Amanhã, 12 de outubro, é “Dia das Crianças”. Conforme havia prometido, em homenagem à data, bem como ao “Dia Mundial do Filho” (comemorado no último dia 23 de setembro), produzi uma série de conteúdos especiais sobre o relacionamento entre pais e filhos. E, antes de mais nada, quero agradecer a vocês, leitores que me acompanham por aqui, pela repercussão: muito obrigada pela companhia, pela leitura e pelo debate!

Desde que publiquei o primeiro artigo sobre o tema, tenho recebido muitas mensagens e dúvidas a respeito do assunto. Separei quatro dessas mensagens e, hoje, vou respondê-las, porque acredito que questões são comuns à grande parte das famílias brasileiras. Vamos lá? Espero que goste!

 

 “Heloísa, como devemos lidar com os novos formatos familiares no Brasil e no mundo?”

Embora ainda seja predominante, a composição tradicional da família – mãe, pai e filho(s) – já divide espaço com outros possíveis formatos há muito tempo. Vide, por exemplo, a grande quantidade de mães e pais solteiros que criaram e criam seus filhos sem a presença ou participação do(a) parceiro(a). Tempos atrás, essa dinâmica era imensamente criticada; hoje, é tratada com grande normalidade.

O mesmo vale para as famílias formadas por duas mães ou dois pais. Vivemos um momento de grande abertura para discutir a necessidade da inclusão. É verdade que a mudança de paradigmas leva tempo e que há muito ainda a caminharmos, mas já demos passos importantes nesse sentido. Com a ajuda da mídia, o assunto começou a ficar cada vez mais presente no nosso cotidiano, o que é extremamente saudável.

Afinal, quanto mais espaço de discussão houver, maiores serão as chances de que as pessoas consigam refletir sobre aquilo que lhes parece diferente. E o diferente – seja em relação à forma como a pessoa vive, seja em relação às suas crenças ou orientação sexual – costuma mesmo despertar atenção, podendo, inclusive, gerar emoções negativas.

E sabe por que isso acontece? Porque a maior parte de nós não foi treinada para lidar com o ponto de vista alheio. Por isso, diante do ‘diferente’ ou do ‘novo’, muita gente reage de forma impulsiva sem nem sequer se dar conta. Ficamos tão, mas tão focados e obcecados pelas nossas próprias formas de pensar e viver, ficamos tão comprometidos com nossos próprios valores, que passamos a agir como se somente nós estivéssemos certos e corretos; o que implica que o outro, que não compartilha dos nossos valores, está sempre e absolutamente errado.

Isso é pré-conceito: é acreditar, profundamente, que o outro é diferente e, por isso, precisa ser criticado, combatido e anulado (pois só assim o meu próprio jeito de ser e de viver será validado). O grande impacto desse comportamento é a falta de empatia. E, infelizmente, há algo que considero ainda mais grave nesse cenário: pessoas muito preconceituosas, via de regra, não dão conta nem mesmo de lidar ou compreender a si mesmas, nem de se enxergar sem julgamentos ou preconceitos; como farão isso, então, pelo próximo? A autocrítica que exercem é tão pesada que, naturalmente, serão extremamente críticas também em relação ao outro.

Por isso, costumo dizer que a capacidade de incluir, de aceitar às diferenças requer muito amor-próprio. Eu só entrego, ao outro, aquilo que sou capaz de fazer por mim mesma antes.

 

“Sou mãe solteira, mas morro de medo que a educação deles seja prejudicada pela ausência do pai. Há algo que deva fazer pelo bem-estar dos meus filhos?”

Em primeiro lugar, é importante entender que, durante a infância, a criança encontrará por conta própria as referências de que necessita quanto ao papel da figura masculina. Ou seja, a ausência do pai biológico, tanto entre os meninos, como para as meninas, terá determinado impacto, mas isso não significa que essas crianças perderão a referência.

Pelo contrário: salvo raras exceções, elas mesmas serão capazes de desenvolver naturalmente alguma identificação com uma ou mais figuras masculinas – seja um irmão, um tio, um padrinho, um avô ou amigo da família. E, isso, por si só, pode bastar para que se tornem adultos felizes e saudáveis.

Além disso, a presença do pai biológico, obviamente, não é garantia de que os filhos serão mais bem-educados ou bem-formados. À frente do trabalho de autoconhecimento que aplico no Centro Hoffman, vejo que muitos de meus alunos enfrentam, na vida adulta, as consequências de presenças maternas ou paternas negativas em suas infâncias.

