Hoje, quero conversar com você sobre a carência emocional e afetiva. Conheço muitas, muitas pessoas que se sentem e/ou se rotulam como carentes, mas percebo que poucas sabem o que fazer a respeito; a maioria, aliás, nem mesmo reconhece o dano que a carência é capaz de causar em suas vidas. Se você acha que esse pode ser o seu caso ou se conhece alguém assim, acredito que esse conteúdo vai lhe ajudar!

Bem, em primeiro lugar, quando falamos sobre pessoas carentes, via de regra, estamos falando a respeito daquelas que não encontraram e não encontram em si mesmas a motivação necessária para que possam se enxergar e se valorizar como um ser único e individual.

Via de regra, são pessoas que não sabem de si e, por isso, não doam a si mesmas o tempo, o carinho, o cuidado e o amor que têm para doar. No final das contas, tendem a direcionar ao outro toda essa amorosidade e criam expectativas de que, porque assim fizeram, receberão de volta – e, assim, tornam-se ‘dependentes’ do afeto que vem de ‘fora’.

Outro aspecto muito importante, como disse no início, é que as pessoas carentes quase nunca têm consciência sobre esse comportamento, muito menos de como se tornaram assim. Muitas vezes, reagem compulsiva e impulsivamente motivadas pela sensação constante de que lhes falta alguma coisa. Experimentam um nível elevado de cobrança e expectativa – tanto em relação a si mesmas, como em relação ao outro – porque, inconscientemente, estão presas à crença de que alguma coisa vinda de fora será capaz de preencher esse vazio.

Porque vivem em meio a uma grande inconsciência e porque têm tanta dificuldade em perceber os elevados níveis de cobrança que direcionam aos outros, as pessoas carentes quase sempre ignoram o mais importante: só quem pode efetivamente preencher o espaço vazio são elas mesmas.

Mais um ponto que considero superimportante sobre este assunto é o fato de que a carência pode se manifestar de diversas formas. Entre a pessoa que está sempre esperando do outro e aquela que adota a postura do “eu me basto” – o que também não deixa de ser uma forma de carência – existem tantos outros tipos de comportamento que revelam o desejo de receber amor. Em outras palavras, os carentes estão por todos os cantos, ainda que não se revelem dentro do padrão impulsivo ou cobrador.

A seguir, eu respondo as dúvidas mais comuns sobre esse assunto!

as pessoas carentes quase nunca têm consciência sobre esse comportamento, muito menos de como se tornaram assim

1 – O que leva uma pessoa a ser carente?

Há diversos fatores, mas todos têm uma única origem: a falta de Autoconhecimento. Quando alguém não conhece a si mesmo, não reconhece as próprias características, pontos fortes e fracos, bem como a origem dessas características, os olhos ficam o tempo todo voltados ao outro e à relação com o outro.

Como causa e consequência desse movimento, a pessoa desconhece também quais ações e comportamentos pode adotar que lhe façam bem, que façam com que se sinta verdadeiramente amada. O que acontece, na realidade, é que muita gente espera se sentir preenchida pelo amor que vem de fora, sem perceber que não há amor externo capaz de suprir a falta do amor-próprio.

 

2 – Na prática, quais sinais podem indicar que sou uma pessoa carente?

Eu diria que o mais importante é olhar para trás e avaliar se existe um comportamento recorrente e cíclico que leva você sempre ao mesmo lugar, ao mesmo resultado. É quase como se perguntar: “por que isso sempre acontece comigo”? Rever a sua história para tornar o amor e o desamor conscientes são passos fundamentais para que chegue ao amor-próprio, a única ferramenta verdadeiramente eficaz para quem busca fugir da carência.

 

3 – A carência sempre atrapalha os meus relacionamentos?

Sem dúvida. O amor verdadeiro e incondicional só se dá quando vivemos em pé de igualdade com todas as pessoas. Para um relacionamento ser saudável, precisamos saber que, numa relação, só somos 50%. Se pudermos respeitar esses 50% e olhar para o outro com respeito, sabendo que o outro também existe – mas que ele existe diferente de mim, com outra história, outros conceitos e modelos de vida –, certamente saberemos dar o espaço necessário a ele e a nós mesmos.

Reitero ainda que as pessoas carentes, como disse, costumam esperar do outro a entrega do amor e, por isso, raramente ficarão satisfeitas num relacionamento. Digo raramente porque, no início, o movimento do outro pode até bastar para que se sintam preenchidas. Porém, com o tempo, nada do que o outro fizer ou disser será suficiente para preencher o que falta. É preciso ter em mente que o outro existe para nos acompanhar, não para resolver questões internas que dizem respeito apenas a nós mesmos.

 

4 – A carência sempre tem a ver com medo de ficar sozinho(a)?

Em suma, medo é a emoção mais aflorada entre as pessoas carentes: medo de não encontrar nunca um amor verdadeiro, de sofrer, de ser incapaz de amar verdadeiramente. O medo da rejeição é central e devastador, e está presente em praticamente todo mundo que não tem consciência sobre si. Diante dele, as pessoas se colocam em situações que lhes causam dor e, ainda, repetem para si que não têm outra opção a não ser essa.

Também é importante dizer que o ser humano é gregário, ou seja, ele valida sua existência a partir da relação com os outros. O medo de ficar sozinho remete a isso porque representa a sensação de que as nossas vidas deixam de ter sentido sem o outro. É um medo válido e sincero. Porém, é preciso ter cuidado e equilíbrio em relação a ele. Afinal, só conseguimos estabelecer relações sólidas com as pessoas e o mundo ao nosso redor a partir do momento em que temos essa mesma relação primeiramente conosco.

Por isso, defendo mais uma vez que o Autoconhecimento é a solução. É preciso que a pessoa carente se descubra, se conheça, saiba quais são seus limites e prazeres. Só assim conseguirá perceber seu próprio valor e se tornará capaz de preencher a si mesma. Vale lembrar, ainda, que todas as relações têm a negociação como base. Negociar significa encontrar soluções em que todos concordem em abrir mão de algo e, mesmo assim, saiam ganhando – nem a sua e nem a vontade do outro prevalece, ambas simplesmente entram em acordo. Se você não sabe exatamente quem é, possivelmente não sabe exatamente o que quer. Então, como vai negociar?

 

5 – Como posso fortalecer minha autoestima para afastar a carência?

Primeiramente resgate o amor-próprio, que é a base principal desse processo. Isso significa amar a si mesmo incondicionalmente, com todas as suas qualidades e defeitos, para aprender a se posicionar de maneira positiva ante os acontecimentos da vida.

Assim, ter autoestima envolve responsabilizar-se por aquilo que lhe acontece, e não apenas se colocar no papel de vítima. Reconheça que você é uma pessoa de valor e diga “eu me amo”. É necessário colocar o autoamor em prática, que é a habilidade de dar sem esperar nada em troca, e afastar a carência de esperar que alguém faça por você o que somente você pode fazer com precisão: amar-se.

Além disso, minhas dicas também são…

Olhe para si mesmo sem julgamentos: Não tem como fazer diferente. O primeiro passo para recuperar e elevar a autoestima é aprender a se olhar, voltar-se para dentro. Tomar consciência representa 50% do trabalho de Autoconhecimento e significa você se enxergar sem nenhum tipo de julgamento, nenhuma crítica, sem autodefesas ou justificativas, com total honestidade e com total isenção. Neste caminho, é importante também prestar atenção aos feedbacks que recebe dos outros, às placas que sinalizam como se relaciona com as pessoas que lhe cercam, e que frequentemente revelam como você é (e não como gostaria de ser).

Aposte no que você tem de melhor: Temos muito mais coisas boas que ruins, mas temos uma tendência enorme em colocar foco apenas no que temos de ruim. Para recuperar sua autoestima, por mais que você precise olhar para o seu mal e para o seu bem, é preciso fazer uma limpeza e valorizar aquilo que você tem de bom.

Adote uma postura positiva: A maneira como você encara os desafios e se posiciona para resolvê-los ou enfrentá-los é fundamental. Colocar-se como vítima e ficar apenas reclamando da vida, reclamando das pessoas, não vai adiantar. Assuma o controle da sua vida, responsabilize-se; isso se chama proatividade e positividade.

Saiba reconhecer seus erros: É importante saber reconhecer os erros que cometemos com uma visão construtiva e evitar a autopunição. Pensar que a culpa é sempre sua e que você não merece ser feliz te faz entrar em um ciclo de baixa autoestima muito grande. De que forma evitar? Assumindo o erro e perdoando-se por ele – o que lhe trará a vontade de fazer diferente na próxima vez.

Peça ajuda: Por fim, se ainda assim estiver muito difícil encontrar forças e recuperação, peça a ajuda para as pessoas próximas. Aquelas que te incentivam e são capazes de fazer você enxergar novamente suas qualidades. Essas pessoas podem direcionar o caminho que você precisa trilhar para conseguir olhar novamente para sua melhor parte.

Espero ter lhe ajudado com mais esse artigo!

Falamos novamente em breve.

Muito amor e luz em seu caminho!

Temas:

Expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman, no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach. É diretora do Centro Hoffman

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