Em busca da perfeição, sabe o que muitos de nós tem gerado? Autocrítica, autocrítica, autocrítica. Saiba porque é importante o equilíbrio e como evitar cair numa armadilha criada por você mesmo.

Parar e avaliar nossas atitudes de tempos em tempos é sempre bom. Seja no aspecto pessoal ou profissional, sempre encontraremos algo que precisa ser melhorado e isso é fundamental para o crescimento de qualquer ser humano. O problema começa quando a autocrítica é excessiva e começa a atrapalhar muito esse desenvolvimento.

É imprescindível que olhemos para nós mesmos e para a nossa trajetória com honestidade e isentos de julgamentos, cobranças e culpas excessivas. Só assim teremos uma visão mais próxima da realidade, daquilo que somos e não daquilo que gostaríamos de ser. Quando chegamos a este ponto teremos a oportunidade de identificar quais foram e são nossas reais conquistas, aquelas pelas quais merecemos nos valorizar, parabenizar; bem como quais são os nossos pontos fracos, que merecem atenção e cuidado.

Pela minha experiência, percebo que o paradigma da perfeição, incutido consciente ou inconscientemente em muita gente, é o que costuma estar por detrás da autocrítica exagerada.

A maior parte das pessoas atribuiu um significado único e individual ao conceito de “perfeição” e passa a vida tentando alcançá-la sem se dar conta de que somos todos imperfeitos, temos nosso bem e nosso mal.

O desejo de ser perfeito nos impede de reconhecer e valorizar nossas próprias vitórias em detrimento às eventuais falhas e derrotas que aconteçam pelo caminho. Como resultado, permanecemos fadados a viver na frustração.

Por exemplo: conheço uma porção de gente que coleciona vitórias em todos os âmbitos da vida, mas, na hora de falar sobre si, prioriza as desilusões, os erros e as falhas. Quando ficamos mais focados e apegados aos nossos erros do que aos nossos acertos, é o momento de perceber que a autocrítica está realmente excessiva.

Para muita gente, é mais fácil constatar esse padrão de comportamento ao avaliar a vida profissional. Nestes casos, costumo chamar a atenção para o seguinte ponto: uma coisa é estabelecer metas reais e trabalhar para alcançá-las, sabendo que exigirão esforço, dedicação e, eventualmente, a capacidade de superar obstáculos; outra coisa é estipular objetivos inatingíveis – como nunca errar, nunca falhar, nunca perder – e trabalhar em prol dessas metas ignorando que esses obstáculos podem, sim, aparecer pelo meio do caminho.

A principal diferença entre a primeira e a segunda situação é que, na primeira, a pessoa tem melhor compreensão de si mesma e da sua trajetória; sendo assim, terá mais chance de reconhecer suas falhas e aplaudir suas conquistas. Na segunda situação, a pessoa tende a sofrer e ficar frustrada sempre que falha em algum aspecto, ainda que o resultado tenha sido uma vitória. Afinal, para ela, a meta é a perfeição e não o resultado, em si.

Individual e incomparável
A busca pela perfeição na vida amorosa também é muito comum. Em nossas vidas, o ato de se apaixonar é parametrizado de diversas formas: em filmes, músicas, nas relações que vemos ao nosso redor e em tantos outros momentos que acabam nos marcando sem que sequer percebamos.

Sendo assim, muita gente espera se apaixonar dentro desses parâmetros e ignora que cada um tem a capacidade de sentir essa emoção de forma individual e incomparável. Sem essa consciência, permanecem referenciadas no que lhes é externo e desenvolvem a crença de que, como a sua relação não se encaixa nesses paradigmas, não é boa, forte ou importante o suficiente. Pior: passam a compará-la com a dos outros e concluem que estão vivendo uma relação “inferior”.

Ora, se ninguém é perfeito, nenhuma relação o será. O que temos nas nossas mãos e nas nossas vidas é a certeza de que não alcançaremos a perfeição e nem somos melhores ou piores que qualquer outra pessoa. É preciso acabar com as crenças que nos fazem mal, ajustar o foco, mudar de perspectiva e perceber, com honestidade, o que pudemos fazer de melhor.

Conseguimos lutar contra o excesso de autocrítica, a partir do autoconhecimento e do amor-próprio. Precisamos compreender que a única pessoa responsável por conquistar e valorizar as próprias conquistas, bem como por assumir e superar as falhas SOMOS NÓS MESMOS.

Por isso, é preciso voltar os olhos para si e percorrer o caminho da compreensão, da autovalorização e do perdão para conosco e em relação aos que nos cercam.

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CEO do Centro Hoffman, é expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de "O Mapa da Felicidade" e de "Perdão, A Revolução que Falta", além de coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach.

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