Dentro da metodologia Hoffman, a reciclagem comportamental é uma das ferramentas mais utilizadas e indispensáveis para quem deseja promover uma profunda revolução pessoal. E, hoje, eu quero falar um pouco mais sobre esse conceito, porque acredito que ele poderá lhe ajudar nos mais diversos âmbitos da vida.

Bem, para começar, a reciclagem comportamental pode (e deve) ser empregada sempre que quisermos mudar algo em nosso modo de agir que esteja causando resultados negativos, desconfortos ou dificuldades (não só para nós mesmos, mas, também, em nossas relações).

A questão é que nem sempre temos ciência das nossas próprias negatividades.

Já conheci, por exemplo, pessoas superegoístas e egocêntricas que se achavam o máximo por serem assim; elas estavam tão comprometidas com esse comportamento que nem percebiam os conflitos, perdas e até mesmo a solidão que enfrentavam por conta dele.

Outro caso muito comum é o das pessoas que querem agradar a todo mundo, o tempo todo – e, com isso, estão sempre satisfazendo as vontades alheias em detrimento ao que realmente desejam (na maior parte das vezes, elas nem mesmos sabem o que realmente desejam).

A lista de comportamentos que podem causar prejuízos é muito extensa: mau-humor, tristeza, indisposição, insônia, baixa autoestima, preguiça, procrastinação, desinteresse, falta de foco, entre tantos outros.

Nesse ponto, quero chamar sua atenção para o fato de que, na realidade, todo e qualquer padrão comportamental é passível de ser modificado. Isso porque todos nós aprendemos a agir assim no passado, com nossos pais e cuidadores de infância. Eles serviram de modelo e, hoje, adultos, nós os copiamos inconscientemente e compulsivamente (lembrando que copiar, às vezes, significa fazer exatamente o oposto do que eles faziam).

Assim sendo, naturalmente, um comportamento que foi aprendido também pode ser desaprendido, modificado e transformado! Essa é a lógica por detrás da reciclagem.

Aliás, importante dizer ainda que só podemos reciclar a nós mesmos, então, se o que nos aborrece é o comportamento alheio, somos nós quem precisamos reciclar o incômodo – afinal, do contrário, o aborrecimento pode contaminar nosso dia, nossa semana, nosso mês… O outro foge ao nosso controle; caberá, a ele, perceber o próprio comportamento e decidir se quer modificá-lo.

Dito tudo isso, você deve estar querendo saber quais são os primeiros passos para reciclar os seus comportamentos negativos. Vamos a eles!

 

Os comportamentos negativos, automáticos e compulsivos são como vícios – hábitos que devemos eliminar se quisermos ganhar saúde, plenitude, longevidade, entre tantos outros benefícios. Mas, agora, eu lhe pergunto: como é que os vícios são eliminados?

Para mudar, faça as perguntas certas

Como eu cito no meu livro “O Mapa da Felicidade”, desenvolver o autoconhecimento é o primeiro passo para a uma reciclagem ou mudança de padrões de comportamento. E autoconhecimento envolve, como primeiro passo, a autopercepção.

Minha dica, portanto, é: comece a observar como você age no seu dia a dia; aos poucos, tome consciência de seus comportamentos. Esteja aberto para ouvir, sentir e identificar as respostas que costuma dar automaticamente às diversas situações que lhe ocorrem durante o dia. Sim, é mesmo um treino que visa a um aprendizado constante. E lembre-se: o foco é sempre você, não o outro.

A minha proposta é que você se questione e que o faça de uma maneira específica.

Perceba a si mesmo(a):

O que é que você está sentindo em relação a “algo” ou a “alguém” nesse momento?
Com base nesse sentimento, para qual direção vão seus pensamentos?
O que é que você tem vontade de fazer a respeito?
Você tem a intenção de expor ou guardar o que está sentindo e pensando?
Se fosse se expressar, como demonstraria essa emoção – seja raiva, alegria, medo, tristeza?