Dito isso, minha dica para pais e mães solteiras é que se preocupem em transmitir um amor cheio de positividade aos seus filhos. Mais que isso, que observem com cuidado quais são as figuras que estão referenciando a educação dessas crianças – para assegurar que encontrem as melhores condições possíveis de se desenvolverem emocional e intelectualmente.

 

“Meus filhos chegaram à adolescência e se tornaram muito reservados, quase inacessíveis. Devo me preocupar? Até que ponto isso é normal?”

Para crescer, precisamos nos desvencilhar de pai e mãe. Isso é uma necessidade. A fase da adolescência é a fase do teste, é a fase em que não somos mais crianças e nem adultos e, por isso, queremos testar a nossa ‘adultez’. E esse teste requer que tenhamos certa autonomia. O afastamento, então, é normal, sim. Claro que dentro de um limite, afinal, os filhos nessa faixa etária continuam precisando de orientação e de referência.

Em outras palavras, os adolescentes precisam de uma semiautonomia para que continuem fazendo experiências de como vão virar adultos, de como vão viver fora de casa, mas é importante que ainda disponham de um canal de afeto e de diálogo no seio familiar – o que, muitas vezes, requer algum esforço por parte dos pais.

Um caminho possível para restabelecer esse vínculo é manter ou retomar atividades que fazem ou fizeram parte dessa família desde sempre. A rotina religiosa, por exemplo, é algo bastante presente para algumas famílias e que pode virar um momento de aproximação. Mas, quando se trata daquelas situações em que o adolescente não quer mesmo fazer nada junto com a família, aí cabe aos pais se inserirem no mundo desse jovem.

O que ele gosta de fazer? O que e como esses pais podem participar dessa atividade? Vale propor situações como acompanhar um evento esportivo ao lado dele (levá-lo para uma partida de futebol ou mesmo assistir pela TV). Também vale abrir as portas de casa para receber os amigos dele, num churrasco ou para um campeonato de videogame. Nada de sair de casa para deixá-los mais à vontade, nem de se colocar no meio da turma. Equilíbrio!

Em suma, o que quero dizer é que essa aproximação requer muita conversa e muito amor. Os pais precisam perguntar (não inquerir, vale reforçar) aos filhos o que eles querem fazer, como eles querem fazer. Requer também negociação para estipular, aos filhos: ‘ok, serão tantos passeios com a família e tantos com seus amigos’. É preciso respeitar e aceitar a distância, sem perder de vista que os pais continuam sendo a autoridade maior. Mesmo na adolescência, eles continuam tendo o papel de dar limites e servir como referência. O ideal é estar perto o suficiente e longe o bastante.

 

“Tenho um filho pequeno e outro adolescente, e ambos passam muito tempo no tablet ou no smartphone. Faço o que posso para controlar o acesso, mas tenho receio de que eles estejam vulneráveis. O que devo fazer?”

Bem, não podemos mais negar: a internet faz parte da vida das crianças e dos adolescentes de hoje, que já são (e serão) uma geração muito diferente da nossa. Portanto, eles também terão anseios e necessidades diferentes – o que considero o ponto mais fundamental dessa discussão.

Nós, pais, temos de estar abertos para ouvir e prestar atenção às demandas desta nova geração. Isso significa, também, que não podemos julgá-los apenas sob nosso ponto de vista, porque o que eles experenciam é muito diferente do que nós mesmos experimentamos na nossa infância e adolescência. Em outras palavras, temos de estar atentos e em constante vigilância se quisermos, de fato, compreender o comportamento de nossos filhos e a forma como eles interagem no ambiente virtual.

Esse caminho requer, naturalmente, participação. Por exemplo: o que seus filhos procuram na internet? Quais sites, aplicativos, jogos ou filmes mais prendem a atenção? Quanto tempo eles passam em cada uma dessas atividades?

É preciso responder a estas perguntas para que você possa ‘dosar’ o uso da rede. Ou seja, cabe aos pais, primeiro, conhecerem seus filhos para, então, estabelecerem as regras. E pai e mãe têm autoridade para isso, mas precisam usá-la com confiança, firmeza e toda sua amorosidade (que não significa baixar a guarda).

Por fim, relembro que toda criança aprende por cópia e repetição. Portanto, a maneira como você mesmo(a) usa esses aparelhinhos, certamente, influenciará o comportamento dos seus filhos.

Bem, espero ter ajudado!

Desejo, a você e sua família, um excelente “Dia das Crianças”! E, já sabe: se tiver dúvidas, me escreva: [email protected].

Amor e luz,

Temas:

Expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman, no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach. É diretora do Centro Hoffman

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *