (e merece!) ser treinado. Vamos lá?

Aí vão todas as coisas que você precisa saber sobre a compaixão!

 

1) Como eu desenvolvo compaixão?

O primeiro passo para a compaixão é a compreensão de que todas as pessoas no mundo, assim como nós mesmos, só nutrem um desejo (quase sempre inconsciente): o de dar e receber amor. De maneira geral, isso significa que, mesmo quando nos magoam ou machucam, elas não fazem por mal e nem por querer.

Quando sentimos pena, piedade ou dó do outro, nós acreditamos que o outro não tem recursos para sair daquela situação e, consequentemente, precisa da nossa ajuda. Na compaixão, nada disso é verdade.

Em outras palavras, você, assim como eu e como seus entes queridos, vive com as suas verdades e aprendizados. Mas, porque estamos todos igualmente dispostos a fazer o que for preciso para conquistar amor e reconhecimento, adotamos comportamentos que, invariavelmente, causam justamente rejeição e abandono.

 

2) Por que parece tão difícil desenvolver a compaixão?

O primeiro e grande desafio é lidar com o sentimento de VINGANÇA: “o outro fez e ele tem de pagar por isso”. Quando o outro nos machuca, via de regra, acreditamos que fez de propósito. Nós temos certeza da intenção do outro, mas isso não passa de ilusão – afinal, se não conhecemos nem a nós mesmos por inteiro, como podemos supor que estamos 100% certos quanto à intenção alheia?

Emocionalmente, ainda vivemos sob a Lei de Talião, sob a máxima do “olho por olho, dente por dente”. Por fora, somos moralistas, mas, por dentro, ansiamos por justiça. Mas não é qualquer justiça, é a nossa: machucar e destruir a quem machucou e destruiu. Por isso, defendo que a compaixão tem a ver com educação e autoconhecimento, enquanto a vingança está relacionada à inconsciência.

 

3) Por que eu deveria praticar a compaixão?

A compaixão nos traz um sentimento profundo de igualdade e pertencimento. Nós, humanos, somos seres gregários e desejamos fazer parte do “bando”. Mas, para fazer parte, é preciso compreender que o outro tem direito de ser o outro. A compaixão nos permite legitimá-lo, isso é, dar, a ele, o direito de ser exatamente como e quem é. Podemos não gostar do que faz, podemos não aprovar o que faz, mas, ainda assim, reconhecer que ele tem o direito de fazer (assim como nós temos o direito de fazer o que fazemos, como fazemos). Isso só se torna verdadeiro a partir do sentimento de compaixão.

 

4) Como a compaixão afeta meus relacionamentos?

A compaixão nos posiciona. Quando todos temos o direito de ser quem somos, surge imediatamente a autorresponsabilidade. Responsabilizar-se pelos nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos pode gerar empatia, sinergia, confiança, criatividade e um movimento de proatividade para a vida e para seus relacionamentos, de todas as naturezas.

Vale reiterar que estar com o outro e desenvolver relacionamentos saudáveis são desejos comuns a todas as pessoas. Quando somos reconhecidos por quem somos, sem críticas e/ou julgamentos, ganhamos muito mais capacidade de produzir, criar, compartilhar e crescer. Por outro lado, com o julgamento, atraímos justamente o que mais tememos, que é a solidão.

Em outras palavras, a compaixão nos iguala e nos retira dessa “gangorra emocional”, em que ora nos sentimos menor/pior, ora nos sentimos maior/melhor que o outro.

 

5) Qual é a diferença entre compaixão, solidariedade e piedade (sentir pena)?

Como disse, a compaixão nos iguala e aumenta nossa capacidade de atuar junto ao outro para produzirmos uma vida melhor para todos. A solidariedade é o sentimento de que, se aconteceu com o outro, pode acontecer comigo – portanto, é meu papel, enquanto cidadão, oferecer a minha ajuda em momentos difíceis. Por sua vez, a pena desqualifica o outro.

Quando sentimos pena, piedade ou dó do outro, nós acreditamos que o outro não tem recursos para sair daquela situação e, consequentemente, precisa da nossa ajuda (o que, muitas vezes, nos deixa presos àquele contexto). A pena nos traz um sentimento de separação (“eu consigo, mas você não consegue” – ou vice-versa). Quando sentimentos pena, normalmente, acreditamos que somos superiores àquela pessoa.

Na compaixão, nada disso é verdade. O outro dará conta de se resolver, porque tem recursos para organizar a vida e sair daquela situação de problema. Claro que podemos oferecer compreensão, cuidado e oportunidade para que se reerga, mas não é nosso papel pegá-lo pela mão. A compaixão reconhece a falha, o descuido e o erro como situacionais; a piedade estabelece que o outro erra porque é menor e/ou mais fraco.

 

6) O que o autoconhecimento tem a ver com a compaixão?

Tudo! Para se chegar à compaixão, é preciso experimentar o autoconhecimento, pois esse nos leva à compreensão. Lembre-se: se você quer ter o direito de escolher, opinar, decidir e viver do “seu jeito”, o outro também quer. Portanto, se “o seu jeito” necessita de espaço para existir, então, o “jeito do outro” também. Convivência pacífica e respeitosa depende de compreensão e compaixão. A compaixão cria pontes de conexão; por outro lado, a piedade, a incompreensão, o autoritarismo e a mania de superioridade destroem pontes de relacionamentos.

 

7) Ao praticar a compaixão, corro o risco de fazer o papel de bobo(a)?

A compaixão sempre começa no eu! Ou seja, não podemos pensar no outro com compaixão se, antes, não fizermos o mesmo por nós. Compaixão significa AUTOconhecimento, AUTOrespeito, AUTOcuidado, AUTOamor. Quando você está preenchido, sobra e transborda para o outro. O direito de existir é NOSSO; aproprie-se do seu para, em seguida, reconhecer o do outro.

Só para finalizar, quero registrar:

A piedade vem da baixa autoestima e de uma profunda necessidade de reconhecimento e carência.

A falta de amor-próprio vem da inconsciência de si mesmo.

Quando eu ajudo ao outro mais do que a mim mesmo(a), no fundo, quero ser reconhecida pelos outros. Por outro lado, quando cuido de mim primeiro, eu mesma reconheço meus valores, qualidades e merecimentos; eu mesma valido meu jeito de ser a partir da compaixão. Consequentemente, ofereço ao outro o meu melhor gratuitamente, inclusive a minha compaixão.

Que tal tentar?

Bem, espero que tenha gostado.

Volto a escrever em breve! Amor e luz,

CEO do Centro Hoffman, é expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e de "Perdão, A Revolução que Falta", além de coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach.

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