Enfim, o primeiro passo nessa trajetória é buscar identificar quais são suas reações mais imediatas e impulsivas diante do que lhe acontece. O segundo passo, então, será investigar os comportamentos negativos que decorrem dessa emoção original: Com quem você aprendeu a agir assim? Em que momentos usa esse comportamento? E, quando age assim, como é que você se sente de verdade?

Feitas com honestidade e sinceridade, essas reflexões lhe trarão respostas fundamentais. A partir delas, aos poucos, você conseguirá identificar seus próprios gatilhos – os momentos precisos em que costuma reagir de forma negativa e, consequentemente, colher resultados que também deixam a desejar.  Em suma, com esse “conteúdo” a seu próprio respeito, você poderá modificar a si mesmo(a) a partir da ação.

 

A transformação na prática

Os comportamentos negativos, automáticos e compulsivos são como vícios – hábitos que devemos eliminar se quisermos ganhar saúde, plenitude, longevidade, entre tantos outros benefícios. Mas, agora, eu lhe pergunto: como é que os vícios são eliminados?

Sim, a partir da prática, da dedicação e do comprometimento com a mudança. Isso é o que vai permitir a você (e a qualquer pessoa) implementar uma nova atitude no lugar da anterior. A verdade é que não existe segredo, nem mágica. Transformar um hábito sempre requer, da nossa parte, genuína força de vontade e atenção.

Nunca fui fumante, mas, apenas como um exemplo, conheço ex-fumantes que deixaram o vício há mais de 10 anos e, até hoje, de vez em quando, sentem vontade de acender um cigarro. Para evitar recaídas, o que muitos fazem é levar atenção a esse processo: “eu tenho vontade de fumar nesse instante, mas, se fumar o primeiro cigarro, correrei o risco de acender o segundo”; ou “essa vontade é passageira, meu bem-estar não pode ser comprometido por ela”; ou “aprendi que o cigarro era a solução num momento como esse, mas, na verdade, não é”.

Seja como for, eles se convencem de que a recaída não lhes trará um bom resultado. E, assim, seguem em frente.

Sei que não parece fácil, mas essa é a razão pela qual tanta gente desiste ao longo do caminho. As pessoas geralmente querem pular etapas e obter transformações do dia para a noite, mas, para mudar de vida, é necessário passar por alguns estágios. Isso leva tempo e requer persistência e dedicação, não acontece de uma hora para outra.

Há quem desista sem nem ao menos tentar ou, ainda, aqueles que evitam se questionar porque têm medo de descobrir a si mesmos, ignorando o fato de que, infelizmente, nenhuma mudança concreta e profunda é possível sem autoconhecimento. Já outros insistem em colocar a culpa em fatores externos, que estão fora do seu controle. Adiam, assim, qualquer possibilidade de mudança efetiva, já que esse processo só depende de nós mesmos.

 

Autoconhecimento: o caminho para a felicidade e para o perdão

Para encerrar, quero dizer que ter consciência de tudo o que somos e de como nos constituímos é o melhor caminho para que possamos alcançar a felicidade. Em “O Mapa da Felicidade”, falo essencialmente sobre esse assunto. É preciso resgatar a sua própria história para que consiga descobrir quais das suas escolhas têm trazido consequências positivas e quais deixam a desejar.

Da mesma forma, é necessário identificar onde, como e com quem aprendeu esses comportamentos cujos resultados têm sido pouco positivos, para que possa desaprendê-los e iniciar novos comportamentos.

Quando tem essa consciência, você se torna apto a perdoar a si mesmo pelo o que não deu certo, o que também é essencial para a felicidade (como conto no meu segundo livro, “Perdão – A Revolução que Falta”). Reforço que, a partir de todas essas informações sobre si mesmo, novas habilidades nascerão a partir do seu desejo em ser feliz. Assim, você descobrirá o que a felicidade significa de fato para você, e saberá como e o que fazer para desfrutá-la diariamente.

Espero que goste de mais esse conteúdo!

Até a próxima.

Temas:

Expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman, no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach. É diretora do Centro Hoffman

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